1.1.07

Eu já sabia!


O dia 1° de janeiro de 2007 amanheceu um tanto sombrio e ventoso. As árvores desnudas permitem o balanço de seus galhos, numa espécie de submissão ao vento contínuo. Já a festa que ontem coloriu o céu com fogos de artifício durou exatamente uma hora. Nós curtimos a beleza da noite de uma das janelas do apartamento da colega Erika, onde estamos hospedados. Aliás, tais atitudes como "ceder lugar", não são muito comuns. O fato é que estamos alegres e, agora, desta mesma vidraça, posso observar o vigia que passeia pelos corredores da "Neue Pinakothek" onde, ao fundo, com um pouco de esforço, observo dois dos quadros pintados pelo amigo de Lutero, Lucas Cranach.
Nossa mudança se foi dentro de uma mala de ferro sobre rodas. Amanhã ou depois estará empilhada com outras, num grande navio com destino à costa brasileira. E nós aqui, permitindo que o tempo nos enrede com pensamentos e saudades. Ah o amor! Eu já sabia disso. No entanto, pude aprender melhor o seu significado nestes últimos seis anos que aqui vivi. O ato de amar desenvolve-se dentro de um sistema dinâmico. Este, com o tempo, vai promovendo subsídios e gerando forças para que se creça na pespectiva de, um dia, desligar-se do "objeto" amado.

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