Busque Saber

28.4.10

Paciência e fé!


Outro dia, na praia da Ilha de Patmos, o vidente João teve visão desta figura absurda, grotesca, hedionda e ridícula que sempre de novo mexe com a mente de muitas pessoas (Apocalipse 13.1-10): o Anticristo. Trata-se de um monstro com patas enormes; boca grande, agilidade felina e violência brutal. Trata-se de uma “figura” que consegue subir ao topo do mundo por causa de uma competência sem igual (2). Logo fica claro que se trata de uma “cópia” da morte e da ressurreição de Jesus Cristo (3). Essa “figura” acaba sobrepujando todas as listas de imitadores de Jesus Cristo; ela até se permite celebrar como salvador e bem-feitor do mundo. Pessoas de todas as nações, de todas as classes sociais, o louvam por causa dessa postura. Do seu lado (11), para auxiliá-la, se encontra o “profeta” mentiroso; o “propagandandista”; o “chefe” de uma igreja cujo culto tem o objetivo de idolatrar o Estado. É ele quem fomenta a crença; a adoração do ídolo como homem ideal. Sim! O Anti-Cristo e a Anti-Comunidade são uma farsa terrível que, com suas forças, objetivam fazer acontecer salvação, a partir de uma paródia (imitação cômica) de Deus. É hora de nos darmos conta da atualidade aterrorizante: O Inimigo de Deus agirá como o benfeitor da humanidade; como o salvador que encaminha o mundo a experimentar a felicidade. Quem é ele? Nós temos o seu misterioso número 666 (1.8) que, diga-se de passagem, sempre de novo é lembrado nos grandes momentos históricos e também nos contemporâneos: Nero, Domiciano, Napoleão, Hitler e Stalin já foram enquadrados. É de se perguntar por que este Anti-Cristo não se deixa identificar claramente (1 João 2.18). Só podemos dizer que seis é a metade de doze, o número da perfeição. Três números seis, um ao lado outro. Ele quer superar o que é perfeito, e mesmo assim sempre é meio, sempre está abaixo do que é perfeito. Só os fiéis sabem disso. A Comunidade está alertada para não cair nesta armadilha: O mundo pode ser desconcertado com a alegria e o entusiasmo, mas a cristandade não se deixará levar pela onda. Ela vai ficar firme. Não existe salvação em nenhum outro a não ser em Jesus Cristo. Pois é justamente aqui neste ponto que fica evidente a paciência e a fé dos santos. (10).

26.4.10

Optar pela vida!


O tanque ao lado da Porta das Ovelhas está lotado de gente doente que espera por cura (João 5.1-10). Cinco pavilhões protegem aquela gente do sol e da chuva. Ali vai um cego tateando entre as colunas. Lá uma mulher magra se debate quase que pedindo desculpas por continuar vivendo. No meio de tudo estão pacientes sobre cobertas e macas à espera do momento em que a mão do anjo vai mexer a água que traz a cura para suas enfermidades. O primeiro que mergulhar no tanque deverá experimentar saúde. Lá num canto está deitado um sujeito que é só pele e osso.

Ele está doente há 38 anos. Os sacerdotes dizem: “Colheu o que semeou!” Será que esta palavra é consoladora? O tal sujeito não tem a mínima chance de ser o primeiro a entrar no tanque. Os mais fortes sempre conseguem chegar antes na água. Para conseguir seu intento eles não têm escrúpulos e até usam os cotovelos. Será que ele ainda pensa em experimentar saúde? Será que ele já não se resignou com sua dor? Quando Jesus lhe dirige a palavra ele reclama: “Não tenho ninguém que me ponha no tanque”. Porque ele se encontra sozinho ali? Será que seus parentes estão todos mortos?

Será que ele escolheu falsos amigos que só sabem festejar juntos quando é tempo de sol; que se escondem quando é tempo de chuva? Será que durante sua vida ele só pensou em si? Será que sua autocomiseração e suas queixas excessivas não espantaram as poucas pessoas que tentaram se ocupar com ele? Jesus não dá a mínima atenção às suas queixas e lhe diz: “Queres ser curado? Então levanta e anda!” O doente do texto de João opta pela vida. Mesmo que ele não tenha uma prova para a sua cura em mãos, ele experimenta levantar-se. Ele está sadio. Ele se entendia como uma pessoa sem chances, pelo fato de não ter amigos que o carregassem no colo. Esse pensamento estava errado. Deus não o havia esquecido. Jesus tinha vindo até ele.

Ninguém de nós precisa caminhar só. Jesus está aí para nós. Ele limpa a nossa vida das manchas escuras e, junto, nos abre uma janela: “Não peques mais!” (14) Isso é mais do que um bom conselho; é muito mais do que uma ordem, mas trata-se de uma promessa também para mim e para ti.

23.4.10

Alto preço!


