Busque Saber

31.7.07

Uma lenda!

Era uma vez um casal que vivia muito feliz, n'alguma das cidades do planeta terra. Os dois se amavam e sempre repartiam das suas alegrias e tristezas, um com o outro. E assim, desse jeito, viveram felizes durante muitos anos, até que um dia descobriram um velho livro empoeirado no sótão de sua casa. Nele estava escrito que lá no fim do mundo havia um lugar onde a terra e o céu se tocavam. Que naquele lugar a gente podia encontrar a grande, a maior felicidade que se pode experimentar em vida.

Organizaram-se, trabalharam muito e deram jeito em todos os dinheiros necessários para então ir em busca desse mágico lugar. Decidiram que iriam encontrá-lo, custasse o que custasse. Viajaram o mundo todo à procura do mesmo. Suportaram todas as dificuldades que uma viagem dessas proporções exige. Sim, tinha que valer a pena. Eles tinham lido que, nesse lugar havia uma porta na qual a gente só precisava bater, entrar e já se estaria envolvido, encharcado da enorme felicidade. Demorou, mas acabaram chegando ao tal objetivo. Bateram à porta e, com o coração batendo cada vez mais forte, observaram ela ir se abrindo, devagarinho, bem devagarinho.

No que adentraram no recinto, pararam estupefatos. Não é que estavam dentro da sua própria casa! O seu lar estava tal e qual como eles o haviam deixado antes da partida, em busca do lugar onde a felicidade completa podia ser achada. Ah! Desculpe! Na verdade não re-encontraram o seu lar como o tinham deixado! Nele havia uma nova porta que conduzia para o pátio e esta, estava aberta, escancarada.

Foi então que entenderam que o lugar onde o céu e a terra se tocam e onde se pode encontrar a felicidade integral é aqui mesmo, bem pertinho de nós, na nossa vizinhança. Nós só precisamos abrir a porta da nossa casa. Sair para a rua e iremos participar da vida que o nosso próximo vive e, depois, permitir que ele, o próximo, participe também da nossa.

30.7.07

13 de maio de 1973


Como vocês todos sabem, estou exercendo meu pastorado em Joinville – SC. Meu gabinete está quase arrumado. Precisei abrir velhas caixas, rever antigos documentos e, de repente, caiu-me na mão uma folha de papel amarelada onde, há 34 anos atrás, rascunhei a meditação intitulada "a Bíblia", que reparti naquele sábado, dia 13 de maio de 1973, com os jovens da Juventude Evangélica de Santa Cruz do Sul – JESC. Na época eu tinha 19 anos e já era mecânico numa oficina de automóveis de fundo de quintal, desde os 13. Tinha parado com meus estudos no 1° ano do segundo grau. Voltaria aos estudos em março de 1975, em Ivoti – RS. Interessante como o tempo nos faz crescer na fé...

A Bíblia

"Somos jovens do século XX. Calça Lee, Top desbotada é o nosso grito de guerra. Se arranco um bolso traseiro dela significa que quis gritar bem alto para alguma coisa que acontece. Queremos ser alguém útil. Procuramos alguma coisa do nosso lado. Vamos jogar voley, futebol de salão e isso nos faz bem. Trabalhamos com afinco nas firmas para nossa próxima excursão e tudo é alegria.

Temos planos em mente e tentamos trazê-los para dentro da nossa turma. Queremos ser gente alegre e por isso todos nós vamos ver “Love Story” hoje à noite. Quando voltarmos, cairemos na cama e se não estivermos muito cansados, seremos obrigados a fazer um retrospecto do dia que passou para, finalmente, chegarmos à conclusão de que não encontramos aquilo que procurávamos.

Queremos dormir mas o pensamento nos pesa. O trabalho, os divertimentos, a alegria, a garota de quem gostamos, os meus amigos e amigas – eu preciso deles todos mas e daí? Quantos minutos por dia a bíblia ocupa lugar em nós?... “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça
”".

18.7.07

A ESSÊNCIA DA IGREJA

O papa andou dizendo algumas "pérolas", recentemente. Daí nosso presbitério pediu-me que eu reagisse com uma prédica no Culto do domingo, dia 15 de julho de 2007. Resolvi compartilhá-la com vocês. Comecei-a assim...

