Busque Saber

25.11.09

Nós - Quase deuses!


O albatroz bem que poderia ser coroado o rei dos ares sobre as águas do mar. Suas asas, de uma ponta até a outra, medem dois metros. A sua orientação é impressionante. Diz-se que é mais eficaz que os satélites que orientam os aviões em pleno vôo. Estas aves têm uma capacidade de prever o tempo como ninguém. Nada as surpreende no mar. Elas sabem o que pode acontecer depois da calmaria. Chegam a detectar tempestades a trezentos quilômetros de distância. São fiéis às parceiras e ou parceiros por toda a vida. Sempre que se encontram, promovem uma dança sensual. Logo depois que nasce um filhote, trabalham duro durante cinco semanas para buscar alimento dos lugares mais distantes. Afirma-se que a soma destes alimentos daria para abastecer um mercado de peixes. Aqui, sugiro a leitura do Salmo 8...

8.1 - Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade. 8.2 - Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador. 8.3 - Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, 8.4 - que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites? 8.5 - Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. 8.6 - Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: 8.7 - ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; 8.8 - as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares. 8.9 - Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!

Tal exemplo do mundo animal me deixa estupefato. Fico a pensar: se uma ave é capaz de fazer isso, imagine a mulher e o homem, a “coroa da criação” de Deus. Nós, mulheres e homens, fomos presenteados por Deus com qualidades bem mais complexas que as do albatroz. Diz a Bíblia que, no passado, a nossa relação com o Criador foi harmoniosa; que ela foi quebrada pelo primeiro casal que se desviou de Deus; que, de lá para cá, o ser humano tem procurado voltar a reviver este momento original, mas sem sucesso.

Que desgraça. As coisas foram se complicando e, ao invés de usarmos nossas complexas qualidades para articularmos obras de amor, preferimos depredar o mundo, a criação de Deus. Muitos cristãos que deveriam pôr a mão na massa contentam-se em estudar a Bíblia, dar testemunho com base no “um mais um”. E o mundo segue caminhando ladeira abaixo. Se nós não apontarmos o dedo, não nos engajarmos em propostas de melhoria, as pedras haverão de fazê-lo, como bem escreveu o evangelista Lucas (3.8). Prestem atenção neste filme que vamos projetar! Tocar o clipe do Michael Jackson... http://www.youtube.com/watch?v=oJEqJ9yALx8

O artista cantor recém falecido se pergunta: O que fizemos com o mundo? Cadê as mulheres e os homens para darem um basta nesta história? Estamos aqui. Você! Eu! Nós, assessorados pelo Filho de Deus que veio como homem a este mundo com o intuito de salvá-lo; de acabar com a desgraça reinante a nível familiar e comunitário. Quem crê em Jesus Cristo. Quem aceita o perdão que Ele alcança experimenta um novo nascimento, um renascimento espiritual que é promovido pelo Espírito Santo. Uma vez renascidos temos acesso a vida com Deus já aqui e agora. Temos interesse em fazer parte da nova criação que Deus já veio promover? Sim? Então levantemo-nos!

Somos mais do que pele e osso, mais do que um “saco de vermes” (só pra chamar Martin Luther na conversa). Temos mais valor do que os míseros R$ 4,00 que se apregoa por aí. Deus nos salvou. Ele nos chamou pelo nosso nome quando, através do profeta Isaías, disse “Tu és meu” (Isaías 43.1). Esse chamado para engajamento vale para todas as pessoas, também para quem está se sentindo à margem neste momento. Se reagirmos a este chamado, ahhhh, mas com certeza vai haver conseqüências. Nós mudaremos. A força da nossa mudança trazer incentivo a terceiros. Jogaremos como um time, o time de Deus, onde não se dá bola pra cor da pele, pra nacionalidade, pra religião e ou outros probleminhas a mais. Você não está a fim de escrever a história? De parar de sofrer a história - como dizia um amigo meu?

20.11.09

O meu lar!



Intitulei minha prédica para este último domingo do ano eclesiástico, dia 22 de novembro de 2009 de “O meu lar”. Quem não gosta do seu lar? Quando volto de viagem, sempre venho contente porque vou poder sentar na minha cadeira preferida, tomar chimarrão na minha cuia, ser o deus (Salmo 8) do meu quintal... Baseio minha fala no texto de Apocalipse 21.1-7...

1 - Então vi um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra desapareceram, e o mar sumiu. 2 - E vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia do céu. Ela vinha de Deus, enfeitada e preparada, vestida como uma noiva que vai se encontrar com o noivo. 3 - Ouvi uma voz forte que vinha do trono, a qual disse: - Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles, e eles serão os povos dele. O próprio Deus estará com eles e será o Deus deles. 4 - Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram. 5 - Aquele que estava sentado no trono disse: - Agora faço novas todas as coisas! E também me disse: - Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança. 6 - E continuou: - Tudo está feito! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da água da vida. 7 - Aqueles que conseguirem a vitória receberão de mim este presente: eu serei o Deus deles, e eles serão meus filhos.

