Busque Saber

20.11.09

O meu lar!



Intitulei minha prédica para este último domingo do ano eclesiástico, dia 22 de novembro de 2009 de “O meu lar”. Quem não gosta do seu lar? Quando volto de viagem, sempre venho contente porque vou poder sentar na minha cadeira preferida, tomar chimarrão na minha cuia, ser o deus (Salmo 8) do meu quintal... Baseio minha fala no texto de Apocalipse 21.1-7...

1 - Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram, e o mar sumiu. 2 - E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e preparada, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo. 3 - Ouvi uma voz forte que vinha do trono, a qual disse: - Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles, e eles serão os povos dele. O próprio Deus estará com eles e será o Deus deles. 4 - Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram. 5 - Aquele que estava sentado no trono disse: - Agora faço novas todas as coisas! E também me disse: - Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança. 6 - E continuou: - Tudo está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da água da vida. 7 - Aqueles que conseguirem a vitória receberão de mim este presente: eu serei o Deus deles, e eles serão meus filhos.

Outro dia, no hospital, eu estava sentado ao lado de uma pessoa que estava prestes a deixar esta vida. A figura daquele senhor ainda está viva na minha mente. Os responsáveis pela UTI me deixaram claro que o meu tempo teria que ser curto, uma vez que o ato de conversar e ouvir exige muita força do paciente à beira da morte.

Perguntei àquele senhor se podia ler um pequeno texto bíblico e ele reagiu com voz fraca: - Sim. Seja breve! Observei seus olhos opacos que denotavam cansaço. Durante todo o tempo da minha visita ele praticamente os manteve fechados. No que tange à sua fé, entretanto, ah ela estava acordada. O homem que eu visitava era uma pessoa cristã, um indivíduo que cria em Deus.

Perguntei-lhe: - O senhor lembras do capítulo 21 do livro de Apocalipse? (Lemos este texto agora mesmo...) Logo após minha pergunta percebi um leve sorriso no seu rosto. De sua boca brotou uma expressão muito clara, mais clara do que todas as outras que aquele homem desenganado tinha expressado até aquele momento: - O meu lar!

Enquanto eu ia lendo o texto com voz um tanto embargada, vi que os seus lábios se mexiam. Sim, ele recitava baixinho, junto comigo, de cor, as palavras que eu ia lendo. Quando nos dissemos “até logo” o senhor que eu visitei ainda balbuciou uma palavra apontando o dedo para cima: “!”...

Pus-me a caminho com o coração pesado. Acabara de ser presenteado com um “pacote de fé” por uma pessoa moribunda. E assim, refletindo, fui me dirigindo ao estacionamento para embarcar no meu carro; para me dirigir para casa.

Caminhei devagar. Eu não queria chegar. O movimento na rua e na calçada era normal e ininterrupto. Há pouco eu estava ao lado de uma pessoa prestes a deixar esta vida e ali, na calçada, era justamente a vida que pulsava. Não, nenhum dos transeuntes ou motoristas estava pensando na dor, no sofrimento ou na morte. As “primeiras coisas”, aquilo que passa e que se consome faz com que os indivíduos se ocupem ativamente até o fim das suas vidas. Será que no último dia das suas existências elas também poderão falar e comentar a respeito do “seu lar”?...

Paguei o ticket do estacionamento. Dirigi-me para o local onde tinha estacionado o carro da paróquia. Meu rosto se espelhou na janela de vidro fumê e me devolveu a pergunta: - Será que eu, no meu último dia, saberei desejar o “meu eterno lar”? Sentei no assento. Segurei o volante com as mãos. Baixei a cabeça. Fechei os olhos e meditei durante alguns instantes. Sim, eu sei orar. Eu sei o que pedir. Eu sei onde eu posso chegar... Amém!

16.11.09

Advento - Vem visita aí!



Hoje, na Alemanha, a Coroa de Advento está dentro de Igrejas, de escolas e até de residências particulares. É impossível se imaginar os festejos de Advento sem a presença da referida e suas quatro velas queimando durante os 24 dias. Pois andei pesquisando a respeito. A Coroa de Advento não é antiga. Ela foi concebida em Hamburgo, há mais de cem anos. Havia muitas crianças órfãs naquela cidade portuária. Meninas e meninos sem teto que perambulavam pelas ruas pedindo esmolas. Conhecemos este “filme”.

As coisas não precisam ser sempre assim. Um pastor evangélico luterano morava naquela cidade. Seu coração pulsava por aquelas meninas e por aqueles meninos “sem eira nem beira”. Mexe daqui, puxa dali, ele construiu uma enorme casa onde passou a abrigar o máximo possível de crianças de rua. Naquela casa o povo miúdo tinha espaço para dormir e fazer suas refeições. Mais do que isso: tinha a chance de aprender uma profissão. Muitos saíram dali formados como sapateiros, desenhistas, costureiras e até jardineiros. A idéia era que, assim, não precisariam mais perambular pelas ruas pedindo esmolas, uma vez que juntavam seus próprios dinheiros a partir do suor do seu rosto.

Foi assim que, em 1833, nasceu a “Rauhes Haus” (Casa Rústica). O pastor visionário chamava-se Johann Heinrich Wichern (*1808 +1881). Todo ano ele celebrava o tempo de Advento com meditações, cânticos e reflexões que enfocavam este tempo bonito que antecede o Natal. Para contextualizar aqueles momentos o pastor Wichern pendurou uma roda velha, dessas que ainda hoje se vê em carroças, no teto na “Casa” que dirigia. No primeiro domingo de Advento colocou a primeira grande vela a queimar sobre a roda. Depois, nos seis dias seguintes, seis velas pequenas. Daí, no segundo domingo de Advento, novamente a segunda vela grande... Um dia antes do Natal queimavam 24 velas na referida roda.

Corria o ano de 1840. As meninas e os meninos que moravam naquele abrigo gostavam muito daqueles encontros. A roda ia iluminando mais e mais a sala, a medida que o Natal se aproximava. Cada vela tinha o seu significado. Foram eles, as meninas e os meninos, que “batizaram” aquele tempo de “Meditação das Velas”. Passaram-se dois anos e aquela pequena Comunidade decidiu enfeitar a roda iluminada com ramos de pinheiro (sinal de vida). Foi assim que nasceu a primeira Coroa de Advento dentro da Igreja Luterana.

Muitas pessoas que visitavam a “Rauhes Haus” achavam aquele símbolo muito significativo. Como nas suas moradias particulares não havia muito espaço para uma Coroa de Advento com 24 velas, optaram por uma menor com quatro, uma para cada domingo. Viva o Advento, esse tempo no qual nos preparamos para receber a visita que vem: Jesus Cristo!

11.11.09

Lá vem o dia!


As pessoas dos tempos do Antigo Testamento só podiam chegar perto de Deus a partir da mediação de um sacerdote. A função do pastor era construir pontes entre Deus e as pessoas. Hoje não estamos mais amarrados em formas cerimoniais ou cidades santas para termos acesso a Deus uma vez que a fé em Jesus Cristo nos dá acesso direto e irrestrito ao Criador. Aqui proponho a leitura de Hebreus 10.19-25...

19. Por isso, irmãos, por causa da morte de Jesus na cruz nós temos completa liberdade de entrar no Lugar Santíssimo. 20. Por meio da cortina, isto é, por meio do seu próprio corpo, ele nos abriu um caminho novo e vivo. 21. Nós temos um Grande Sacerdote para dirigir a casa de Deus. 22. Portanto, cheguemos perto de Deus com um coração sincero e uma fé firme, com a consciência limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura. 23. Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. 24. Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. 25. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando.

É de manhã quando o galo canta. Se porventura ele não cantar, ainda não amanheceu ou aconteceu alguma coisa com o tal galo. Carrego a impressão que algo não vai bem com os “galos e com as galinhas” que vivem no “galinheiro” do meu vizinho. Aquelas aves desaprenderam a perceber a manhã que se aproxima. Elas não saem, alegres, pela portinha do seu pequeno “templo”. Elas não voam de puleiro em puleiro para deixar claro que amanheceu; para acordar-nos e deixar claro que o dia está chegando. A maioria dos galos e das galinhas do meu vizinho fica empoleirada, dormindo, quando é de manhã. As aves do meu vizinho nem se apercebem que o sol já vem dominando a escuridão com sua força quente.

Há alguns galos e algumas galinhas que moram ali no galinheiro perto da minha casa se acordam pela manhã. Mas, ao invés de fazerem algazarra, ocupam-se com a limpeza de suas penas. Para que fazer alarde? Os canários, as rolinhas, as saracuras ali da vizinhança já receberam o dia de braços abertos. E assim, desmotivadas, sem perspectivas, continuam ocupadas consigo mesmos, com suas penas.

