9.8.11

Martin Nehls - Tributo

Ontem, dia 08 de agosto de 2011, lá pelas 09h, eu fui informado da morte do nosso querido Martin Nehls que, no tempo de juventude, não foi muito ativo na Igreja. Ele gostava de dizer que essa história mudou depois que conheceu o pastor Otto Tollefson. Sim, nós estamos diante do corpo do “Seu Nehls” – como muito o chamavam; diante deste homem que foi um dos fundadores da Paróquia São Mateus; do Coral da Paróquia dos Apóstolos e do Coral da Paróquia São Mateus; deste homem que sempre participou da liderança da Igreja, seja no Presbitério e ou no Grupo de homens da Legião Evangélica da São Mateus. Aqui e agora o Martin, aquele homem de fala incisiva, é a razão de ser deste nosso Momento de Despedidas...

Não me segurem aqui...

Queridas família enlutada; queridos enlutados! É estranho, mas sempre que perdemos uma pessoa querida, carregamos a impressão de que estamos mais próximo dela. Aqui e ali nos lembramos dos momentos vividos. Imagino que isso também esteja acontecendo com vocês. Quase sempre é assim que só quando perdemos alguém que gostamos, que nos damos conta de quem verdadeiramente era a pessoa que caminhava do nosso lado.

Podemos agradecer a Deus pelo vizinho; pelo amigo; pelo esposo; pelo pai; pelo irmão; pelo cunhado; pelo sogro; pelo avô; pelo “ancião” da Igreja; pelo sr. Martin Nehls, de quem estamos nos despedindo nesta triste terça-feira de agosto. Quero lhes trazer uma Palavra baseada em Gênesis 24.56: “Isaque respondeu: - Não me façam ficar aqui. O Senhor Deus fez com que a minha viagem desse certo; deixem que eu volte para a casa do meu patrão.”

Gente querida! O Deus de Isaque; o Deus de Jacó e o Deus de Abraão também é o nosso Deus. Posso afirmar com segurança que o nosso Martin Nehls amava a vida. Tive o privilégio de celebrar suas Bodas de Ouro com a Cidália. Choveu muito quando do seu casamento em novembro de 1960. Choveu tanto que as árvores desciam do morro pelo rio Piraí, a ponto da correnteza derrubar uma ponte, mas nada, absolutamente nada, iria impedir aquela bênção matrimonial. Ontem, quando da sua morte também choveu muito...

Nesse momento o Martin e um Grupo de Homens da Legião Evangélica que se encontra aqui, estaria construindo a sapata que serviria de base para a caixa dágua que captará água da chuva lá no pátio da São Mateus. O Martin estava eufórico no sábado. Ajudei-o a descarregar as tábuas para a caixaria. Na oportunidade, falando alto, me informou que tinha conseguido a pedra brita gratuitamente. Martin! Não deu pra fazer o que tínhamos combinado. Tivemos que mudar nosso programa. Que coisa! O Isaque disse: - “Não me façam ficar aqui. Permitam que eu volte para a casa do meu pai.”

Sim, permitamos que o Martin Nehls parta. Num primeiro momento essa atitude parece ser pesada de ser tomada. Lembram da cor dos seus olhos?... Do tom da sua voz? Do jeito que falava da sua profissão de relojoeiro? Da maneira como encarava os problemas? Ele sempre falava de sua família com orgulho. Sim, ele era um homem que tinha fé e esperança e porque isto é verdade, olhemos nós também, como ele sempre fazia, para frente. A nossa fé é clara: Jesus morreu e ressuscitou. Deus, através de Seu Filho amado, levará as pessoas que morreram para a glória com Ele. Ele já está fazendo isto com o Martin.

“Segurar” e “soltar” – todos conhecem isso. Inspiramos ar dentro dos pulmões e logo precisamos soltá-lo. Ninguém faz uso da consciência para respirar. Nós colocamos objetos sobre a mesa e depois retiramos os mesmos de lá. Nós compramos roupas e, num dado momento, doamos as mesmas. Uns de nós têm mais facilidade de “largar” que outros. Nós geramos filhos; educamos os mesmos e, num dado momento precisamos soltá-los dentro do mundo. Querem saber de uma coisa? Quando “seguramos” e depois “soltamos” as pequenas coisas, estamos ensaiando para as despedidas, quando, de repente, precisaremos largar o que mais queremos bem: Estamos largando da mão do Martin. Quando largarmos as nossas mãos das suas mãos, então as suas mãos ficarão livres para segurarem nas mãos estendidas de Deus que presenteia a vida eterna.

“Não me façam ficar aqui. “O Senhor Deus fez com que a minha viagem desse certo.” Quem crê e vê o caminho que leva a Jesus Cristo aberto diante de si, sabe que esta vida que vivemos, aqui no chão, é apenas uma passagem. Isso, no entanto, não significa que nós não devamos dedicar toda a atenção e cuidado à vida que vivemos. Sim, a nossa vida é querida e importante. O Martin Nehls também gostava dela. Ele deixou sinais que ficaram evidentes, a partir da sua fé. É Deus quem nos segura na mão, não somos nós que seguramos na mão de Deus. Ele nos segura quando não conseguimos mais ver e sentir Seus sinais. É assim que nós, a cristandade, vivemos e morremos na esperança. O apóstolo Paulo escreve: “Nós somos cidadãos do céu e estamos esperando ansiosamente o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que virá de lá. Ele transformará o nosso corpo fraco e mortal e fará com que fique igual ao seu próprio corpo glorioso, usando para isso o mesmo poder que ele tem para dominar todas as coisas.” Amém!