4.8.10

Ai, ai, ai, ai, ai!


Em 1964 eu era aluno no Grupo Escolar Professor José Wilke. A pequena escolinha acontecia numa antiga residência adaptada, na periferia da cidade. Ali, muitas vezes, as enchentes foram responsáveis por pausas em nossos aprendizados. O nosso uniforme era um guarda-pó branco, quase sempre engomado. Nele, na altura do coração, se lia as letras azuis PW. Quantas e quantas vezes me irritaram quando, de forma jocosa, diziam: Professor Wagabundo.

O mês de setembro era cívico. Nossos parentes, o prefeito, todos nos assistiriam marchando. Vai daí ensaiávamos “marcha” nas ruas do bairro. O caminhão do exército trazia três ou quatro soldados que pulavam de cima da carroceria verde para bater bumbo de forma compassada. E lá íamos nós, enfileirados: esquerdo, direito, esquerdo, direito... Que festa!

Finalmente o Dia da Pátria. Manter o guarda-pó limpo era estressante. A nossa diretora, trazia a bandeira do Brasil e a alcançava para uma das meninas mais bonitas da quinta série. E nós ali, com nossos sapatos lustrados. Claro que sempre alguém tinha que trazer uma bola. Nossas professoras proibiam, mas resistíamos: só iríamos dar uns chutinhos, nada mais. A “coisa” esquentava e lá se ia o lustro do sapato. O suor escorria. A nossa professora expressava descontentamento, mas a vida continuava...

Hoje, como sempre fui, sou luterano! Sou protestante e continuo não aceitando “cale-se”, quando julgo necessário dizer... Que coisa impressionante! Há grupos dentro da Igreja Luterana que, "infectados" por propostas teológicas alienígenas pregam silêncio, submissão, em prol de unidade... Ai, ai, ai, ai, ai