24.5.14

FOFOCA

Hoje me caiu na vista a palavra de Tiago 4.11: Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Refleti sobre a mesma e nasceu o texto abaixo.

A palavra “fofoca” não está contemplada nesta tradução do Grego para o Português. No entanto, a palavra acima nos desafia a não escandalizarmos e a não caluniarmos quem quer que seja. Ela é uma palavra clara, uma vez que atitudes que denigrem o próximo são completamente condenáveis. Quem faz fofoca não almeja outra coisa do que obscurecer; colocar a vida da irmã e ou do irmão em maus lençóis; tornar mais fraca a pessoa que se quer atingir. Noutras palavras: Quem faz fofoca carrega más intenções no seu coração e, junto, mostra falta de coragem para resolver suas questões numa conversa frente a frente com a pessoa que o incomoda. É interessante observar que toda a pessoa que faz fofoca não quer que seu nome seja mencionado.

Outro dia li o diálogo de duas senhoras num livro: Uma delas teria dito para a outra: - A Júlia me disse que você comentou com ela a respeito daqueles detalhes que eu reparti contigo sobre ela. Você não lembra que eu te pedi encarecidamente para não contar nada? A outra senhora reagiu dizendo: - Como a Júlia é maldosa. Na oportunidade eu exigi dela que não contasse nada para ti sobre aquilo que eu tinha contado a teu respeito. A colega retrucou: - Pois é! Eu também falei para a Júlia que eu não contaria nada para ti sobre o conteúdo que ela me falou. Por favor! Não conte para ela isso que eu lhe falei!

No mundo em que vivemos existem bem poucas pessoas que nunca disseram ou dizem algo negativo sobre os outros. Conheço pouquíssimas pessoas que não fazem fofoca e admiro-as por causa disso. Uma delas me confidenciou que, se num dado momento, ela não tem nada de bom para dizer a respeito da outra pessoa, então ela se esforçará para não emitir nenhuma palavra; nenhum juízo de valor. Outra pessoa me afirmou que sempre tenta descobrir na irmã ou no irmão algum detalhe que lhe possa lembrar a pessoa de Jesus Cristo. Uma terceira pessoa tentou falar algo negativo sobre alguém e aí ela mesma quebrou sua linha de pensamento dizendo: Não! Isso que eu iria dizer não seria construtivo!

Paulo ouviu dizer que na Comunidade de Corinto havia discórdias. Ele chamou as pessoas que se desentendiam para um diálogo e, junto, escreveu uma carta deixando explícito que ficara sabendo daqueles desentendimentos através da família de Cloé (Pois, meus irmãos, algumas pessoas da família de Cloé me contaram que há brigas entre vocês. (1 Coríntios 1.11)). Com certeza esta família não fez fofoca para Paulo, mas só o informou do acontecido com o objetivo de que o problema fosse solucionado.

O apóstolo também escreveu uma carta muito intensa onde citou Himeneu, Alexandre e Fileto (Entre elas estão Himeneu e Alexandre, que eu já entreguei a Satanás para que aprendessem a não blasfemar mais (1 Timóteo 1.20)). (As coisas que os falsos mestres ensinam se espalham como a gangrena. Dois desses mestres são Himeneu e Fileto (2 Timóteo 2.17)). Ora, estes homens estavam destruindo a Igreja com suas conversas dúbias, daí que Paulo usou o referencial da verdade para colocar tudo em pratos limpos.  

Paulo também pediu que Timóteo tivesse cuidado com Fígelo, Hermógenes e Demas (Você já sabe que todos os irmãos da província da Ásia, inclusive Fígelo e Hermógenes, me abandonaram (2 Timóteo 1.15)). (Pois Demas se apaixonou por este mundo, me abandonou e foi para a cidade de Tessalônica (2 Timóteo 4.10)). Notem que Paulo abdica de ter estes homens perto de si, pessoas que já tinham andado nos caminhos cristãos, mas que, no momento, estavam “largando a mão do arado e olhando para trás”. Isso não era fofoca. Era uma chamada para as pessoas cristãs que estavam unidas no combate ao mal dentro da sua Comunidade Cristã.


Para terminar, conta-se que um pastor possuía um caderno preto. Toda vez que uma pessoa o procurava para contar fofocas, ele pegava o referido caderno nas mãos e ouvia a mesma. Terminadas a história, ele dizia que iria anotar todas aquelas informações no referido caderno e que, depois, pediria que a pessoa assinasse o escrito. Uma vez assinado o referido documento, ele o levaria para a pessoa que tinha sido a razão daquela conversa. Sabe-se que tal pastor nunca conseguiu escrever uma página sequer no tal caderno.  Reflitamos sobre isso!