...A Congregação para a Doutrina da Fé da Igreja Católica Apostólica Romana publicou, recentemente, um documento, intitulado "Respostas a dúvidas sobre alguns aspectos relativos à doutrina sobre a Igreja". Nele está explícito que a "Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica". Ou seja, sustenta-se no referido documento que a Igreja Católica seja a única Igreja no mundo que possui "todos os elementos" da Igreja instituída por Jesus. Não concordamos com isso e, para deixarmos bem clara a nossa posição, meditaremos sobre o texto de Mateus 16.13-20 que passo a ler...

16.13 - Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? 16.14 - E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. 16.15 - Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? 16.16 - Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 16.17 - Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. 16.18 - Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 16.19 - Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. 16.20 - Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

PEDRO E SEUS SUCESSORES

No texto, Jesus dialoga com seus discípulos. Pedro é destacado por Jesus como um símbolo, como uma pedra sobre o qual a Igreja cristã deve ser construída. Se usa e se abusa desta passagem para sustentar a figura do papa, aquele que tem o poder para manejar as “chaves” que ligam e ou desligam pessoas dos céus.


Nós luteranos compreendemos esta Palavra Bíblica de forma bem diferente. É pela fé em Jesus Cristo que podemos chegar a Deus e isso, sem qualquer intermediação de representantes. Para nós, Jesus Cristo é o sujeito principal da Igreja e ponto final. Nós cremos que a Palavra que Jesus dirige a Pedro em Mateus 16.18b “... tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...” , é direcionada para a Igreja em sua pluralidade. Tu és pedra, eu sou pedra, nós somos pedra, a Paróquia São Mateus é pedra...



Nós evangélicos não vemos fundamento bíblico para a hierarquia eclesiástica histórica e automática. O critério para seguir-se a Jesus Cristo é confessá-lo tal como Pedro o fez quando disse “...Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo...” (Mateus 16.16b). Pedro não é e nunca foi critério para chegar-se ao Reino de Deus, muito menos os ditos seus sucessores. Notem que logo depois desse diálogo, Jesus dá uma bela chamada no seu discípulo: - “Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Mateus 16.23). Essa reação de Jesus foi necessária porque Pedro trocou as mãos pelos pés quando quis influir o Filho de Deus a afastar-se do caminho que leva à cruz. Resumindo, Pedro não é e nunca foi a base sobre a qual edificamos a nossa fé. Ele precisa ser visto, isso sim, como um exemplo de compromisso cristão, nada mais. A única base posta para a Igreja é Jesus Cristo. Outro fundamento simplesmente não existe.


Quem leva Jesus a sério em sua vida, já agora está livre de pecado e de culpa. Martin Luther sublinha isto quando escreve: “À Igreja de Pedro não deve mais ser permitido decidir sobre o futuro das pessoas e dos povos . Ela não deve mais amedrontar às pessoas. Não lhe cabe dominar e nem tampuco provar a fé das pessoas.” Vamos e convenhamos: muitos dos que já se sentaram na cadeira papal não foram bons exemplos para a cristandade.

A Igreja sempre só vive do testemunho de umas poucas mulheres e de uns poucos homens simples que procuram viver uma fé viva e, assim, espalhar do “bom perfume” de Cristo na sociedade em que vivem. E isto, um papa também pode e deve: ser uma testemunha do Cristo vivo, nada mais.


Confessar a fé não é brinquedo, não é coisa simples. É uma constante labuta no sentido de libertar-se da corrida desenfreada atrás do dinheiro e de outros deusinhos menores; é um constante libertar-se cada vez mais da desta idéia rasteira de querer chegar-se mais perto de Deus, usando-se para tal pessoas renomadas como ponte para tal intento; é um constante focar-se na pessoa de Jesus Cristo.


Por isso é imprescindível que exercitemos nossa prática cristã orando, meditando, louvando, cantando, dançando e festando sempre lá onde as pessoas se encontram. Toda pessoa batizada, seja ela papa, bispo, pastor, mecânico, padeiro, professora, dona de casa, jovens, crianças, idosos ou quem quer que seja, está chamada a viver debaixo desta verdade.


