Busque Saber

22.1.10

Perdão!


Andei lendo aqui e ali. Confesso que o momento que atravesso é de muita reflexão. Entendi, percebi que durante mais de 2/3 da minha vida ando carregando "pesos" dentro de mim. Aqui lembro do saudoso ex-professor Richard Wangen que já me alertou para este fato em 1977. O texto abaixo é fruto de leituras marginais misturadas com sentimentos pessoais que transmito sem qualquer hipocrisia neste blog. Vou refletir com a minha Comunidade sobre este conteúdo no Culto de domingo, dia 24 de janeiro de 2010. Compartilho mesmo com vocês. Abraços de mim...

O ato de “perdoar” é difícil. Muitos não perdoam porque entendem que o “perdão dado” contribua para a injustiça. Plantou-se na nossa cabeça que “quem causa dano não merece perdão”. Tenho observado que o tempo não reduz as ofensas e os desgostos sofridos. Podemos permanecer enfurecidos com nossos pais pelos erros que cometeram durante nossa infância; com quem já abusou da nossa boa-fé; com o parente que nos chamou de “gordo” quando da ceia de Natal há dez anos... Aqui me vem à mente o texto de Mateus 18.21-22...

Gente! Temos a capacidade de guardar uma ferida dentro da alma como se fosse um tesouro precioso. Às vezes tiramos a dita cuja da memória para fitá-la como se fitássemos um álbum de fotografias; uma jóia de vitrine. Nesse momento, mais uma vez, assistimos, revivemos na tela da nossa mente, o filme triste do episódio que foi imperdoável. E assim o desgosto experimentado no passado vai se alimentando das grandes porções de vida do presente. E temos aí rancor...

Por que perdoar? Por que a Bíblia nos pede? Por que é nobre, bonito? Existe algo impossível de ser perdoado? Nestes tempos os especialistas estão se dedicando a estudar cientificamente o tema perdão para nos brindar com boas respostas.

Os problemas pessoais não solucionados são como “aviões” que voam dias, semanas sem pousar. Esses tais “aviões” consomem muita energia para se manter no ar. Se poupassem estas energias, teriam muito mais força para gastar em caso de emergência. Os “aviões do rancor” se convertem em fonte de estresse dentro de nós e, muitas vezes, o resultado é caótico. Ouso dizer que o ato de perdoar é equivalente à tranquilidade que sentimos quando o “avião” pousa.

Perdão não é aceitar a crueldade praticada contra nós; não é esquecer que algo doloroso aconteceu; não é aceitar o mau comportamento dos outros em relação a nós; não precisa ser a reconciliação com a pessoa que agride. Guardem isso: o ato de perdoar sempre beneficia a pessoa que perdoa, não a que ofendeu. Aprendemos a perdoar tal como aprendemos a chutar uma bola... Aqui e ali todos nos incomodamos. Ao invés de desperdiçarmos nossa energia, enredando-nos em redes de fúria e de dor, que tal perdoarmos, admitirmos que nada poderemos fazer para corrigir o passado? Tal postura poderá ser extremamente libertadora. O ato de perdoar ajuda o “avião” a pousar para que se façam os ajustes necessários. O perdão serve para relaxarmos. O ato de perdoarmos não significa que o nosso agressor “se deu bem”; não significa que aceitamos algo injusto. Nada disso! O ato de perdoar significa que não vamos mais sofrer eternamente pela ofensa ou pela agressão que nos foi repassada.

Podemos trabalhar “feridas” antigas de forma positiva, usando a força da dor para nos tornarmos fortes durante as crises. Dentro de nós há “forças liberdade” que nos ajudam a não nos submetermos às graves feridas, um dia plantadas dentro do nosso peito. Pessoas que conseguem superar tragédias ou sair de períodos difíceis marcados pela dor emocional têm tudo para abandonar o papel de vítimas; para começar uma vida nova. Há indivíduos que, oprimidos pelo desamparo na infância, caem na delinquência e se tornam agentes de agressão, já outros se recuperam, tornam-se pessoas de bem e são felizes, fortes, prósperas e bem-sucedidas. Por que isso? Creio que o perdão foi ingrediente muito importante neste processo.