Opa, mas também tem alguns galos e algumas galinhas dentro do mesmo galinheiro que percebem muito bem o tempo em que estão vivendo, se é noite ou se é dia. Quando chega a noitinha, observo-as lutando, se bicando pelos melhores lugares no puleiro. Quem entende alguma coisa de galos e de galinhas sabe que este comportamento só acontece na entrada da noite, quando se deseja um bom lugar para dormir, para descansar. Quando no galinheiro se ouve cacarejos, barulho de asas voando é porque veio a noite. Todo colono, ex-colono sabe disso e se deita para descansar sem se preocupar. Ele, o colono, não pode fazer muita coisa.

Puxo esta história do galinheiro do meu vizinho para dentro da nossa Paróquia São Mateus. Quem de nós dorme sono solto não poderá acordar as outras irmãs e os outros irmãos e, por tabela, perderá a visão, a experiência do amanhecer. A cristandade gosta por demais de fomentar briguinhas entre si. Podem ter certeza que estes pequenos desacertos, estes barulhinhos, não vão acordar o mundo. Ele, o mundo, só se diverte com estas briguinhas e depois, bem, deixa prá lá. Gente querida! Não é nossa tarefa dormir ou ficar brigando, de beicinho caído. Jesus Cristo quer que anunciemos o seu dia – o dia em que tudo ficará novamente claro no nosso mundo.

3.11.09

Colunas Retas!


Um jovem senhor achou dinheiro na rua. Depois disso, não tirou mais os olhos da calçada. Sempre esperava encontrar mais alguma coisa. Após sete anos, acumulou 29.516 botões, 54.712 alfinetes, 12 moedinhas, uma coluna curvada e uma disposição miserável. Enquanto seus olhos estavam fixos na calçada, perdeu a glória da luz do sol, a beleza das estrelas, o sorriso dos amigos e a alegria de olhar para o alto. Sempre é assim que as riquezas, os prazeres e os padrões deste mundo nos atraem de tal modo que podemos perder o verdadeiro senso de valores. Só após sete anos o homem percebeu que as moedinhas, os botões e os alfinetes não compensavam a atenção, o zelo e o trabalho que lhe custaram.

É triste, mas só na hora da morte que a grande maioria de nós descobrirá que as coisas pelas quais gastamos nossa vida, não têm o menor proveito. Colunas espirituais curvadas impossibilitam o elevar dos nossos olhos a Deus. Quanta gente com os olhos fixos no chão, porque não aprenderam a olhar para o alto. Talvez até estejam angustiados com a sua situação espiritual e reconheçam os seus pecados. Olham o mundo com realismo; vêem a transitoriedade das coisas, a aflição, a doença, a morte e o confronto iminente com a eternidade. Talvez até baixem a cabeça e, com o apóstolo Paulo, reconheçam-se “desventurados” para, logo depois, indagar: - “Quem me livrará do corpo desta morte”? (Romanos 7.24)

Alegria! Existe um gracioso convite para este momento que estamos vivendo: - “Erguei as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima”. (Lucas 21.28) Levante, pois, os seus olhos aos céus para não perder toda a alegria que a vinda de Cristo nos reserva. Neste momento, levantar os olhos ao céu significa ter Cristo como centro da vida; implica em investir na eternidade; é ter olhos para ver motivo para alegria, mesmo quando tudo é tristeza; diz respeito a ter certeza de vida, mesmo diante da realidade da morte.

Que tal pararmos de catar moedinhas, botões e alfinetes. É tempo de levantarmos os nossos olhos, de agarrarmos o tesouro incorruptível que o Pai Celestial nos alcança desde os céus!...

26.10.09

Hoje é dia!


Por que sempre guardar os pés dentro do “cofre” de couro ou plástico,
enquanto circulamos pelo mundo de Deus?
É primavera! Amanhã, depois do verão, já será o outono,
tempo de buscar pelo abono,
de lutar para ser o dono e, quem sabe, até sofrer abandono...
Hoje é dia de conversão, de comunhão, de participação,
do partir do pão, do sim, nunca do não.
Sim! Já passa da hora: sermos pessoas normais, caminharmos descalços,
desnudarmo-nos diante do nosso Deus
a partir da confissão que nos presenteia perdão.

23.10.09

Lolita!


A onda sempre quebra na praia.
Outro dia vi você, bonita,
Enredada em algodão cambraia.
Imagem deslumbrante, lolita.
Refleti, hesitei e parei na raia.

Sensibilidade!


Na Bíblia o “” é citado 90 vezes. A “sola” do pé é lembrada 11 vezes e as “pegadas” que os pés deixam onde passam, oito vezes. Inicio a prédica para este Culto citando uma frase do poeta Jorge Luis Borges que, na oportunidade, tinha 85 anos: “...Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera, e continuaria assim até o fim do outono...”

Estamos na primavera. A natureza nos convida a viver, a participarmos deste momento perfumado. É tempo de viver. Tire o casaco. Tire os sapatos. O meu pé, o teu pé, os nossos pés parecem ter se acostumado tão bem com a “jaula de couro” onde os aprisionamos, não é verdade? Tentem re-experimentar a liberdade que experimentávamos quando crianças. Tu e eu, nós nascemos com a perspectiva de andarmos descalços. Quem ousar repetir esta experiência perceberá que ela é muito saudável.

Pisar a pedra, o gramado... O tato dos pés nos ajuda a melhor ver e entender o mundo que nos rodeia. Por que sempre guardar os pés dentro do “cofre” de couro ou plástico, enquanto circulamos pelo mundo de Deus? É primavera! Amanhã, depois do verão, já será o outono, tempo de buscar abono, de lutar para ser o dono e, quem sabe, até sofrer abandono... Hoje é dia de conversão. Dia de comunhão, participação, do partir do pão, do sim, nunca do não. Hoje é dia de usufruirmos a oportunidade de sermos pessoas normais, de caminharmos descalços, de desnudarmo-nos diante do nosso Deus a partir da confissão que nos presenteia o perdão.

Outro dia, pé-descalço, fui varrer a calçada da casa onde moro na Rua dos Palmitos, 501. De repente, um ruído muito forte. Era um menino, orgulhosamente “montado” num carro de plástico movido a motor. Será que aquele garoto já teve a oportunidade de andar pé-descalço? Será que no futuro ele também só vai ocupar seus pés no orquestramento de pedais de freio e ou de embreagem? Será que daqui alguns anos as nossas calças já não virão acopladas de sapatos hermeticamente fechados? Eu sonho que a criança da minha rua experimente, tal como eu experimentei, o privilégio de tocar seus pés no chão, de jogar bola na grama, de pisar na terra e isso, pé-descalça. Ande pé-descalço. Abra tua guarda diante de Deus. Busque-O sem esquemas pré-articulados de proteção. Desenvolve tua sensibilidade. Sai de dentro de ti.

Muitas pessoas sentem-se mais próximas de Deus quando tiram os calçados. Na Bíblia, andar pé-descalço é sinal de penitência, de arrependimento, de humildade e de reflexão. Em Êxodo 3.4-5 se lê: “Moisés! Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.” Em Josué 5.15 esse assunto se repete: “Josué! Descalça as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo.”

Você já experimentou caminhar descalço no templo da Igreja que congrega? Na capela dos estudantes universitários com os quais comunguei há três anos só se podia entrar pé-descalço. Foi lá que ouvi o testemunho de uma colega: “Eu amo andar pé-descalça dentro do templo, entrar em contato com o piso. Para mim esses momentos são de grande espiritualidade. Eu necessito de um contrapeso que me equilibre, enquanto trabalho com palavras, com textos. O Culto Evangélico é muito concentrado na Palavra.”

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera, e continuaria assim até o fim do outono...” Hoje é primavera, vocês têm 15, 25, 30 anos ou mais. O verão vem aí e amanhã já será outono. Vocês experimentarão 65, 85 anos de vida, mais ou menos. Sintam a vida hoje. Vivam a vida hoje. Não percam a vida hoje. Tirem os sapatos e circulem pés-descalços, bem devagar, lá no templo onde assistem os Cultos. Sintam a pedra ou o assoalho frio debaixo da sola dos pés. Caminhem sobre o tapete. Sentem nos bancos. Observem a cruz, as flores, a arquitetura, os paramentos. Percebam quantas mensagens silenciosas, prontas para serem ouvidas, percebidas somente pelos teus ouvidos, pelos teus olhos. Ouçam o que os teus pés “dizem” a respeito da experiência de andar sem sapatos. Digam sim para a vida, para Jesus Cristo, para o Espírito Santo, para Deus!

21.10.09

Gottfried Brakemeier!


