3.3.10

O poder do perdão!


O ato de “perdoar” é difícil. Muitos não perdoam porque entendem que o “perdão dado” contribua para a injustiça. Plantou-se na nossa cabeça que “quem causa dano não merece perdão”. Tenho observado que o tempo não reduz as ofensas e os desgostos sofridos. Podemos permanecer enfurecidos com nossos pais pelos erros que cometeram durante nossa infância; com quem já abusou da nossa boa-fé; com o parente que nos chamou de “gordo” quando da ceia de Natal há dez anos... Aqui me vem à mente o texto de Mateus 18.21-22...

Gente! Temos a capacidade de guardar uma ferida dentro da alma como se fosse um tesouro precioso. Às vezes tiramos a dita cuja da memória para fitá-la como se fitássemos um álbum de fotografias; uma jóia de vitrine. Nesse momento, mais uma vez, assistimos, revivemos na tela da nossa mente, o filme triste do episódio que foi imperdoável. E assim o desgosto experimentado no passado vai se alimentando das grandes porções de vida do presente. E temos aí rancor...

Por que perdoar? Por que a Bíblia nos pede? Por que é nobre, bonito? Existe algo impossível de ser perdoado? Nestes tempos os especialistas estão se dedicando a estudar cientificamente o tema perdão para nos brindar com boas respostas.

Do que é feito o perdão?

Os problemas pessoais não solucionados são como “aviões” que voam dias, semanas sem pousar. Esses tais “aviões” consomem muita energia para se manter no ar. Se poupassem estas energias, teriam muito mais força para gastar em caso de emergência. Os “aviões do rancor” se convertem em fonte de estresse dentro de nós e, muitas vezes, o resultado é caótico. Ouso dizer que o ato de perdoar é equivalente à tranquilidade que sentimos quando o “avião” pousa.

Perdão não é aceitar a crueldade praticada contra nós; não é esquecer que algo doloroso aconteceu; não é aceitar o mau comportamento dos outros em relação a nós; não precisa ser a reconciliação com a pessoa que agride. Guardem isso: o ato de perdoar sempre beneficia a pessoa que perdoa, não a que ofendeu. Aprendemos a perdoar tal como aprendemos a chutar uma bola... Aqui e ali todos nos incomodamos. Ao invés de desperdiçarmos nossa energia, enredando-nos em redes de fúria e de dor, que tal perdoarmos, admitirmos que nada poderemos fazer para corrigir o passado? Tal postura poderá ser extremamente libertadora. O ato de perdoar ajuda o “avião” a pousar para que se façam os ajustes necessários. O perdão serve para relaxarmos. O ato de perdoarmos não significa que o nosso agressor “se deu bem”; não significa que aceitamos algo injusto. Nada disso! O ato de perdoar significa que não vamos mais sofrer eternamente pela ofensa ou pela agressão que nos foi repassada.

Podemos trabalhar “feridas” antigas de forma positiva, usando a força da dor para nos tornarmos fortes durante as crises. Dentro de nós há “forças de liberdade” que nos ajudam a não nos submetermos às graves feridas, um dia plantadas dentro do nosso peito. Pessoas que conseguem superar tragédias ou sair de períodos difíceis marcados pela dor emocional têm tudo para abandonar o papel de vítimas; para começar uma vida nova. Há indivíduos que, oprimidos pelo desamparo na infância, caem na delinquência e se tornam agentes de agressão, já outros se recuperam, tornam-se pessoas de bem e são felizes, fortes, prósperas e bem-sucedidas. Por que isso? Creio que o perdão foi ingrediente muito importante neste processo.

Não podemos crescer, sermos pessoas flexíveis, nos robustecermos a partir da adversidade sem o perdão. Algumas pessoas “cozinham” a dor em fogo brando para mostrar ao mundo como foram maltratadas. Essa atitude é prejudicial à saúde. Ao mundo, não interessa o nosso passado, só o que somos capazes de fazer e dar aqui e agora. Quando nos apegamos à dor antiga, à autocomiseração (dó de nós mesmos) embota a nossa capacidade de nos doarmos ao próximo. Quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera que alguém resolva de forma milagrosa a nossa vida. O perdão nos aju¬da a reconhecermos e a admitirmos que somos pessoas frágeis; que não precisamos esconder nossa fragilidade. A consciência dos nossos limites nos ajuda a não cairmos nesse poço de dor.

Conclusão

O perdão traz saúde espiritual. Mais do que isso: As pessoas que deixam a hostilidade para trás, protegem sua saúde física. O ato de aprender a perdoar pode ajudar indivíduos de meia-idade a evitar doenças cardíacas. Quanto maior a capacidade de perdoar, menos problemas nas artérias coronárias surgem no decorrer da vida. Por outro lado, quanto menor a capacidade de perdoar, mais frequentes serão os episódios de doenças cardiovasculares.

Ainda em relação à recordação das “feridas” passadas... Quem gasta cinco minutos de sua vida pensando nos “desgostos passados” auto-provoca agitação e raiva dentro de si. Esse desgosto diminui a variabilidade da frequência cardíaca e desacelera a reação do sistema imunológico que defende o organismo. Ora, o coração humano precisa dessa flexibilidade para o enfrentamento do estresse que o dia-a-dia oferece. Enfim, o corpo humano precisa que aprendamos a perdoar.

Os benefícios do perdão (tanto os que protegem o corpo quanto os que aliviam e “limpam” a alma) vem à nós, quando, apesar dos erros e culpas, somos capazes de nos perdoarmos; nos deixarmos de sentir merecedores de castigo... Perdoar não é esquecer e nem persistir no erro, mas começar de novo sem os rancores a sobrevoar e a confundir as possibilidades do presente. Assim como o amor, o perdão não é algo que se dê ao outro, mas um presente vital que damos a nós mesmos.