Outro dia li no jornal que uma mulher, financeiramente bem situada, perdeu todos os seus bens. Como? O jornal informa que ela, num momento de crise existencial, de grande aflição, optou por buscar aconselhamento numa “empresa esotérica”. Este tal “aconselhamento amoroso e competente” custou-lhe a quantia de R$ 98.280,00. O que será que leva uma pessoa a agir assim? O fato é que muitos tentam anular os problemas e os conflitos com grandes somas em dinheiro. Quem age assim está desesperado em busca de paz para a sua vida. Aqui parece que o princípio: “O que não é caro, não vale a pena” dita as regras. Muito me disse a leitura de Lucas 8.42-48...

43. E certa mulher, que tinha uma hemorragia havia doze anos e gastara com os médicos todos os seus haveres e por ninguém pudera ser curada, 44. chegando-se por detrás, tocou-lhe a orla do manto, e imediatamente cessou a sua hemorragia. 45. Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem. 46. Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder. 47. Então, vendo a mulher que não passara despercebida, aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, declarou-lhe perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como fora imediatamente curada. 48. Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.

O texto acima fala de uma mulher que viveu situação semelhante à que gastou quase R$100.000,00 para encontrar uma possível saída. A sra. retratada no Evangelho de Lucas gastou todo o seu dinheiro com médicos, mas a cura que buscava não veio. Quando ouviu falar de Jesus, pôs-se a caminho. No meio da confusão, do burburinho, tocou nas vestes do Filho de Deus e foi curada. Este ato não lhe custou sequer um centavo. A Bíblia ainda diz que de Jesus saiu uma “força”, um poder.

Hoje em dia continua sendo assim que a maioria das pessoas crê mais naquilo que se compra com dinheiros. Não se crê com facilidade na força, no poder de Deus que brota de Jesus Cristo. Talvez isso seja assim porque a cura promovida por Deus seja gratuita. Para se apossar da mesma não há como pagar, mas recebê-la humildemente como um presente. As pessoas que estendem suas mãos para pegá-la acabam experimentando milagres, curas e salvação em suas vidas. Isso é assim porque elas crêem em Jesus. Se elas são pobres ou ricas, isso não entra em questão.

15.4.10

Decepção!


Outro dia,
caminhando,
vi toscos de madeira.

Transformaria,
sonhando,
aquilo numa cadeira.

Alegria,
suando,
sobremaneira.

Empatia,
acontecendo,
a hora inteira.

Entretecia,
perigando,
na longa esteira.

Anoitecia,
entristecendo,
aquela clareira.

Escurecia,
lacrimando,
com tanta asneira.

12.4.10

Homero Severo Pinto


Eram os anos setenta. Estávamos jovens e, pelo menos duas vezes ao ano, nos encontrávamos para articulação de momento novo. Foi assim que crescemos para dentro da década de 80. Nunca trabalhamos juntos num mesmo Distrito Eclesiástico, Região Eclesiástica ou Sínodo - o Homero e eu. Lembro do seu jeito simpático, simples de ser. Seus olhos sempre brilharam quando dos nossos encontros oficiais e extra-oficiais. Ao meio dia não tinha conversa: radinho na orelha para ouvir esporte colorado na Rádio Guaíba, mais tarde Gaúcha.

Afastamo-nos... Encontramo-nos cada vez menos... Lembro que conversamos ao telefone em meados de 2006. No outro lado da linha falava o vice-presidente da IECLB que me ouviu; deu-me sugestões; tratou-me com o mesmo carinho de outrora. Vi-o mais grisalho, amadurecido, em Curitiba (PR) quando da Convenção de Ministras e Ministros. Suas falas e seus atos tinham um leve tom de campanha política para ser o presidente dessa Igreja na qual investimos nossas vidas. Compartilhou que, ainda guri, quase foi ser padre, mas que, graças a Deus, certa bela prenda, o animou, o canalizou ao pastorado. Sim, meu amigo continuava alegre, cheio de humor, sorridente, solícito.

Faz alguns meses, em outubro, festejamos a Reforma Luterana em Joinville (SC). Nosso pastor Homero repartiu enfoques sobre o mais nosso Lutero. Palavra fácil de ser compreendida, empreendida. Nos últimos meses precisou ir à África. Que pena! Ficou doente, acamado, diariamente lembrado nas orações daquelas e daqueles que vivem, que se alimentam da esperança. Ouço e leio que sua família luta junto atrás de uma bandeira re-simbolizada com rosa branca.

Levanta Homero. Caminha de novo. Abraça tua esposa, teus filhos, teu netinho que vem. Te aquenta nessa Comunidade que também tem teu cheiro, porque erguida com ferramentas “Made in Brazil”. E tu, vivente... Sim, tu que escondes malícia nos sulcos do rosto enquanto pensas em caminhos aplainados. Cuidado! Deus tem planos que perpassam os aramados e tu bem podes não ser o tal convidado...

9.4.10

Mãe – veste teu vestido bonito!