Logo que o P. Dr. Gottfried Brakemeier acabou de proferir sua palestra sobre o tema “Vocação” vieram os demorados aplausos. O auditório do Clube Concórdia de Curitiba foi testemunha da alegria dos 500 obreiros e obreiras da IECLB que, animados, sorriam, se abraçavam, olhavam para frente com seus olhos tingidos do brilho da esperança. Pois foi sentado numa das cadeiras estofadas do grande salão que o querido professor, sempre alinhado, me concedeu esta bela entrevista...

O Caminho: O senhor é dono de uma longa trajetória no ministério da Igreja. Deixou-nos claro que a “vocação” é condição essencial do ministério eclesiástico. Fale-nos mais a respeito...

Dr. Brakemeier: Um obreiro e ou uma obreira que atuam no ministério eclesiástico sem vocação assemelham-se a funcionários religiosos, nada mais do que isso. A Igreja de Jesus Cristo não pode conformar-se com tal concepção. Ela, a Igreja, reserva aos trabalhadores na seara do Senhor um papel bem mais honroso. Como obreiros e obreiras da IECLB nos cabe identificar-nos dia-a-dia com a vocação que, sempre de novo, precisa ser redefinida diante dos desafios de uma sociedade em transformação. Nunca entendamos a vocação como um diploma que, emoldurado, encontra seu lugar entre as lembranças do passado. Vocação é assunto de profundas dimensões existenciais.

O Caminho: Qual seria a diferença entre vocação e profissão?

Dr. Brakemeier: Se o ministério eclesiástico for uma questão de vocação somente, ele ficará reservado a uma categoria especial de pessoas: as "vocacionadas". Ora, isso seria uma boa desculpa para não abraçá-la. Por outro lado, se o ministério for entendido como uma profissão entre outras, basta adquirir as respectivas competências e buscar emprego junto a entidades religiosas. Eu creio que não estamos diante de uma alternativa. Defendo a tese que o ministério eclesiástico, a um só tempo, é vocação e profissão.

O Caminho: Por favor, desdobre um pouco mais essa questão...

Dr. Brakemeier: A palavra "vocação" provém do latim "vocare" que significa "chamar", "convidar", "atrair". Vocação é essencialmente sinônimo de convite. Aproxima-se do sentido de "convocação". Já "profissão" é entendida como "atividade ou ocupação especializada". Profissão é "oficio", é atividade específica. Uma pessoa profissional "professa" alguma coisa. Identifica-se com sua atividade. Aqui penso em padeiros, engenheiros, psicólogas, por exemplo. Quer dizer, há diferença entre profissão e vocação, mas também não há como separar uma da outra.

O Caminho: A vocação é um privilégio das pessoas que optam pelo ministério eclesiástico?

Dr. Brakemeier: Não! O chamado de Deus se dirige à humanidade em seu todo. Deus não só reveste sua criatura humana de singular dignidade, como também a destina a ser sua parceira. O ser humano foi criado para, em responsabilidade perante Deus e em gratidão a ele, usufruir os maravilhosos dons divinos e cuidar da criação. Portanto, ele não se encontra jogado no mundo à toa nem resulta de enigmático acaso. Ele está ai por vontade divina, incumbido de cumprir um mandato. Se a humanidade perdeu a noção de sua razão de ser, de sua destinação, do sentido das coisas, é porque se esqueceu de sua vocação.

O Caminho: O sr. está afirmando que a vocação se estende a todas as pessoas cristãs e não só às ministras e ministros da Igreja?

Dr. Brakemeier: Martim Lutero já explicitou que “ser cristão é viver a sua vocação.” Nós podemos servir a Deus onde quer que estejamos. É em sua profissão que o cristão deve glorificar a Deus e servir ao próximo. O exercício da profissão é culto a Deus no cotidiano. Sob tal perspectiva o trabalho deixa de ser algo vergonhoso, reservado a escravos, para se tornar um meio privilegiado de servir. Na concepção de Lutero importa que moldemos a nossa vida a partir da vocação, seja no trabalho ou no lazer, seja em particular ou na família, seja na Igreja ou na sociedade. Digo de outra forma: Somos chamados a nos portar como cristãos em todas as circunstâncias da vida.

O Caminho: Então quer dizer que Deus nos chama para serviços diferentes, sempre em conformidade com as nossas capacidades e para as necessidades que se apresentam...

Dr. Brakemeier: Sim! Numa Comunidade nem todos podem fazer o mesmo. Há distribuição de dons e variedade de afazeres. A uniformidade de serviços seria mortal. O mesmo se aplica à saúde do corpo social. Ela repousa sobre o fundamento da "biodiversidade". O chamado ao serviço é sempre multiforme. O Espírito sopra onde quer e desperta gente para o trabalho na “lavoura de Deus” conforme lhe agrada. Ao lado dos serviços espontâneos, porém, existem os serviços estruturados. Neste caso falamos em "ministérios". A Igreja convoca pessoas consideradas habilitadas para o cumprimento de determinadas atribuições em caráter permanente ou, pelo menos, temporário. O ministério eclesiástico foi implantado pelo próprio Deus em sua Igreja. Quer dizer, o ministério que divulga o Evangelho e se encarrega da boa ministração dos sacramentos é imprescindível. Sem ele a Igreja sucumbe.

O Caminho: Explique isso melhor professor... Se Deus implantou o ministério eclesiástico então ele é especial e nem todos podem exercê-lo... É Isso?

Dr. Brakemeier: Como luteranos entendemos a vocação especial para o serviço como integrada na vocação geral de todas as pessoas. O estado de clérigo é igual ao do cristão comum. Ministério sempre tem natureza "diaconal". Todos são chamados a atender o chamado geral de Deus à humanidade e isso não muda o de status de ninguém. Observem que o chamado ao ministério acontece por mediação da instituição eclesiástica. É ela que chama, prepara, instala, cuida de obreiros e obreiras. O exercício "público" do ministério, pois, pressupõe uma vocação "legitima", isto é uma vocação de acordo com a "lei", as ordens, num rito correspondente. É da ordenação que depende a autorização para o ensino público na Igreja. É claro que todo testemunho cristão deva ser "público". Ele não pode permanecer na clandestinidade da esfera privada. Os "ministros” e as “ministras" devem estar habilitados a falar não somente em seu próprio nome, e, sim, em nome da Igreja. "Ensino público" na Igreja é discurso do qual publicamente se exige prestação de contas. As qualificações exigidas para o ministério podem ser resumidas em basicamente três: a) Competência teológica - Quem exerce um ministério na Igreja deve ser capaz da avaliação criteriosa das propostas em curso no mercado religioso. Espera-se das pessoas juízo teológico, posicionamentos próprios, zelo com respeito à confessionalidade da Igreja. b) Competência missionária - Ministros e ministras na Igreja são "propagandistas" de Jesus Cristo. Para tanto necessitam de facilidade na comunicação, no diálogo e na representação. Quem tem medo do público e prefere ficar em casa em lugar de procurar as pessoas, tem o seu ministério prejudicado. c) Competência administrativa - Esta não se refere apenas ao trabalho de secretaria que também na Igreja não pode faltar. Mais importante é saber administrar diversidade, conduzir a comunidade, trabalhar conflitos. Comunidade é sempre um fenômeno plural, cuja administração exige sabedoria.

O Caminho: Então o ministério eclesiástico não deixa de ser uma profissão...

Dr. Brakemeier: Certo! O exercício eclesiástico necessita de alto grau de "profissionalismo". Incompetência pode causar terríveis estragos, razão para não negligenciar a formação profissional dos obreiros. Mero profissionalismo é insuficiente para o exercício condigno do ministério. Claro que os servidores eclesiásticos também deverão ter garantidos os seus direitos. As comunidades têm o dever de cuidar da subsistência dos mesmos. Ainda assim a luta de classe e o sindicalismo são avessos à natureza da Igreja. As comunidades não são "patrões", representantes do "capital", empresas religiosas, das quais o "trabalho", a mão de obra, os empregados devessem arrancar sua participação nos lucros. A vocação comum da comunidade e dos obreiros o impede. Se faltar a vocação, o trabalho sofre danos. De qualquer maneira, o ministério eclesiástico é impensável sem vocação.

O Caminho: Qual seria a atribuição de de uma pessoa que exerça o ministério especial?

Dr. Brakemeier: Quero frisar que a tarefa de promover a causa de Deus neste mundo cabe tanto a membros leigos como aos membros que assumiram o compromisso espacial. No entanto, quem foi chamado para o ministério eclesiástico desempenha essa vocação em caráter oficial e, na maioria das vezes, em regime de dedicação integral. Estamos profissionalmente a serviço do reino de Deus, cooperando em sua obra. Nossa atribuição consiste em edificar comunidade, ensaiar o discipulado, denunciar a injustiça, reconciliar inimigos, capacitar para a paz, evangelizar o povo, chamar a fé, habilitar ao amor, mostrar sentido, construir esperança. Ora, a causa de Deus costuma enfrentar obstáculos, resistência ou desinteresse. O evangelho não tem procura garantida e os produtos oferecidos no mercado religioso podem servir antes a ídolos do que a Deus.