CONCLUSÃO



A Igreja é plural e isso, desde o Novo Testamento. Um conceito evangélico para unidade da Igreja pode ser lido no artigo VII da Confissão de Augsburgo que eu copiei no programa do nosso culto. Vamos lê-lo?... "Ensinam outrossim que sempre permanecerá uma santa igreja. E a igreja é a congregação dos santos na qual o evangelho é pregado de maneira pura e os sacramentos são administrados corretamente. E para a verdadeira unidade da igreja basta que haja acordo quanto à doutrina do evangelho e à administração dos sacramentos. Não é necessário que as tradições humanas ou os ritos e cerimônias instituídos pelos homens sejam semelhantes em toda a parte. Como diz Paulo: Uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos", etc. (Efésios 4.4ss.)

Enfim, creio que nossa tarefa como Igreja Reformada implica em nunca abrirmos mão de três pontos:

Da mensagem de Justificação: Nossa culpa não tem a última palavra. Deus nos ama – não importa de onde viemos e o que valemos. Temos que divulgar isso ao mundo que leva tanto em conta o que se é, o que se faz e o que se tem.



Da mensagem da Liberdade Cristã: Nós não estamos debaixo de ordens clericais. Para nós a Igreja é advogada da liberdade e, como tal, responsável pela divulgação desta idéia de liberdade no mundo inteiro.

Do Sacerdócio Geral de todos os Crentes: Conforme a “Theologische Erklärung von BARMEN 1934” (Esclarecimento Teológico de Barmen – 1934) entendemos a "Igreja como a Comunidade de irmãs e irmãos". Nela não existe relações hierárquicas. Sua estruturas não dominam de cima para baixo e nela não há diferenças entre sacerdotes e leigos. O mundo é o lugar onde a cristandade vive o seu dia-a-dia; onde ela vive o seu chamado e a sua profissão. Amém!

11.7.07

A ovelhinha pouco esperta!


Era uma vez uma ovelhinha. Sua lã era grossa e vistosa. Ela tinha muitas irmãzinhas e muitos irmãozinhos no rebanho. Acordava sempre disposta pela manhã. E lá ia ela, cantarolando, pastar bom pastinho ali naquele espaço, sempre tão bem cuidado pelo seu pastor. Ela conhecia a sua voz. Nas horas difíceis, ele sempre estava do seu lado a cuidar dela. Coisa boa poder experimentar daquela paz sem fim, ali, junto daquele rebanho.

O gramado onde sempre pastava grama macia não tinha cercas. A sua liberdade para fazer passeios com a turminha que conhecia tão bem, era ilimitado. Um dia, meio escondidinha, ousou afastar-se um pouquinho do espaço onde sempre se locomovia. Seu pastor não esperava uma tal atitude sua. Não demorou nada e ela já estava no meio de um outro rebanho de ovelhinhas, ali das cercanias. Elas eram pastoreadas por um outro pastor. A sua voz era diferente, um pouco mais rouca, talvez. Naquele novo grupo de ovelhinhas, todas tinham um outro jeito de conviver entre si. Quando baliam, sempre levantavam a patinha dianteira. Elas também ficavam de orelhinhas em pé, quando das refeições. Puxa! Como aquele novo jeito de ser era bonito e importante – pensava ela.

Quando o dia estava quase acabando, ela voltou para junto da sua turminha. Ali estava segura. Era querida e conhecida por todos. Foi dormir mas, naquela, noite o seu sono não foi muito reparador. Acordava a toda hora com desejos de também levantar sua patinha quando soltava o balido, de também levantar suas orelhinhas na hora de comer. Dito e feito! No outro dia começou a falar das novidades que tinha aprendido logo ali, naquele outro pastinho. O rebanho a ouvia um tanto desconfiado. Será que levantar a patinha e as orelhinhas poderia contribuir para uma maior felicidade na sua vida? As ovelhinhas mais experimentadas entendiam que não.

O tempo passou e a ovelhinha acabou mudando de rebanho. Optou em ser feliz por fora, enquanto ensaiava um outro jeito de ser. Essa opção, no entanto, a fez cada vey mais infeliz por dentro. Ela não era mais a mesma. Doía-lhe o interior do coraçãozinho por causa do afastamento das amiguinhas que conhecia tão bem, desde o tempo do seu nascimento. Os dias e os meses foram passando e a felicidade não aumentava. Antes pelo contrário, diminuia. Mas ela foi ficando ali, sempre de novo ouvindo a voz rouca do seu novo pastor.

OLHA SÓ!

  A BAILARINA DE AUSCHWITZ Outro dia, após repartir algumas dificuldades com uma amiga, fui desafiado a ler o livro “A Bailarina de Auschwit...