Não podemos crescer, sermos pessoas flexíveis, nos robustecermos a partir da adversidade sem o perdão. Algumas pessoas “cozinham” a dor em fogo brando para mostrar ao mundo como foram maltratadas. Essa atitude é prejudicial à saúde. Ao mundo, não interessa o nosso passado, só o que somos capazes de fazer e dar aqui e agora. Quando nos apegamos à dor antiga, à autocomiseração (dó de nós mesmos) embota a nossa capacidade de nos doarmos ao próximo. Quando assumimos o papel de mártires, ficamos à espera que alguém resolva de forma milagrosa a nossa vida. O perdão nos ajuda a reconhecermos e a admitirmos que somos pessoas frágeis; que não precisamos esconder nossa fragilidade. A consciência dos nossos limites nos ajuda a não cairmos nesse poço de dor.

O perdão traz saúde espiritual. Mais do que isso: As pessoas que deixam a hostilidade para trás, protegem sua saúde física. O ato de aprender a perdoar pode ajudar indivíduos de meia-idade a evitar doenças cardíacas. Quanto maior a capacidade de perdoar, menos problemas nas artérias coronárias surgem no decorrer da vida. Por outro lado, quanto menor a capacidade de perdoar, mais frequentes serão os episódios de doenças cardiovasculares.

Ainda em relação à recordação das “feridas” passadas... Quem gasta cinco minutos de sua vida pensando nos “desgostos passados” auto-provoca agitação e raiva dentro de si. Esse desgosto diminui a variabilidade da frequência cardíaca e desacelera a reação do sistema imunológico que defende o organismo. Ora, o coração humano precisa dessa flexibilidade para o enfrentamento do estresse que o dia-a-dia oferece. Enfim, o corpo humano precisa que aprendamos a perdoar.

Os benefícios do perdão (tanto os que protegem o corpo quanto os que aliviam e “limpam” a alma) vem à nós, quando, apesar dos erros e culpas, somos capazes de nos perdoarmos; nos deixarmos de sentir merecedores de castigo... Perdoar não é esquecer e nem persistir no erro, mas começar de novo sem os rancores a sobrevoar e a confundir as possibilidades do presente. Assim como o amor, o perdão não é al¬go que se dê ao outro, mas um presente vital que damos a nós mesmos.

13.1.10

O milagreiro do vinho!



Gente querida! Se perguntarmos aos nossos amigos qual o maior milagre que Jesus Cristo fez, eles, com certeza, responderão: - “A transformação de água em vinho!” Interessante! Esse milagre foi captado pela maioria das pessoas, mais até do que a própria ressurreição de Jesus Cristo. Vamos ler sobre este milagre em João 2.1-11...

1. Dois dias depois, houve um casamento no povoado de Caná, na região da Galiléia, e a mãe de Jesus estava ali. 2. Jesus e os seus discípulos também tinham sido convidados para o casamento. 3. Quando acabou o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: - O vinho acabou. 4. Jesus respondeu: - Não é preciso que a senhora diga o que eu devo fazer. Ainda não chegou a minha hora. 5. Então ela disse aos empregados: - Façam o que ele mandar. 6. Ali perto estavam seis potes de pedra; em cada um cabiam entre oitenta e cento e vinte litros de água. Os judeus usavam a água que guardavam nesses potes nas suas cerimônias de purificação. 7. Jesus disse aos empregados: - Encham de água estes potes. E eles os encheram até a boca. 8. Em seguida Jesus mandou: - Agora tirem um pouco da água destes potes e levem ao dirigente da festa. E eles levaram. 9. Então o dirigente da festa provou a água, e a água tinha virado vinho. Ele não sabia de onde tinha vindo aquele vinho, mas os empregados sabiam. Por isso ele chamou o noivo 10. e disse: - Todos costumam servir primeiro o vinho bom e, depois que os convidados já beberam muito, servem o vinho comum. Mas você guardou até agora o melhor vinho.11. Jesus fez esse seu primeiro milagre em Caná da Galiléia. Assim ele revelou a sua natureza divina, e os seus discípulos creram nele.

Sim! Podemos festar...

Jesus transformou água em vinho; caminhou sobre as águas; ressuscitou Lázaro e a filha de Jairo. Desses milagres quase ninguém se lembra. Porque será que o milagre da “transformação de água em vinho” se tornou tão popular? De repente não se esperava tal atitude de Jesus, depois da forte pregação de João Batista que veio preparar Sua chegada... Como imaginar o começo da obra deste homem que, três anos depois, teria que experimentar morte horrível na cruz? Será que cabe uma festa de casamento com comilança e alegria desenfreada nesta história?...