O Caminho: Quer dizer que o Evangelho de Deus pode trazer dificuldades para aqueles que com ele se ocupam...

Dr. Brakemeier: Quando os frutos demoram a aparecer, temos a tendência de pensar que a nossa pregação parece não atingir as pessoas. Sentimos o cansaço, o desânimo e a rotina nos ameaça. A fé precisa ser alimentada, re-apropriada, reaprendida. Todos os questionamentos à fé provêm de fora. Está renascendo um novo ateísmo na sociedade atual. Deus, quem ainda se interessa por ele? E se as comunidades encolhem e os membros debandam para se associar aos sem-religião? Isto significa que não basta recuperar a fé para nós mesmos. É preciso partir para a ofensiva e desafiar as pessoas com o evangelho. A fé, embora não possua provas de sua verdade, tem bons argumentos a seu favor. Importa defender a fé frente aos ataques que sofre. De qualquer maneira, sem fé abalizada o exercício do ministério eclesiástico se inviabiliza. Estamos casados com a fé. E se este matrimônio vai mal, perdemos a credibilidade. Ai de nós, se a fé sumir. Nosso discurso inevitavelmente vai tornar-se hipócrita. Faz parte de nossas atribuições a permanente reafirmação da fé frente a tudo o que parece desmenti-la. E não só isto. Cumpre-nos a arte do "discernimento dos espíritos". Aqui penso não somente nas nossas igrejas irmãs, penso em termos gerais nas exuberantes ofertas do mercado religioso. No pluralismo de nossos dias, quem fornece critérios orientadores capazes de selecionar o trigo da palha? Nosso campo de trabalho é a fé. Mas este campo é disputado e se apresenta confuso, caótico, estonteante. Nós estamos casados não com uma fé qualquer, e, sim, com a Fé cristã, evangélica, de confissão luterana. Estamos comprometidos com esta Igreja que se chama IECLB. Foi através dela que Deus nos chamou. Espera-se de ministro e ministra da IECLB que saiba justificar por que vale a pena ser membro justamente desta Igreja.

O Caminho: O Sr. está nos incitando a uma espécie de "batalha espiritual"?

Dr. Brakemeier: Nada disso! Somos chamados a procurar a afinidades dos credos religiosos em sentido micro e macro-ecumênico, sempre no esforço por construir a paz. Repudiamos a perseguição aos dissidentes. Não foi este o jeito de Jesus no trato do diferente. O mandamento do amor ao inimigo desautoriza qualquer violência em nome da religião. Mas isto não significa permissão para o "vale tudo" no mercado religioso. Obreiros e obreiras ordenadas devem às pessoas orientação em assuntos de fé. É assim que numa "religião de livre mercado" a tradição perde força. Ela já não mais segura as pessoas nos trilhos da fé tradicional. Verdade é que a comunidade cristã jamais tem sido algo dado. Sempre foi algo a construir. Mas o imperativo missionário se coloca hoje com particular insistência. Os entraves que a IECLB encontra nesse tocante merecem cuidadoso exame e disposição para ensaios reformadores. Embora missão seja tarefa decorrente da vocação geral das pessoas e mandato de todo o povo de Deus, cabe ao "ministério com ordenação" especial responsabilidade. Não basta "pastorear" o rebanho, catequizar os batizados, manter centros sociais e obras diaconais. Sem desprezar tudo isto, importa reconhecer que voltamos à estaca inicial da missão de Jesus. A IECLB não é apenas uma instituição, ela é um projeto que necessita de "simpatizantes", ou seja, de gente que se solidariza com ela na busca do reino de Deus e de sua justiça. No século 21 o ministério eclesiástico requer redefinições.

O Caminho: O sr. está apontando para dificuldades?

Dr. Brakemeier: Não! estou falando de chances, oportunidades, promessas. Vejam como é magnífica a vocação que Deus nos reservou. Por acaso, existe algo mais importante, mais relevante, mais empolgante do que o tema da fé? E é esta a nossa especialidade. A sociedade moderna esconde a fé. Considera-a um assunto privado, sobre o qual não se fala, abrindo assim as portas para chantagens e abusos da credulidade dos não avisados. É perigoso deixar a fé ao bel-prazer de cada qual, conforme o gosto e a preferência individual. Isto uma vez porque não funciona. Fé solta e presa fácil de manipulação pela mídia, pelos demagogos e charlatães. Todos querem fazer a nossa cabeça, querem nos fazer crer em alguma coisa. Pois embora não se admita, é evidente - e este é o segundo argumento para não deixar a fé surfando livre no espaço - que fé é o maior poder da história. Todas as pessoas, enquanto não forçadas, agem de acordo com as suas convicções. Fé determina a ação, é a diretriz da conduta, conduz à biografia de indivíduos e nações. Não nos iludamos: Todo mundo tem os seus credos, inclusive os ateus. A pergunta não é: se as pessoas crêem, mas o que elas crêem.

O Caminho: O Sr. afirma que somos agentes da fé no trino Deus, da fé que tem a promessa de vencer as adversidades do mundo, de curar debilidades e de abrir futuro. No seu entender, existe serviço mais relevante do que este?

Dr. Brakemeier: A pior ameaça a este mundo, a pior crise do momento é a crise da fé à qual deve ser atribuída a maioria das demais crises que nos assolam. A derrocada da ética, a idolatria do mercado, o apego ao poder a qualquer preço, a violência que prolifera em toda a parte, tudo isto de alguma forma tem sua raiz numa fé desorientada, enferma, perversa. Certamente não dispomos de receita pronta para sanar as patologias deste mundo. É Deus quem salva. Nossa vocação é mais modesta e, no entanto, altamente salutar. Cabe-nos apontar para a fonte da qual jorra a vida. Sabemos de um endereço a que nos dirigir nas angústias produzidas por pecado, dor e morte. Mais não podemos fazer. E, no entanto, isto é fundamental. Tal trabalho, eu o arrisco dizer, é não só vital como também gratificante. Pois não é de fardo que consiste o exercício do ministério eclesiástico. Quem ainda não experimentou a alegria que ele é capaz de proporcionar? Há pessoas muito gratas pelo conforto da Palavra de Deus, pela solidariedade na hora da tristeza, pela força do evangelho. E quem sabe, às vezes enxergamos também um pouco da bênção que Deus derrama sobre o trabalho de seus servos e suas servas fiéis.

O Caminho: O Sr. tem a chance de dizer uma última palavra aos leitores e às leitoras de O Caminho...

Dr. Brakemeier: Eu reafirmo que que, muito à semelhança do que acontece com o corpo humano, também a fé necessita do pão de cada dia. Ela precisa ser alimentada. Isto acontece através de oração e meditação, ou seja, através da vivência de espiritualidade evangélica. Nossas energias vêm de "cima", pelo poder do Espírito Santo, pela Palavra de Deus. Não menos importante é a reflexão teológica. A fé busca o entendimento. Ela quer munir-se do argumento, equipar-se para o testemunho. Para tanto é importante o dialogo, a discussão e o estudo conjunto de temas e problemas. Além disto, é óbvio que a equipação da fé exige a leitura. Insisto muito na formação continua, individual ou grupal, dos trabalhadores na seara do Senhor. A boa teologia sempre tem sido um distintivo de Igreja luterana. São muitas as razões para não enterrar este talento. Vocação ao ministério é simultaneamente um dom e um mandato. Importa não desprezar o compromisso nele inerente.

20.10.09

Ovelhas VIP


Muitas pessoas entram em crise, depois dos 40. Planejaram tudo tão bem e, de repente, percebem que alguns dos seus sonhados alvos não foram e nem serão mais alcançados. Fazer o quê? Que tal pedir ajuda a Deus, em oração, nessa hora?

Em Gênesis 12 pode-se entender que Abraão estava com a vida ganha. Ele conhecia os vizinhos pelo nome, acordava pela manhã e, depois do café, dava uma olhada no rebanho e, quando a fome batia, sentava-se para almoçar. Só uma coisa não estava legal: faltava-lhe um filho. Pois foi justamente nesse momento difícil da sua vida que ele ouviu a voz de Deus e, assim, resolveu os seus assuntos.

Pessoas que ouvem a Deus sempre acabam tomando bons rumos na vida. Jesus, certa vez, dirigiu-se aos seus discípulos e por tabela a toda cristandade, quando disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz" (João 10.27).

Outro dia perguntei a um estudante se ele já tinha ouvido a voz de Deus. A resposta veio rápida: "Quem sou eu para ouvir Sua voz? Sou uma criatura insignificante, nada mais do que isso...". Fiquei pensando... Para Jesus não existem "ovelhas VIP" (Very Important Person = pessoa muito importante) que ouvem sua voz. Para ele, "todas as suas ovelhas ouvem a sua voz".