Outro dia, no hospital, eu estava sentado ao lado de uma pessoa que estava prestes a deixar esta vida. A figura daquele senhor ainda está viva na minha mente. Os responsáveis pela UTI me deixaram claro que o meu tempo teria que ser curto, uma vez que o ato de conversar e ouvir exige muita força do paciente à beira da morte.

Perguntei àquele senhor se podia ler um pequeno texto bíblico e ele reagiu com voz fraca: - Sim. Seja breve! Observei seus olhos opacos que denotavam cansaço. Durante todo o tempo da minha visita ele praticamente os manteve fechados. No que tange à sua fé, entretanto, ah ela estava acordada. O homem que eu visitava era uma pessoa cristã, um indivíduo que cria em Deus.

Perguntei-lhe: - O senhor lembras do capítulo 21 do livro de Apocalipse? (Lemos este texto agora mesmo...) Logo após minha pergunta percebi um leve sorriso no seu rosto. De sua boca brotou uma expressão muito clara, mais clara do que todas as outras que aquele homem desenganado tinha expressado até aquele momento: - O meu lar!

Enquanto eu ia lendo o texto com voz um tanto embargada, vi que os seus lábios se mexiam. Sim, ele recitava baixinho, junto comigo, de cor, as palavras que eu ia lendo. Quando nos dissemos “até logo” o senhor que eu visitei ainda balbuciou uma palavra apontando o dedo para cima: “!”...

Pus-me a caminho com o coração pesado. Acabara de ser presenteado com um “pacote de fé” por uma pessoa moribunda. E assim, refletindo, fui me dirigindo ao estacionamento para embarcar no meu carro; para me dirigir para casa.

Caminhei devagar. Eu não queria chegar. O movimento na rua e na calçada era normal e ininterrupto. Há pouco eu estava ao lado de uma pessoa prestes a deixar esta vida e ali, na calçada, era justamente a vida que pulsava. Não, nenhum dos transeuntes ou motoristas estava pensando na dor, no sofrimento ou na morte. As “primeiras coisas”, aquilo que passa e que se consome faz com que os indivíduos se ocupem ativamente até o fim das suas vidas. Será que no último dia das suas existências elas também poderão falar e comentar a respeito do “seu lar”?...

Paguei o ticket do estacionamento. Dirigi-me para o local onde tinha estacionado o carro da paróquia. Meu rosto se espelhou na janela de vidro fumê e me devolveu a pergunta: - Será que eu, no meu último dia, saberei desejar o “meu eterno lar”? Sentei no assento. Segurei o volante com as mãos. Baixei a cabeça. Fechei os olhos e meditei durante alguns instantes. Sim, eu sei orar. Eu sei o que pedir. Eu sei onde eu posso chegar... Amém!

16.11.09

Advento - Vem visita aí!



Hoje, na Alemanha, a Coroa de Advento está dentro de Igrejas, de escolas e até de residências particulares. É impossível se imaginar os festejos de Advento sem a presença da referida e suas quatro velas queimando durante os 24 dias. Pois andei pesquisando a respeito. A Coroa de Advento não é antiga. Ela foi concebida em Hamburgo, há mais de cem anos. Havia muitas crianças órfãs naquela cidade portuária. Meninas e meninos sem teto que perambulavam pelas ruas pedindo esmolas. Conhecemos este “filme”.

As coisas não precisam ser sempre assim. Um pastor evangélico luterano morava naquela cidade. Seu coração pulsava por aquelas meninas e por aqueles meninos “sem eira nem beira”. Mexe daqui, puxa dali, ele construiu uma enorme casa onde passou a abrigar o máximo possível de crianças de rua. Naquela casa o povo miúdo tinha espaço para dormir e fazer suas refeições. Mais do que isso: tinha a chance de aprender uma profissão. Muitos saíram dali formados como sapateiros, desenhistas, costureiras e até jardineiros. A idéia era que, assim, não precisariam mais perambular pelas ruas pedindo esmolas, uma vez que juntavam seus próprios dinheiros a partir do suor do seu rosto.

Foi assim que, em 1833, nasceu a “Rauhes Haus” (Casa Rústica). O pastor visionário chamava-se Johann Heinrich Wichern (*1808 +1881). Todo ano ele celebrava o tempo de Advento com meditações, cânticos e reflexões que enfocavam este tempo bonito que antecede o Natal. Para contextualizar aqueles momentos o pastor Wichern pendurou uma roda velha, dessas que ainda hoje se vê em carroças, no teto na “Casa” que dirigia. No primeiro domingo de Advento colocou a primeira grande vela a queimar sobre a roda. Depois, nos seis dias seguintes, seis velas pequenas. Daí, no segundo domingo de Advento, novamente a segunda vela grande... Um dia antes do Natal queimavam 24 velas na referida roda.