O pão nosso de cada dia!


Gente querida! Conta-se que um sujeito comprou um terreno repleto de pedras. Vocês não imaginam como ele trabalhou para limpar aquele espaço... Deu tudo de si em prol do seu projeto e, de repente, o chão estava preparado para acolher as sementes que ele semeou. O resultado não podia ser diferente: uma bela horta, um jardim vistoso que todos admiravam. Certo dia um amigo que ia passando lhe dirigiu a palavra: “É maravilhoso o que Deus pode fazer com um terreno tão impróprio para o plantio, não é mesmo?” “É verdade” – respondeu o homem que tinha dado de si até não mais poder – “tinhas que ver o estado deste terreno quando Deus ainda trabalhava sozinho nele.” Com esta história na cabeça, proponho a leitura de Mateus 6.11... “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”

Cinco aprendizados

Primeiro aprendizado: Deus se interessa pelo teu, pelo meu corpo. Jesus deixou isso evidente quando dedicou muito do seu tempo na cura de toda sorte de enfermidades físicas das pessoas que se relacionavam com Ele. Jesus também deixou isso claro em várias oportunidades, quando satisfez a fome física dos Seus seguidores que tinham ido ouvi-Lo naquele lugar solitário (Pessoas que tinham ficado sem comer pelo fato de não terem condições de buscar alimento em suas casas distantes). Faz bem pensar que Deus se interessa pelos nossos corpos. Todo e qualquer ensino que deprecie e que diminua e ou ainda que denigra o nosso corpo é mau ensino. Sim! Deus deu importância ao nosso corpo. Isso ficou evidenciado quando Deus presenteou Jesus Cristo com um corpo igual ao nosso. O alvo do cristianismo não é somente a salvação da alma, mas a salvação da pessoa inteira: corpo, mente e espírito.

Segundo aprendizado: Esta petição do Pai Nosso nos ensina a orar pelo pão do dia de hoje. Ela nos ensina a viver o nosso dia-a-dia sem a ansiedade pelo dia de amanhã que é distante e desconhecido. Aqui, certamente, Jesus lembrou do povo judeu que caminhava pelo deserto quando ensinou esta petição aos seus discípulos. No deserto, o povo judeu recebia “maná” diário. Em Êxodo 16.1-21 se lê que os filhos de Israel estavam morrendo de fome e que, naquela oportunidade, Deus lhes enviou “pão do céu”. Observem a condição que Deus lhes impôs: deveriam recolher a quantia de “maná” suficiente para suas necessidades imediatas, nada mais e nada menos. Quando o povo juntava mais “maná” do que o necessário para a sobrevivência, este se deteriorava. Cada dia eles deviam recolher a porção do dia, uma vez que o Criador do próprio dia também tinha criado o sustento de cada dia. Entendo que a pessoa que tem o que comer hoje e que se pergunta pelo que comerá amanhã seja uma pessoa de pouca fé. Ora, esta petição nos ensina a viver o nosso dia-a-dia sem aquela preocupação ansiosa tão característica das pessoas que não aprenderam a confiar em Deus.

Terceiro aprendizado: Esta pequena petição da oração do Pai Nosso dá a Deus o lugar que Lhe pertence. Quem a profere admite que o alimento que recebemos para mantermos a nossa vida vem de Deus. Ninguém jamais conseguiu criar uma semente que cresça; que se desenvolva. Um cientista até pode analisar uma semente nas suas muitas partes, mas ele nunca conseguirá fazer com que uma semente sintética se desenvolva. Tudo o que tem vida provém de Deus. O alimento que consumimos é um presente direto de Deus.

Quarta aprendizado: As pessoas que oram esta petição e, depois, ficam esperando que o “pão caia do céu” como caiu o “maná” morrerão de fome. A oração e o trabalho devem andar de mãos dadas. Depois de orarmos temos que ir trabalhar com o objetivo de convertermos as nossas orações em realidade. Estou certo que a semente viva é um presente de Deus, mas também tenho a convicção que a mulher e o homem devem semeá-la para depois cultivá-la. Lembram da história que contei na introdução desta prédica? Gente, a onipotência de Deus e o trabalho humano devem caminhar de mãos dadas. Quando proferimos as palavras desta petição, estamos reconhecendo duas verdades fundamentais: a) Que sem Deus não podemos fazer nada e b) que sem nosso esforço e cooperação, Deus não pode fazer nada por nós.

Quinto aprendizado: Notem que Jesus não nos ensina a dizermos “Dá-me hoje o meu pão cotidiano”, mas Ele nos ensina a orarmos “Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano”. No mundo há pão suficiente para todas as pessoas. O problema não é a produção daquilo que é essencial para a vida, mas a distribuição desta produção. A petição do Pai Nosso sobre a qual estamos refletindo e que também é o lema da nossa IECLB para 2010 nos ensina a não sermos egoístas nas nossas orações. Esta petição é uma oração que, em parte, podemos fazer acontecer quando colaboramos com Deus; quando repartimos das sobras com aqueles que têm falta disso ou daquilo. Esta petição do Pai Nosso não somente objetiva o suprimento das minhas e das tuas carências diárias, mas ela também nos desafia a compartilharmos com as outras pessoas aquilo que de Deus recebemos.

Conclusão

Bom dia!... Olhando para este jardim que é a São Mateus me dei conta de que é maravilhoso o que Deus pode fazer com um terreno tão impróprio para o plantio, não é mesmo?” “É verdade! Tinhas que ver o estado deste terreno há quarenta nos atrás quando Deus ainda trabalhava sozinho nele.” Vamos continuar o nosso trabalho? Vamos, juntos, continuar nosso trabalho aqui nesta Paróquia?