Quando no meio de uma semana intensa de trabalho me vem o pensamento: "Eh, companheiro! Tu bem que poderias escrever um e-mail para a pessoa X ou até, quem sabe, fazer-lhe uma visita". Sinto-me usado por Deus quando reajo positivamente a uma idéia dessas. Isso mesmo! Sou um daqueles que ouve a voz de Deus desse jeito. Se porventura pensamentos radicais me vêm à cabeça, reparto-os com irmãs e irmãos na fé. Eles sempre têm uma boa palavra para mim. A comunhão é excelente para indicar bons denominadores comuns.

19.10.09

Convenção Nacional de Obreiras e Obreiros da IECLB!


Saímos “faceiros” de casa no dia 13 de outubro de 2009. Nosso destino? Curitiba, Paraná, sim senhor! Estávamos afoitos. Nunca na história desta IECLB (parafraseando o atual presidente do Brasil) se reuniram tantas obreiras e obreiros para ter comunhão; para repartir sobre sua vida familiar e vocacional.

Já na chegada, os abraços. Quantos abraços. Inúmeros abraços. Todos os dias, abraços, boas palavras e sorrisos, nada de brigas, discussões. Aqui se falava de lembranças. Lá se ouvia de perspectivas. Acolá se apreendia conteúdos e o tempo foi passando, ligeiro, fagueiro...

Nossos ex-professores Gottfried Brakemeier e Wilfried Buchweitz ladeados pela colega Anelise Lengler Abentroth e pelo colega Nelso Weingärtner mais as psicólogas Roseli Künrich de Oliveira e Dorothea Wulfhorst nos fizeram pensar, refletir, meditar, reavaliar, tomar posições, olhar pro horizonte, alegrar-se com o novo momento que se avizinhava. Eu não queria que aquilo tudo acabasse.

Quase no finalzinho de tudo, fui emocionado por uma das organizadoras curitibanas. De microfone em punho ela disse: - Nós somos suas ovelhas. Continuem trabalhando. Precisamos da palavra que vocês proferem. Carecemos do seu cuidado. Confesso que não aguentei e chorei. Hoje estou em casa escrevendo, animado. Obrigado Senhor por este chamado!

Ser amigo!


Quem caminhar com os olhos abertos logo perceberá que existe um grande número de pessoas que precisam ser ajudadas. Em Marcos 2.3 se lê que quatro amigos carregaram um paralítico para perto de Jesus. Uma boa história.

É assim que, muitas vezes, não cruzamos apenas com pessoas portadoras de deficiência física. Hoje o número de pessoas com deficiência psíquica é bem maior que no passado recente. O desemprego, as doenças, o luto e o isolamento são momentos que podem fazer com que uma pessoa se torne deficiente. Daí a importância de se ter amigos, amigos dispostos a também caminhar conosco por caminhos não tão cômodos.

O amor busca novos caminhos. Ele sempre faz mais do que se espera que ele faça. Os quatro amigos do homem do texto escrito pelo evangelista Marcos trilharam por caminho pedregoso, uma vez que não tinham o caminho livre para chegar a Jesus. Fazer o quê? Baixar o amigo pelo telhado – era o único jeito. Certamente ouviram conselhos do tipo: - Olha! Nestes casos a gente precisa entrar pela porta, sempre se entra pela porta, nunca pelo telhado. Ou ainda: O que é que o dono da casa vai dizer dessa nossa idéia? E se alguém se ferir? O que é que Jesus vai pensar dessa atitude?

Tais pensamentos também visitam nossas cabeças quando membros da nossa Comunidade ousam querer caminhar caminhos diferentes para trazer pessoas a Jesus Cristo. Estamos meditando sobre quatro pessoas dispostas a caminhar um novo caminho com o objetivo de levarem o seu amigo a Jesus. Aqui também nós somos perguntados: - Jesus ainda deseja que levemos pessoas a Ele? Temos interesse de fazer isso? Será que hoje nós ainda conseguimos ser amigos das pessoas que nos circundam?

Às vezes somos nós que estamos no fim das nossas forças, precisando de auxílio. As preocupações e os medos da vida nos põem no chão e isso já pela manhã. Coisa boa quando podemos confiar em amigos, amigos que não andam somente caminhos fácies de ser andados, mas que, se preciso for, também enfrentam intempéries para nos carregar; para nos aproximar de Jesus e nem que para isso tenham que andar jornadas estranhas aos olhos comuns. Não! O amor nunca é teoria. O amor é prático. Ainda hoje o amor encontra novos caminhos. Só precisamos caminhá-los em confiança na pessoa de Jesus Cristo.

5.10.09

Nosso querido pastor!

O nosso pastor era querido, tinha prestígio entre nós adolescentes. Foi apoiados nele que montamos um pequeno grupo de Juventude Evangélica. Foi ali que orando, louvando e lendo a Bíblia até ousamos articular pequenos projetos sociais; encarar a vida de frente. Na retaguarda, o nosso pastor. Um homem com palavras fortes que se comportava como se forte fosse.

Crescemos em número e em idéias. Agora uma diretoria era preciso. Nosso “mestre”, ao natural, passou a dirigir o processo da eleição. Quanta expectativa! Tinha chegado a hora de sistematizarmos o processo gerador de “momento novo”. Nosso pastor falava, gesticulava, impostava a voz. Estranho aquele comportamento.

Incrível! Nosso “líder” ditou os critérios da eleição. Nós queríamos tanto ter participado daquela “construção”. Ficamos estupefatos quando, de cima para baixo, fomos informados de que nosso “querido pastor” queria trabalhar somente com quem falasse a sua linguagem. A grande maioria de nós sentiu-se fora do “jogo”. Era como se todos os sonhos tivessem sido jogados dentro de uma barrica de água gelada.


E foi assim que perdemos a alegria de sermos os sujeitos de um “projeto de vida”. Sentimo-nos como que “marionetizados”. É triste, mas hoje, 40 anos depois, a História ainda permite que mulheres e homens sejam paridas, paridos para fazer valer propostas não inclusivas como aquela que minha turma e eu experimentamos.

1.10.09

Aporta!


Toda prisão tem uma porta.
Pergtuntei, procurei saída
E isso, durante toda a vida!

Faz pouco, vi a tal porta
que estava um tanto torta.
E daí? Ela muito me importa!

Sim, preciso me aprumar.
Vou ter que navegar...
Ouve o grito: - Aportaaa!

29.9.09

Corações de Carne!


A palavra que rege o mês de outubro de 2009 vem do profeta Ezequiel 11.19: “Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro neles; tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei coração de carne...

O povo de Israel estava com seus corações e mentes “endurecidas”. Ora, quem vive assim não vê horizontes; acaba tornando-se “empecilho” para o próximo. Deus mesmo acaba tendo poucas possibilidades de ajudar a quem não se abre para a vida. Crises e sofrimentos não se coadunam com a vida que Deus veio presentear. No entanto as perspectivas estão ai; as “coisas” podem mudar; novos caminhos podem se apresentam quando dizemos “não” à passividade. Sim! Deus veio nos implantar um “coração de carne”... Ufa!

A primeira batida do nosso “coração de carne” foi no útero da nossa mãe. Naquele dia, diariamente, ele começou a bombear 9.000 litros de sangue através das veias do nosso organismo (450 bambonas de 20 litros)... Nosso “coração de carne” faz esse serviço sem alarde.

A “pontada” no peito pode ser fruto de esforço exagerado e ou de emoção forte. A alegria e o amor podem fazer subir a nossa pressão arterial. É assim que o nosso coração reage de acordo com o que “rola” dentro de nós. No Antigo Testamento a palavra “coração” quase sempre tem a ver com a “vida”, com a “fonte” de onde brota a nossa vitalidade. Pois Deus quer alcançar o nosso coração. Portanto, importemo-nos com ele; façamos a dieta necessária; cuidemos com o estresse; abdiquemos do fumo; prestemos atenção nos alimentos gordurosos; apliquemos tempo na oração; participemos dos Cultos; amemo-nos; doemo-nos uns aos outros; exerçamos a solidariedade. Corações cuidados como se cuida de uma flor dificilmente “endurecem”, “esfriam”.

Pessoas que têm “coração de carne” sabem demonstrar sentimentos. Na Bíblia, o “coração” e a dor se afiam constantemente, enquanto se vive e se sofre; se ama e se briga; se chora e se dança. Sim! O coração é “um sentimento” que nos move interiormente; que nos impele; que nos desafia a agir. Ouçamos o nosso coração... Pautemo-nos por ele... Alegremo-nos de coração... Carreguemos o nosso coração não apenas no lado esquerdo do peito, mas Deus.