Será que as pessoas que, um dia, serão julgadas pelo Filho de Deus não deveriam ter outras preocupações do que dar pela falta de vinho? Será que o tempo de Jesus Cristo não deve ser um tempo de jejum, de seriedade, de introspecção, de arrependimento? Pois a Festa é, para mim, o maior milagre que a “transformação de água em vinho”. Jesus se sente bem entre os convidados. Ele também se sentiu à vontade na casa do cobrador de impostos, do pecador Zaqueu, com o qual, no nosso modo de pensar, Ele nunca poderia ter tido contato. Gente, a chatice, o tédio, o aborrecimento, o ar rarefeito que volta e meia se faz presente nas nossas Igrejas não tem origem na mensagem de Jesus Cristo.

Notem que Jesus usou “festas de casamento” como exemplo. Ele comparou-se com um noivo. Ele exaltou a abundância e a alegria em palavras e atitudes quando trazia Sua mensagem. Na Festa de Caná Jesus não apenas ajuda o noivo a não ser mal falado, mas lhe arranja vinho para o ano inteiro. Sim porque, vamos e venhamos, 600 litros de vinho deveriam ser mais do que suficientes para festejar as festas de casamentos de toda vizinhança naquele ano. Jesus deixa patenteado que o tempo da graça é tempo de alegria.

Um bom vinho só se degusta em tempos de paz. Na guerra é impossível a fabricação de vinho. Um parreiral precisa de três anos de cuidados para produzir boa uva. Isso não mudou desde os tempos de Jesus. Vai daí que este milagre é o certificado de que o tempo de Jesus começou; que o tempo do medo e da espera já passou; que as nuvens escuras do Deus Sisudo se dissiparam. Gente! Isto é motivo de festa. Em nenhum lugar da Bíblia está escrito que a cristandade não possa festar; que ela não possa ser alegre; que a cristandade não possa dar gargalhada e se divertir. Pena que essa informação ainda não é do senso comum, do domínio de todas as pessoas cristãs.

Quem leu o livro “O nome da Rosa” de Umberto Eco há de se lembrar que as pessoas condenadas à morte no mosteiro da Idade Média eram os monges que procuravam um manuscrito onde se lia sobre a possibilidade de que o ato de sorrir tinha raízes em Deus. Claro que os detentores de poder igrejeiro tentaram esconder esta realidade. Sim, também as pessoas profundamente comprometidas com Jesus Cristo, cristãos de boa cepa, podem festejar; alegrar-se; rirem a vontade. Que coisa boa!

Os potes de pedra do nosso texto eram para armazenar água. Aquela água era para a higiene dos festeiros. Não só para a higiene corporal, mas também para uma higiene, uma limpeza ritual, uma lavagem de toda a sujeira do pecado. Ao imaginarmos aqueles enormes jarros cheios d’água, lembremos da Santa Ceia. Para nós o sangue de Jesus Cristo, vertido na cruz, nos limpa de toda culpa. O vinho é fruto da videira. Foi com vinho que Jesus celebrou, antes da crucificação, Sua última janta com seus discípulos. Também com o vinho será festejada a vitória da vida sobre a morte. Festejemos! O mundo é passageiro e os poderes que o regem só têm força até por ali. Alegremo-nos! Somos cidadãos do reino de Deus. Jesus é a nossa esperança, a nossa certeza, o nosso Deus.

Conclusão

Claro que Jesus também precisa ser respeitado como Deus. Num dado momento Ele dá resposta dura à Sua mãe, quando ela quer forçá-lo a resolver o problema do noivo: - “Não é preciso que a senhora diga o que eu devo fazer. Ainda não chegou a minha hora.” Ele não age assim pelo fato de se sentir incomodado porque vai ser apontado como o “milagreiro do vinho”, mas porque Ele não quer se deixar conduzir, comandar por nenhum partido; por nenhuma Igreja; por nenhuma pessoa; nem mesmo pela sua própria mãe. Ele deve caminhar pelos caminhos pensados pelo Seu Pai desde a eternidade. Jesus tinha clareza: Aquele primeiro milagre seria a primeira estação para o caminho da cruz. Todos teriam a chance de entender que Ele era o Messias, o Cristo, o Prometido. Não teria mias volta. O seu alvo era a salvação da humanidade. Por isso, alegria, mesmo dentro destes tempos difíceis. O caminho de e para Jesus Cristo sempre passa pela cruz, mas trata-se de um caminho de vitória, nunca de derrota. Amém!

