14.10.10

Los 33


Os mineiros chilenos continuam sendo salvos do soterramento que sofreram há 700 metros de profundidade, enquanto escrevo esta meditação. Eles experimentaram grande crise que durou mais de dois meses. Neste momento a mídia nos informa que todo esse “processo de angústia” começa a chegar ao seu final. Nada será como antes para aqueles 33 homens. Eles, como poucos, tiveram tempo para refletir sobre suas vidas. Não resta dúvida que seu “momento histórico” é estupendo.

Li que pediram bíblias para ler e estudar nas profundezas. Um pastor chileno reagiu ao seu desejo e “criou” pequenos livros sagrados de 8 x 12 centímetros. Essas eram as medidas que podiam ser repassadas pelo “túnel de contato”. Lá embaixo o ambiente era um tanto escuro e as letras muito pequenas, quase indecifráveis. O tal pastor resolveu o problema enviando pequenas lupas para facilitar a leitura. Na capa de cada uma das pequenas bíblias havia um decalque onde constava o nome do mineiro e um pequeno recado: - Estamos orando pela volta de vocês!

Outro detalhe que certamente chamou a atenção daqueles homens lá no fundo da mina foi o Salmo 40.2-3 que estava sublinhado em cada exemplar: “Tirou-me de uma cova perigosa, de um poço de lama. Ele me pôs seguro em cima de uma rocha e firmou os meus passos. Ele me ensinou a cantar uma nova canção, um hino de louvor ao nosso Deus. Quando virem isso, muitos temerão o Senhor e nele porão a sua confiança.”

Uma boa palavra, sem dúvida. Tu e eu vivemos inúmeras crises. Aqui e ali há “buracos” de injustiça, de discriminação e de exploração que nos “enlameiam”. Sair deste “estado de negação” é preciso. O problema é que enquanto a “cápsula fenix” sobe e desce, continuamos dando mínima atenção às pessoas que se engajam em “projetos de vida” isentos de “segundas intenções”. É que nossa educação sempre priorizou a visão na “força” do mais articulado; do que “vende” o seu “produto” com mais convicção. Quais são as razões que movem estes indivíduos que propõem ajuda?... O presidente do Chile fez um bom trabalho e, por causa disso, a sua aceitação pública subiu para a “estratosfera”. Ele é um ganhador! Esse “jeito de ser e fazer” muitos já importam para dentro da Igreja. Nela, quase sempre, “faz-se” e “doa-se” para receber algo em troca. Um exemplo: O Conselho de Pastores Evangélicos de Joinville (SC) articula doação de “sangue cristão”. Até aqui, perfeito! O problema é que a “segunda intenção” dessa ação já está indicada na propaganda subliminar “Marcha para Jesus”. Evento esse que, como pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, não posso concordar.

Só a força e a ajuda de Deus é que valem. Nele experimentamos consolo dentro do desespero; resolvemos nossos “problemas” quando vem o sentimento do “afogamento nas águas do desespero”; quando somos rejeitados e discriminados. As “forças de fora” sempre visam nossa “implosão” como pessoas, mas Deus nos oportuniza mais “saúde” depois dessas tais crises. “Nada pode nos separar do amor de Deus”, mas para tal a cristandade deverá “acordar” seus dons e talentos no sentido de promover justiça, bem comum, sem esperar lucros.

O que fazer depois de experiências complicadas vividas? O salmista faz duas sugestões: Não acomodar-se diante do que acontece, mas agradecer a Deus pela Sua ajuda e louvá-Lo pelos Seus grandes feitos. Colocarmo-nos com palavra e postura clara (profecia, agradecimento e louvor) diante do que é injusto, e isso em qualquer nível. Eis aí o perfil da “testemunha de Deus” que continua a agir dentro do mundo. Que Deus nos dê forças para sermos assim, a partir daqui deste grupo, deste lugar...

Um comentário:

Filipe Ferrari disse...

Realmente o apoio em "desgraças" pode vir a se tornar um excelente palanque marketeiro. Um exemplo claríssimo desse fato está acontecendo agora nas nossas eleições, onde os candidatos estão "invadindo" igrejas e templos, apoiados na "desgraça" que é a falta de informação e discussão de determinados temas dentro da nossa sociedade, tanto a secular quanto a cristã.

Mas é isso Renato. Concordo contigo, em gênero, número e grau.