24.9.09

Acho que adormeci!


Dava gosto de sentar ao lado daquele pastor "avançado em dias". Outro dia eu estava passando e ele me convidou para tomarmos um cálice de vinho na sua varanda. Ele, sentado na cadeira de madeira centenária, sentia-se cômodo ali. Quando tirava o cachimbo da boca, os seus olhos verde-água que se confundiam com a fumaça de baunilha cheirosa e perdiam-se no horizonte. Eram os momentos que eu muito esperava. Sua voz calma emitia bons pensamentos.

Hoje, sentado debaixo da minha jabuticabeira, exercendo meu ócio, ainda recordo de algumas frases soltas daquele meu pai na fé: - Deus sabe tudo a respeito do que se passa na nossa vida. O verbo “conhecer”, na Bíblia tem o mesmo peso do verbo “amar”. Os nossos “atos de amor” espelham a natureza, a bondade e a simpatia de Deus aqui na terra. Uma pessoa cristã que não “serve”, deteriora o seu chamado; não alcança o alvo que Deus sonhou para ser alcançado por ela; não cresce para dentro da proposta de vida conquistada por Aquele que se fez escravo para presentear liberdade de fato...

Estou absorto. Os pássaros picam e repicam o mamão fresquinho direto da árvore. Estão felizes. Volto a lembrar das horas que passei com meu tutor: - Tens crescido para dentro do Reino de Deus? Tens feito mais “boas obras” nos últimos dias do que nos últimos tempos? Se em tua vida experimentares “amor crescente”, és o bom “sal” que encorpa o “chão”; que alimenta as “raízes” da tua fé.

O sol está quente. A primavera me acaricia e o tempo desliza ali bem do meu lado. Sou o “sal” da terra e a “luz” do mundo. Me engajei neste processo que visa o “plantio” de mais amor; de mais “luz” que espanta “escuridão”. Tento carregar a “cura” para dentro do mundo e, para tal, uso as mãos e o coração. Assumi o compromisso de ser “testemunha sadia” e por isso posso tentar converter desgraça em graça. Sim, me esforço para carregar as "cargas" dos outros; curar as feridas de quem está próximo.

Fecho os olhos. Concentro-me no barulho da natureza. Ouço pessoas chorando e os retalhos de mais um pensamento me vem à cabeça: - O mundo permanecerá “frio e nublado” se só te ocupas contigo mesmo; se não articulas testemunho. Veste as “cores” da verdade, da justiça, do direito e do amor. Vive a partir da clareza do teu coração. Percebe o irmão doente na beira do caminho. Não gasta muito do teu tempo refletindo sobre se o momento de tomar decisão é certo. Permite que o amor te leve. A “beleza e a luminosidade” do mundo dependem também de ti... Acho que adormeci!

17.9.09

Oziel Campos de Oliveira Jr.

O pessoal mais familiarizado com o ritmo da Paróquia São Mateus aqui de Joinville (SC) percebeu certa agitação nos momentos que antecederam a noite do dia 11 de setembro de 2009. Estávamos todos esperando pelas “palestras de edificação” que o pastor Oziel Campos de Oliveira Jr. viria repartir conosco.
Logo ficou evidente que estávamos diante de um homem abençoado por Deus. Oziel nos trouxe “boas notícias” de “grande alegria”, enquanto ia tocando seus assuntos nitidamente forjados sobre uma experiência saudável de 35 anos de pastorado na IECLB.

O que mais nos chamou a atenção foi a sua sensibilidade. Todos sabem que este pastor, pregador e grande compositor, tem dom para a música. Quando menino Oziel experimentou a doença da paralisia infantil. Este estado de doença sempre lhe limitou os movimentos, mas nunca as límpidas ideias.

Cantamos com o Oziel, sorrimos com o Oziel, refletimos com o Oziel, enfim, nos deixamos desafiar pelo Oziel que, alegre, nos trouxe bons impulsos para a caminhada cristã. Essa caminhada comprometida que Cristo nos sugere a partir da Comunidade.

Que Deus te abençoe no teu ministério junto às pessoas que buscam libertação das drogas, ó grande amigo. Estamos orando para que te vás bem, enquanto tocas o teu projeto de vida a partir da IECLB. Tuas novas músicas ainda soam nos nossos ouvidos. Obrigado pelo teu testemunho, pela explicitação da tua paixão pela missão no meio de nós, no meio dos outros.

8.9.09

Barro!


Toda vida lhe ofereci ouro
Mas, desconfiada,
Investiu tudo em barro.
O tempo se escoa e, de barro,
Permanece o seu tesouro.

7.9.09

Ah se não fosse a morte!


A morte sempre traz tristeza para quem fica. Ela vem de repente. Quando menos a gente a espera, ela bate à porta. Conheço algumas pessoas que sempre de novo suspiram: “Há se não fosse a morte!” Será que existe consolo para quem perde uma pessoa querida ou para as pessoas que ousam refletir sobre a sua própria morte?...

Desde o nosso nascimento, tu e eu caminhamos em direção ao abraço da morte. Nada, nenhum poder pode nos ajudar a fugir desse encontro que cedo ou tarde virá.

Certa vez Jesus se encontrou com um grupo de pessoas que se afastava da cidade em cortejo, rumo ao “campo santo”. Uma senhora que já tinha perdido o seu marido e que agora tinha que se despedir do seu filho chorava muito por causa da dor da separação.

Jesus viu aquela cena e parou o funeral. Encarou a mulher que sofria e disse-lhe: “Não chore!” Depois disso Ele ressuscitou o jovem dando mostras do Seu poder maior do que o poder da morte. Naquele exato momento o cortejo fúnebre se converteu em marcha de triunfo...

Este acontecimento bíblico nos oportuniza uma pré-compreensão daquilo que, um dia, as filhas e os filhos de Deus virão a experimentar: “a morte será tragada pela vitória para sempre.”

Hoje a morte ainda é realidade dura, incompreensível. Agora, pelo fato de Jesus ter morrido e ressuscitado, nós não precisamos mais caminhar por aí desconsolados. Sim, porque Jesus já nos concede a esperança de podermos olhar para as bênçãos que nos esperam lá bem além da realidade da morte.

5.9.09

Elisa Maria dos Santos


Outro dia contei 284 nomes de pessoas que, direta ou indiretamente, tiveram influência sobre mim. Aqui e agora me vem à mente a professora Elisa Maria dos Santos.

Tínhamos mudado de cidade. Em Tenente Portela (RS) eu cursara a primeira série do primário na Escola Evangélica Tobias Barreto. Agora, em Santa Cruz do Sul (RS), no segundo ano, eu dava tudo de mim no Grupo Escolar Professor José Wilke, onde o jeito de ensinar era extremamente diferente.

Eu não conseguia acompanhar o novo ritmo. Se antes eu escrevia uma redação, agora eu precisava escrever uma composição. O que seria uma “composição”? Eu também tinha vergonha dos novos colegas. Meu Deus! Como levantar o dedo e perguntar: Dona Elisa! O que é mesmo que eu preciso fazer?

Sim, eu estava “a beira do caminho”, sofrendo dor de menino tímido. Passaram-se algumas semanas e aquela “boa samaritana” veio ao encontro de minha mãe. Falou-lhe das minhas dificuldades. Se ofereceu para me dar aulas particulares. E foi assim que, durante dias, me deixei tutelar por aquela mulher que se debruçava sobre mim, enquanto um coração triste vazava pelos seus negros olhos.

Professora Elisa! Eu não sei se a senhora ainda vive. Quero lhe dizer que a compreendo como alguém que, na hora certa, por um determinado tempo, viu e se ocupou com um “próximo” que carecia de ajuda. Que foi por causa da sua atitude que eu pude seguir o meu caminho. Obrigado por ter me percebido.

30.8.09

Lilli Marie!

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
Schau mal was ein schönes Mädchen, Sie strahlt ja so viel,
É a Lilli Marie que já nos abraça
Unsere Lilli Marie umarmet uns schon
De colo em colo ensinando amar
Um Liebe uns lehren es ist wunderbar…

Hoje é o teu batizado e vais ser marcada
Heute wirst du getauft, wirst auch gekennzeichnet
Co´a cruz de Cristo, é a vida que pulsa
Mit Christus Kreuzes, das Leben ist da
E que te integra no Reino de Deus
Und integriert dich im Reich Gottes jetzt

Anne e Tobias
Anne und Tobias
Pais tem autoridade
Eltern haben Autorität
Que se resume em serviço
Die mit Arbeit zu tun hat
Inclinar-se é igual a doar-se
Sich bogen ist von sich geben
Isso é o que cabe a voçês
Das ist eure Aufgabe

Lilli Marie te levanta, te acorda pra vida
Lilli Marie steht auf, erwach dich fürs Leben
O mundo te espera de braços abertos
Die Welt kommt zu dir mit offenen Armen
E te desafia a viver o amor…
Und wartet dass du auch die Liebe lebst...