11.1.10

Um bom convite!



Sei que muitos de vocês me acompanham aqui neste blog. Agradeço o seu carinho. Quero repartir com vocês que o tempo de Advento (29 de novembro a 24 de dezembro de 2009) foi muito importante pra mim. Toda noite, das 22.00h às 22.30h, nós nos reuníamos debaixo da Coroa de Advento (umas 18 irmãs e irmãos). Cada noite acendia-se uma nova vela. Nos primeiros dias o nosso templo se mostrava escuro. Nossos rostos estavam dentro da penumbra. Já em meados de dezembro ele já mostrava todo claro. Nossa comunhão era excelente. Era a luz que invadia os cantos escuros, também das nossas vidas. Foi numa daquelas referidas noites que tomei a decisão de escrever uma pequena reflexão diária sobre os 915 versículos do Livro de Provérbios do Antigo Testamento. Acabei de postar a reflexão para o dia de hoje, 11 de janeiro de 2010 agora mesmo. Se quiserem me acompanhar, só clicar em http://www.minhaspredicas.blogspot.com/  Abraços a todas e a todos...

7.1.10

Boa Pesca!


Decisões nunca são fáceis de serem tomadas. O texto de João 1.35-42 nos dá um exemplo que vale a pena ser refletido. Vamos nessa?...

35 - No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos; 36 - E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. 37 - E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. 38 - E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras? 39 - Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima. 40 - Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. 41 - Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). 42 - E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

Pescar mulheres e homens

Os futuros discípulos devem ter ficado fascinados com a pessoa de Jesus Cristo. Deixam João Batista para trás e seguem Jesus que, de pronto, lhes pergunta: - Estão buscando o quê? Sua resposta é rápida: - Queremos ir contigo para Tua casa! Notem que a atração que Jesus exercia fica evidente, uma vez que eles O seguem sem fazer muitas perguntas. É interessante notar que os futuros discípulos até lembraram o horário em que o convite aconteceu: “a hora décima” (João 1.39) Observe-se ainda que, num primeiro momento, Jesus chama quase só pescadores para dentro do Seu Projeto de Paz, Amor e Perdão. Ele lhes disse: “Eu vos farei pescadores de homens”. (Marcos 1.17)

A profissão de “pescadores de mulheres e homens” não é só dos apóstolos, do clero e daqueles que têm algo a ver com pastorais deste ou daquele quilate. Todos nós que um dia fomos batizados e confirmados na fé, que já dissemos um sim para Jesus Cristo temos a “licença carimbada” para ganharmos homens e mulheres para Deus, no grande rio da vida. “Ganharmos” pessoas para Jesus Cristo... A tradução correta para esta palavra deveria ser: “colocar em segurança”. Há um sem número de pessoas paradas e até circulando a margem do abismo que precisam ser resgatadas, colocadas em local seguro. São gentes desesperadas, desesperançadas, jogada às traças.

Mas como é que conseguiremos ganhar, “colocar estas pessoas em segurança”? Não com métodos questionáveis (altos níveis de emotividade fabricada); com truques fora de contexto (testemunhos mirabolantes); com argumentações baratas (teologia do medo), mas sim com uma orientação que não se afaste da dinâmica traçada pelo próprio Jesus quando este salvou pessoas. Jesus salvava-as a partir da Sua força, da fascinação que brotava da Sua mensagem e da Sua pessoa. A Boa Nova que Ele proclamava era como um magneto que fazia com que as pessoas se aproximassem Dele.

Conclusão

Nós só conseguiremos “pescar” pessoas para Deus no momento em que nós mesmos nos permitirmos sermos “pescados” por Ele. Primeiro temos que cair na Sua rede, “mordermos” Sua isca. O peixe simboliza a pessoa que tem fé, que morde na “isca” colocada por Jesus.

Lancemos o anzol nas águas. O método mais eficaz de pesca é o do bom exemplo. Não nos resignemos se nenhum “peixe” morder nossa “isca”. Já notaram que os pescadores sempre são pessoas pacientes? E mesmo que durante nossa trajetória pesquemos um só “peixe”. Já imaginaram se este “peixe” se inserir no projeto de pescar outro, outros? Boa pesca!

OLHA SÓ!

  A BAILARINA DE AUSCHWITZ Outro dia, após repartir algumas dificuldades com uma amiga, fui desafiado a ler o livro “A Bailarina de Auschwit...