26.2.08

Aventura em 1972 - 2


Lembro que passamos iodo nos arranhões. O senhor gordo que tocava a pequena hospedaria de beira de estrada nos fez ovos fritos que comemos com pão. Uma excelente ceia – diga-se de passagem. Nós precisávamos descansar. Caí na cama e dormi sono agitado. Logo de manhã se nos ficou claro que com a queda, o guidon da lambreta ficara descentralizado. O Edmar e eu éramos mecânicos de profissão. Ele especializado em automóveis DKW. Já eu em mecânica geral. Quer dizer, nossos problemas estavam facílimos de serem resolvidos. Em duas horas chegamos em Cruz Alta onde, quatorze anos depois eu viria a trabalhar como pastor da IECLB. Se naquela época alguém me soprasse uma semelhante idéia nos ouvidos eu simplesmente não acreditaria.

O pastor da Comunidade cruzaltense nos recebeu muitíssimo bem. Queria saber dos nossos objetivos. Doou-nos do seu tempo enquanto se esmerou em repartir um Estudo Bíblico conosco. Confesso que ouvia-o com pseudo-interesse. Os moços do lugar mostravam-se um tanto enciumados com nossa presença. A roda de jovens estava repleta e as meninas tentavam aproximar-se de todas as maneiras. O tempo foi passando e já no domingo pela manhã decidimos partir. Eu não queria sair mas era preciso. A lambreta tinha ronco limpo mas volta e meia o mesmo era quebrado por sujeira no esguicho do carburador. Abríamos o dito cujo para limpá-los e seguíamos viagem. A chuva que era fina passou a ficar grossa. O frio não respeitava nossas indumentárias umedecidas e impróprias para uma tal empreitada.

Viajamos um bom tempo calados. Ora era o motociclo com a placa 0139 que seguia na frente e ora a lambreta. O Luiz e eu éramos os eternos caroneiros. Enquanto descíamos pela Estrada da Produçao, há uns cinquenta km de Lageado, a lambreta começou a esquentar o seu motor. Lembro que andávamos uns 10 km e então estacionávamos no acostamento para que ela esfriasse. O seu bloco estava rachado e chovia cada vez mais forte. Eu sentia frio nos ossos e já começava a escurecer de novo. Continuo esta história noutro momento...