30.9.11

O medo, a coragem e as mudanças!


Aqui e ali, converso com pessoas ligadas à nossa Comunidade. Outro dia dei atenção a uma senhora que continuava investindo suas forças no sentido de se acostumar com o estilo de vida da nossa cidade. Na nossa despedida ela se saiu assim: - Muito obrigada pelo seu cuidado para comigo! Não mude o seu jeito de ser.

Volta e meia se ouve uma palavra assim. Vamos combinar que o desejo desta senhora em relação a mim foi querido. Claro que foi! Agora, se nós não mudássemos o nosso jeito de ser, “estacionaríamos no tempo”; nos “solidificaríamos na história”. É assim que todas as mudanças que acontecem conosco; que todas as nossas experiências cooperam para o nosso amadurecimento; para o nosso “crescimento” para dentro da Terceira Idade. Se permanecêssemos sempre os mesmos, isso nos seria uma tragédia. Minha avó sempre dizia: - Um ramo verde a gente dobra com facilidade, já um galho seco é rígido. Se lhe aplicarmos um pouco de pressão ele logo se quebra. Quanta sabedoria!

Mudanças pessoais sempre são necessárias. Mesmo assim, muitos não querem mudar. Esse pessoal espera que os outros mudem. Mudar de emprego, de casa, de visual sempre é um bom exercício e até são muitos os que o praticam. Agora, mudar a si mesmo, essa é uma atitude um tanto mais difícil. Os terapeutas sustentam que, em alguns casos, as pessoas até têm a intenção de mudar, quando querem se libertar de algum peso como ansiedade e ou depressão. Problemas esses que sempre geram perda de controle; que sempre promovem pensamentos estranhos; que sempre oportunizam a desestabilização. Livrar-se de situações que provocam dor – quem não quer isso? Mas daí então, livrados do “mal”, como mudar o resto? Como vir a ser uma pessoa diferente sem o uso de alguma negação?

Ninguém consegue se “auto-esculpir” numa nova pessoa. As mudanças sempre vão acontecendo. Daí que levar esse fato em conta; envolver-se com tudo o que acontece à nossa volta é comportamento excelente. Mesmo que eu conseguisse me “formatar” num novo “design” eu teria pelo menos um problema: Como seguir adiante? Como continuar desenvolvendo meus planos? Como alcançar meus objetivos? Será que eles seriam mesmo os meus planos e os meus objetivos? Não seriam eles os planos e os objetivos dos meus pais; da minha parceira; dos meus pares; da publicidade que acabou de fazer “casa” em mim? Será que os planos e objetivos que eu persigo se ajustam ao meu jeito de ser? Luto em prol deles como se eles fossem uma espécie de “canga” que pesa e machuca meu pescoço? Será que não estou gastando muito das minhas energias; perdendo meu fôlego na tentativa de parecer maior do que realmente sou?

Os cristãos esperam que o Espírito de Deus lhes preencha; mova-lhes; promova-lhes mudanças; influencie-lhes. Para tal eles buscam orientação em Jesus Cristo. O apóstolo Paulo formulou esta máxima com maestria quando escreveu: “... Estamos sendo transformados na imagem de Deus de glória em glória pelo Espírito do Senhor!” (2 Coríntios 3.18b) Penso que não precise expressar que isso não significa que, a partir de agora, vamos ter que caminhar com o tipo de sandálias com as quais Jesus caminhava; que passaremos a usar barba comprida como as belas pinturas da Idade Média testemunham que os profetas usavam. Pelo contrário: nós passaremos a viver conforme a vontade de Deus; nós tentaremos nos enraizar no amor de Deus.

As mudanças, muitas vezes, não são e nem podem ser planejadas. Muitas vezes elas também nem se encaixam no contexto que estamos vivendo, mesmo se Deus esteja por detrás delas. Aqui pensei em Moisés e em Jeremias. Homens que, chamados por Deus para uma obra bem específica, sentiram medo... Mas isso já é outro assunto.