19.8.09

Retrato


Dia ensolarado e quente.
Eu na rua, no batente
E lá veio você,
Assim, bem de repente.
Linda, elegante, sempre evolvente
Rosto umedecido e corado
Retrato que, só, guardo extasiado.

11.8.09

Vladivostock


Estávamos hospedados num pequeno quarto. O pingo que pingava da velha torneira já escurecera o fundo da pia com seu pingar. Ouvi-o durante toda a madrugada. A manhã cinzenta contrastou com a euforia dos futuros amigos. O povo tinha viajado dois, três, cinco mil quilômetros para tomar parte no retiro anual promovido pelo amigo Brookmann. Pedia-se pressa para não perder o ônibus.

O café foi com ova de peixe. Falava-se russo à mesa. O casal de missionários americanos falava inglês. Trataríamos do tema “crendices” em alemão. O ônibus no qual viajamos não tinha marca e os seus 45 bancos estavam ocupados por pessoas sedentas da Palavra de Deus. No corredor iam os mantimentos e um cão educado. O retiro teria a duração de 17 dias. Já nós teríamos que sacolejar 500 quilômetros para chegarmos ao destino.

Doze horas de viagem depois estávamos exaustos e cobertos de poeira vermelha. Lembrei da minha Tenente Portela dos idos de 1959. Ah um banho! Mas onde estavam os banheiros? Simplesmente não os encontramos e ninguém sabia nos explicar nada. Sim, havia um lago nas imediações, mas sua água era geladíssima. Banhei-me nele, tremendo de frio. Enquanto isso as pessoas sorriam sorrisos abertos...

10.8.09

Depressão

Quando alguém vive sob o predomínio anormal de muita tristeza então se diz que a depressão se instalou naquela pessoa. Todas as pessoas, homens e mulheres, de qualquer faixa etária, podem ser atingidas por essa doença. Sabe-se que as mulheres são duas vezes mais afetadas que os homens e que nas crianças e nos idosos essa doença tem suas características particulares.

Ouve-se dizer por aí que as pessoas cristãs não podem experimentar depressão, ter a sensação de estar diante de um abismo escuro. Outro dia ouvi da boca de uma pessoa querida que pessoas depressivas têm pouca fé. Que elas experimentam este estado de espírito porque relaxaram na questão da oração; porque não se esmeraram na luta contra a depressão. É errado pensar assim!

A Palavra de Deus, inúmeras vezes e com muita abertura, trata do tema da “depressão”. Nenhum dos grandes nomes da Bíblia como Abraão, Jacó, Moisés, Elias, Pedro e Paulo escaparam de vivenciar “dias escuros” em suas vidas. O próprio Filho de Deus não foi poupado deste sentimento de profunda solidão e de falta de esperança quando esteve no Gólgota.

Não! Deus não reprova o estado de espírito de quem sofre depressão. Deus não articula nenhuma crítica aos seus queridos que sofrem desse mal. Deus não precisa repreender as pessoas que sofrem de depressão. Ele também não desafia estas pessoas a estudarem mais a Bíblia. Nada disso! Assim como Deus incentivou o profeta Elias (1 Reis 19.4-8) com o envio de um anjo para despertá-lo; para lhe oferecer pão; para lhe alcançar água; para lhe abrir a possibilidade de novas perspectivas e para lhe deixar claro que ainda era útil, Ele também quer nos incentivar a fazer o mesmo com quem sente a mesma dor e caminha do nosso lado.

Quem sofre de depressão não está sozinho. Milhares de pessoas experimentam estes sentimentos que não têm absolutamente nada a ver com falta de fé; com falta de oração. Elias não estava no fim de suas forças porque não cria mais em Deus e sim porque tinha doado todas as suas forças em prol do seu engajamento na proposta de Deus. Mas esta história não precisa terminar aqui. Repito: Tu e eu, nós podemos ser “anjos” de pessoas que sofrem de depressão. Como? Animando, dando pão, possibilitando uma nova visão, promovendo engajamentos...

31.7.09

Edson Saes Ferreira


Isso foi em 1980. Eu estava chegando e ouvi gostosas gargalhadas dentro do minúsculo gabinete onde tentava dar conta do meu estágio. Meu monitor, uma liderança da Senhor dos Passos e o Edson Saes Ferreira lembravam dos tempos da Facteol e, no meio da “farra amiga”, faziam referência ao Prêmio Nobel de Literatura Alexandre Soljenítsin... Os tempos ainda eram meio “bicudos”.

Fui agir como pastor no Noroeste do Paraná. O colega veio evangelizar na nossa Paróquia. Ainda nos anos 80 fomos colegas evangelistas da IECLB. Quantos encontros, quantos sonhos, quanto diálogo. Alguma coisa daquilo tudo vingou. A vida foi rolando e num instante nos vimos colegas em Florianópolis. Afiamo-nos como dois ferros se afiam (Provérbios 27.17). Completamo-nos enquanto o nosso chamado se desenrolou em conjunto. Quando vim de longe, visitei-o duas ou três vezes e ele articulava o Sínodo. Acompanhei-o quando da sua estada na UTI do Hospital Universitário. Nos últimos trinta meses trocamos algumas novas figurinhas.

Neste momento corre a notícia de que ele foi pego por um AVC. Imagino seu peito apertado e seu coração trôpego. Seus pensamentos devem estar voando pelos mil espaços percorridos, pelos mil diálogos entabulados, pelas mil circunstâncias administradas, pelos mil momentos de aprendizados sofridos. Sinto que gostaria de dirigir à palavra a nós, mas não pode. As paredes hospitalares o impedem.


Conheço-o e sei que está orando! Creio que Deus ouve e reage à sua oração pensada. Que tal “gritarmos” a Deus por ajuda? O salmista disse: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás.” (Salmo 50.15) Estou fazendo isso enquanto penso em você companheiro...

22.7.09

Alegria!


Alegria - boa esta palavra. O ato de alegrar-se é ativo. Eu sou quem decido se vou ser alegre ou não. Eu não sou alegrado, mas eu me alegro! A experimentação da decepção, do desprezo, do medo, de ser presenteado, de ser querido e até amado é passiva.

A alegria constrói boa base para a vida de uma pessoa. Já perceberam como as pessoas alegres sempre se mostram bem? Este estado de espírito mexe positivamente com quem está próximo. Ouse sorrir para alguém! É quase impossível pensar na possibilidade de que o sorriso dado não seja correspondido. Creia! Faça o teste... Ver o que os outros fazem com os olhos críticos gera desgaste em mim. Já olhar as coisas que acontecem com bons me constrói.

A alegria influencia a nossa alma e o nosso corpo. Um estudo sustenta que posturas antipáticas causam mais enfartes do que sobrepeso; fumo ou pressão alta. Em contrapartida, a alegria promove a saúde física e mental, espiritual. Ela gera qualidade de vida e aproxima os indivíduos entre si.

8.7.09

Julho de 1982!


Nestes dias está fazendo 27 anos que nos informamos como pastores da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Lembro dessa foto. Estávamos posicionados na escadaria que levava ao palco de teatro do Colégio Sinodal, no Morro do Espelho, em São Leopoldo (RS).

Na platéia estavam os nossos familiares e todos os nossos professores. Lembro que meu filho mais velho, o Àquila que, carregando seus dois aninhos corria lépido pelos corredores do salão, sem se importar com o barulho que fazia. Nos nossos corações palpitava desejo muito grande de servir nossa Igreja em todos os cantos e recantos do Brasil.

Dois dias depois acabei embarcando, de mala e cuia, para Cianorte (PR). Fomos morar na Avenida Mato Grosso, 1046. Foi lá que a Valmi e eu iniciamos nossa vida no pastorado. Ainda lembro com saudades das amigas e dos amigos que cunhamos naquela cidade e em outras tantas do Noroeste do Paraná.
Ainda cito as cidades de Querência do Norte, Paranavaí, Cidade Gaúcha e Umuarama e, assim, penso estar contemplando todas as outras daquela região com todo o meu carinho. Saudades daquela gente boa!

9.4.09

Dá-lhes!


Abaixo transcrevo a poesia que escrevi em homenagem à Valmi, minha esposa, no dia em que ela foi instalada como Obreira Diaconal do Sínodo Norte Catarinense!

Esperam que expresses “Strahlung
E isso, sempre antes de ir e vir.
Tanta coisa acontece na volta dos dias
Tuas ações sempre soam melodias.

Vai, desnuda teu sorriso “am Abend”.
A noite é escura e esconde tristezas.
A vida vai passando, passando
E muitos te sonham diaconando.