Sai incomodado da nossa reunião. Enquanto viajava pelas estradas de Santa Catarina ainda ouvia no fundo do meu ouvido a voz daquele participante que reclamava em alto e bom tom do descaso da nossa IECLB com o tema “comunicação”. Sim, sim, sim... Temos irmãs e irmãos dando tudo de si em prol da “vitrine” do Portal Luteranos. No Jornal Evangélico, no Jornal O Caminho e nas outras tantas publicações paroquiais e sinodais que se multiplicam no nosso território brasileiro também há pessoas engajadas nesse processo, mas isso não basta. Algo precisa ser feito. Ficar na minha ou chamar mamãe pro diálogo?... Daí que decidi tentar “não apenas sofrer a história”.

Ô mãe! Tu sabes que eu gosto de Ti. Todos nós gostamos de Ti. Eu, por exemplo, Te sou muito grato por ter sido parido por Ti, cuidado por Ti, lapidado por Ti. Tu estás sempre tão ocupada com tantos assuntos... Tu te dás conta que minhas irmãzinhas e meus irmãozinhos não ultrapassam o número 715.000. Outro dia o irmãozinho Leandro me passou que representamos menos de 0,5% da população brasileira e que crescemos num ritmo inferior ao do nosso país. Pode isso mãe?

Mãe! Por favor! Por um momento, pára de lavar toda esta roupa. Escuta! Tu não podes continuar te comportando de forma tão amadora. Tinhas rádios AM e FM e até uma gravadora sob teu comando. Ah sei! Foram os meus irmãozinhos que não souberam administrar aqueles projetos a contento? Tu amas a eles como amas a mim e estás deixando pra lá, presenteando teu perdão a eles. Ta bom! Sabe, as vezes carrego a impressão que tentas esquecer o teu passado te ocupando com esta roupa suja. Porque Tu não pões um vestido mais bonito e Te mostras no “mercado”?

Sabe mãe, eu cresci orgulhoso de Ti. Nas Comunidades por onde passei sempre abri o peito apontando pra Ti, pra Tua beleza, pro Teu perfil engajado. Lembras de quando Te cercavas de Secretários de Comunicação? Sete ou oito dos meus maninhos ocuparam esta tarefa. Lembro que eles plantavam notícias nos jornais. Eles doavam a sua vida pra Ti. Tu eras bem mais conhecida na nossa vizinhança. De repente, não sei por que, acabaste com a “festa”. É por que eles estavam saindo caro? Oh mãe! Eu não consigo acreditar que é por que eles conseguiam muito poder com o título que lhes davas...

Vamos lá mãe! Tua liderança vai mudar nos próximos meses. Estou ouvindo ventos de campanha política aqui e ali e Tu aqui, escondida, atrás deste tanque de cimento, debaixo da sombra deste plátano. Noto tuas mãos surradas de tanto esfregar estas “fraldas”. Vamos, tira esse “avental” velho e molhado! Eu Te ajudo a comprar, a instalar uma lavadora. Tens que Te comunicar, dialogar mais com as Tuas lideranças mãe. Para que esse povo que se doa venha a gostar de Ti, sem esperar nada em troca, ele precisa, primeiro, Te conhecer; saber quem Tu és; como Tu és; como Tu pensas...

Se minhas irmãzinhas e meus irmãozinhos crescerem longe de Ti; dos Teus conceitos; das Tuas posições e das Tuas propostas eles também não vão aprender a Te amar; vão crescer marcados por misturas teológicas. Sim, eu sei que Tu sabes do que estou falando. Mãe! Sai daí! Vêm! O mundo está exigindo outra postura de Ti no que tange à Comunicação. Vai! Veste aquele vestido bonito que a dona Teologia Te costurou. Mostra Tua simpatia na rua. Estás tão conservada. Fala do Evangelho, da Boa Nova de Jesus Cristo, com mais ousadia. Investe em recursos para a boa comunicação desta família bonita da qual és, continuas sendo Mãe.

Minha oração pelo Caminho!



Senhor Deus! Estamos olhando pra trás. Faz 25 anos que um vento animador soprou sobre esta região. Era Teu aquele vento que desinstalou lideranças encasteladas nos seus espaços para ousar momento novo; fazer acontecer mais vida e mais alegria a partir da comunicação escrita. Somos-Te gratos por aquelas mulheres e aqueles homens que se permitiram embalar pelo Teu sopro, pelo Teu vento e isso, noite e dia. Foi Tua vontade o surgimento do Caminho, esse canal de luz e amor que ora sempre foi colorido com parágrafos brandos, animadores, consoladores edificadores e ora também sempre foi tinturado com frases críticas, desafiadoras, curadoras. Obrigado por esses 9.125 dias. Obrigado por estas mulheres e estes homens que escreveram; que aclamaram; que decidiram “não sofrer e sim escrever história”. Obrigado pelo consolo que brotou de dentro das páginas deste jornal igrejeiro. Entregamos-Te nas mãos a nossa vida; esta festa; este momento. Consagra-nos; enche-nos de paz física e espiritual; continua a derramar do Teu amor e da Tua alegria sobre nós Senhor... E ouve nossa oração... Pai nosso que estás nos céus...

OLHA SÓ!

  A BAILARINA DE AUSCHWITZ Outro dia, após repartir algumas dificuldades com uma amiga, fui desafiado a ler o livro “A Bailarina de Auschwit...