Inúmeros se cansaram da “Eintönigkeit
Sei, tua marca nunca foi monotonia
Vais dizer, sugerir excelentes detalhes!
Eis aí o teu chamado: dá-lhes!




30.3.09

Missão na Universidade!


Todos precisamos bem respirar para nos mantermos vivos. Com a Igreja acontece o mesmo. Ela inspira e depois expira as bênçãos que Deus derrama.

A Bíblia explicita que o Espírito de Deus sempre nos atinge como “vento” ou como “brisa”. Assim, à Igreja cabe inspirar esse vento, essa brisa, se quiser sobreviver como “Corpo de Cristo” na face da terra. Agora, se ela quiser continuar sendo “testemunho vivo, santo e agradável”, ela também precisará exercitar-se na expiração das graças alcançadas.


A MIUNI (Missão Universitária) sonha manteve-se ativa como proposta missionária em Joinville /SC! Para tal, deverá deixar-se impelir pelo Espírito Santo para fora das suas cercanias e expirar a graça de Deus no Campus Universitário. Esta sempre deverá ser a sua “missão”.

20.2.09

Tempo de Férias!

Voltei das férias. Cruzei os estados de Santa Catarina e do Rio grande do Sul. Num dado momento, ultrapassei a fronteira seca que separa o nosso Brasil do Uruguai. Foram vinte dias encharcados de vivências. Neles celebrei um casamento de amigos e fiz muitas visitas. Também agilizei pequenos consertos nas residências de queridas e queridos. Neste momento me recordo de uma frase que decorei no percurso dos meus cinquenta e quatro: - “Não, não posso parar, se eu paro eu penso, se eu penso eu choro...”

Dou graças a Deus por ter vencido esta minha inclinação para o ativismo. Sim, por que durante a viagem, muito eu também sentei para dialogar. Acabei de contar nos dedos. Fiz mais de sessenta contatos, todos eles marcados por conversas desencadeadoras de alegria, mas também de preocupações. Como pode que existe tantos problemas para irem sendo resolvidos à medida que avançamos nossos dias?

Chegando em casa, havia um cartão da irmã Elise sobre a minha escrivaninha. Suas palavras escritas soaram aconchegantes. No verso do referido a linda foto que vocês podem ver acima. É uma imagem de Marrocos. Olhei-a com carinho e logo lembrei da pastora Solmi. Foi seu esposo que me disse que as ovelhas comportam-se tal e qual nós, os homens e as mulheres.

Praia, areia, montanhas, comunhão, convívio com quem me faz falta. Ah que coisa boa estar esperto para a vida que ainda quero viver...

2.1.09

Pastoral Inocens

Faz seis meses e alguns dias que aniversariei,
meus amigos diriam que 54 já emplaquei.
Os dias da minha vida se amontoam, um a um.
Empilho-os, organizando-os sem jejum.
Em histórias se resumem os dias que celebrei.
Haverá alguém que as ouvirá com mesura?
Será que as contarei todas, sem censura?
Mudarão elas comportamentos, posturas?

Presentes e beijos, tudo já colecionei,
até uma Pastoral Inocens eu já ganhei.
Exercito-me sempre nas cordas da alegria.
Inspiro os seus bons perfumes no dia-a-dia.
Hoje firmo a vida na experiência que colecionei.
Haverá quem se beneficie desse bem?
Será que ainda poderei impulsionar alguém?
Optará ele pela cor definida, que não vai-e-vem?

26.12.08

Recortes de Memória III!

Eu trabalhava numa oficina mecânica de fundo de quintal. Iniciava minha jornada nas manhãs de segundas-feira e encerrava-as 12.00h de sábado. Tomava banho, almoçava e lá ia eu articular, conviver com todas aquelas amigas e todos aqueles amigos granjeados nos encontros de Juventude Evangélica. Voltava para casa tarde da noite, aos domingos. Aquele movimento me fazia muitíssimo bem. Eu crescia dentro do grupo a partir da participação em Congressos Distritais e Regionais e com base num sem número de Retiros Espirituais. Tudo era muito dinâmico e eu logo fui pegando gosto pelas coisas da Igreja. O tempo corria.

Ao mesmo tempo, dentro de mim cresciam sempre mais pontos de interrogação. Os hormônios estavam a flor da pele. Será que a oficina mecânica era verdadeiramente aquilo que eu queria para a minha vida. Havia meninas jogando seu charme para mim, enquanto assistia as aulas diurnas e, depois, noturnas do Colégio Estadual Ernesto Alves de Oliveira. Aqui e ali, íamos aos bailes interioranos para dançar com as meninas da Linha Santa Cruz. Num e noutro momento alguém me "espetava" com a pseudo-informação de que "dançar" e "jogar bola" era pecado. Quanta confusão na minha cabeça. Sim! Eu também tinha a possibilidade de namorar meninas ligadas à JE, mas quem? Por outro lado, sentia-me diminuido por ter mexer com gasolina, com graxa. Hoje tenho clareza que minha auto-estima era baixíssima.

Certo sábado, depois de voltar de uma das minhas viagens a Candelária, chefuei em cima do laço numa das nossas reuniões que aconteciam aos sábados. De cara, vi uma menina novata, loira, olhos verdes, falante e cheia de sotaque gauchesco. Fui me encantando no meio das minhas crises. Eu queria mas também não queria compromisso. De repente a minha história passou a ficar embaralhada, muito complicada, totalmente misturada. Eu precisava tomar decisões particulares. Fora de Santa Cruz do Sul havia um mundo a ser descoberto. Já na Capital do Fumo a vida ia seguindo seu ritmo...

17.12.08

Feliz Natal e Bom Ano de 2009!

Gente querida!

Maria e José - duas pessoas muito diferentes entre si, mas com algo em comum: Um anjo de Deus falou-lhes para que “não tivessem medo”!

Maria assusta-se com a informação de que vai gerar o Filho de Deus! Ela é inexperiente, filha de gente muito simples. Como irá assumir tão grande compromisso? O que é que o seu noivo irá dizer daquela situação inusitada? O compromisso parece ser pesado demais para ela carregar... José se desespera. Sua noiva espera um filho que não é seu. O que fazer? Como administrar os comentários preconceituosos das pessoas? O que é que sua amada aprontou? Não! Ele não consegue compreender direito tudo aquilo que está acontecendo...

Duas situações dificílimas! De repente, tudo muda de figura. O anjo diz: - Não tenham medo! Deus está com vocês! Ele não deixará vocês na mão. Ele não permitirá que o medo tome conta de suas vidas. Ele acompanhará vocês nos seus caminhos. Boas palavras para nós e também para vocês, com certeza!

Eis a mensagem que a Valmi e eu pensamos para repartir. Feliz Natal e um Bom Ano de 2009. Que possamos viver sem medo a vida que Deus nos pensou!

16.12.08

Recortes de Memória II!


Havia alegria no ar por causa daqueles encontros inusitados em Novo Hamburgo. Eram pessoas de todos os lugares. Gente com lindos sorrisos confiantes iluminando o rosto. Corria de boca em boca que o pastor Aamot era americano e que tinha uma equipe de homens aos quais chamava de discípulos. O número um deles era um tal de Carlos. Vi-o caminhando por entre as pessoas com sua maleta 007. Também tive o privilégio de ver os papéis que estavam dentro da mesma. Tudo estava caracterizado como sendo de suma importância. Os palestrantes tinham palavra boa, compreensível até para nós, moradores do Vale do Rio Pardo. Ainda lembro do título de uma palestra que estava sendo proferida pelo jovem pastor Arzemiro: O mundo do Zé!

As meninas que circulavam pelos corredores eram lindas e todo mundo ia movido por objetivos concretos, durante aquele encontro. Conheci muitas pessoas com as quais, mais tarde, ainda faria grandes amizades. Dialoguei com o pessoal que compunha o Grupo Terra Nascente. Disseram-me que eu poderia chamar o pastor João de meu bisavô espiritual, uma vez que o mesmo tinha gerado o pastor Sérgio na fé e este, à Neuza. O final de semana transcorreu rapidamente. Lembro que viajamos para casa num dos ônibus amarelos do Expresso Gaúcho. Começava um momento novo para mim. Coisa boa ser querido, ser chamado pelo nome, ser contado dentro de uma organização.

A JESC, Juventude Evangélica de Santa Cruz do Sul, seria o lugar onde iríamos desenvolver os nossos dons e talentos. Foi então que, com as costas aquecidas pelos grupos ECO, decidimos evangelizar, (Pasmem!) as cidades de Venâncio Aires, Vera Cruz e Candelária. Coube-me a última. Semanalmente, aos sábados à tarde, num dos ônibus da Auto-Viação Santa Cruz, dirigia-me até lá. Depois de algumas semanas, acabei montando um Grupo de Estudos Bíblicos na casa da família Steil e a vida sorria...

OLHA SÓ!