Corria o ano de 1840. As meninas e os meninos que moravam naquele abrigo gostavam muito daqueles encontros. A roda ia iluminando mais e mais a sala, a medida que o Natal se aproximava. Cada vela tinha o seu significado. Foram eles, as meninas e os meninos, que “batizaram” aquele tempo de “Meditação das Velas”. Passaram-se dois anos e aquela pequena Comunidade decidiu enfeitar a roda iluminada com ramos de pinheiro (sinal de vida). Foi assim que nasceu a primeira Coroa de Advento dentro da Igreja Luterana.

Muitas pessoas que visitavam a “Rauhes Haus” achavam aquele símbolo muito significativo. Como nas suas moradias particulares não havia muito espaço para uma Coroa de Advento com 24 velas, optaram por uma menor com quatro, uma para cada domingo. Viva o Advento, esse tempo no qual nos preparamos para receber a visita que vem: Jesus Cristo!

11.11.09

Lá vem o dia!


As pessoas dos tempos do Antigo Testamento só podiam chegar perto de Deus a partir da mediação de um sacerdote. A função do pastor era construir pontes entre Deus e as pessoas. Hoje não estamos mais amarrados em formas cerimoniais ou cidades santas para termos acesso a Deus uma vez que a fé em Jesus Cristo nos dá acesso direto e irrestrito ao Criador. Aqui proponho a leitura de Hebreus 10.19-25...

19. Por isso, irmãos, por causa da morte de Jesus na cruz nós temos completa liberdade de entrar no Lugar Santíssimo. 20. Por meio da cortina, isto é, por meio do seu próprio corpo, ele nos abriu um caminho novo e vivo. 21. Nós temos um Grande Sacerdote para dirigir a casa de Deus. 22. Portanto, cheguemos perto de Deus com um coração sincero e uma fé firme, com a consciência limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura. 23. Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. 24. Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. 25. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês vêem que o dia está chegando.

É de manhã quando o galo canta. Se porventura ele não cantar, ainda não amanheceu ou aconteceu alguma coisa com o tal galo. Carrego a impressão que algo não vai bem com os “galos e com as galinhas” que vivem no “galinheiro” do meu vizinho. Aquelas aves desaprenderam a perceber a manhã que se aproxima. Elas não saem, alegres, pela portinha do seu pequeno “templo”. Elas não voam de puleiro em puleiro para deixar claro que amanheceu; para acordar-nos e deixar claro que o dia está chegando. A maioria dos galos e das galinhas do meu vizinho fica empoleirada, dormindo, quando é de manhã. As aves do meu vizinho nem se apercebem que o sol já vem dominando a escuridão com sua força quente.

Há alguns galos e algumas galinhas que moram ali no galinheiro perto da minha casa se acordam pela manhã. Mas, ao invés de fazerem algazarra, ocupam-se com a limpeza de suas penas. Para que fazer alarde? Os canários, as rolinhas, as saracuras ali da vizinhança já receberam o dia de braços abertos. E assim, desmotivadas, sem perspectivas, continuam ocupadas consigo mesmos, com suas penas.

Opa, mas também tem alguns galos e algumas galinhas dentro do mesmo galinheiro que percebem muito bem o tempo em que estão vivendo, se é noite ou se é dia. Quando chega a noitinha, observo-as lutando, se bicando pelos melhores lugares no puleiro. Quem entende alguma coisa de galos e de galinhas sabe que este comportamento só acontece na entrada da noite, quando se deseja um bom lugar para dormir, para descansar. Quando no galinheiro se ouve cacarejos, barulho de asas voando é porque veio a noite. Todo colono, ex-colono sabe disso e se deita para descansar sem se preocupar. Ele, o colono, não pode fazer muita coisa.

Puxo esta história do galinheiro do meu vizinho para dentro da nossa Paróquia São Mateus. Quem de nós dorme sono solto não poderá acordar as outras irmãs e os outros irmãos e, por tabela, perderá a visão, a experiência do amanhecer. A cristandade gosta por demais de fomentar briguinhas entre si. Podem ter certeza que estes pequenos desacertos, estes barulhinhos, não vão acordar o mundo. Ele, o mundo, só se diverte com estas briguinhas e depois, bem, deixa prá lá. Gente querida! Não é nossa tarefa dormir ou ficar brigando, de beicinho caído. Jesus Cristo quer que anunciemos o seu dia – o dia em que tudo ficará novamente claro no nosso mundo.

3.11.09

Colunas Retas!


Um jovem senhor achou dinheiro na rua. Depois disso, não tirou mais os olhos da calçada. Sempre esperava encontrar mais alguma coisa. Após sete anos, acumulou 29.516 botões, 54.712 alfinetes, 12 moedinhas, uma coluna curvada e uma disposição miserável. Enquanto seus olhos estavam fixos na calçada, perdeu a glória da luz do sol, a beleza das estrelas, o sorriso dos amigos e a alegria de olhar para o alto. Sempre é assim que as riquezas, os prazeres e os padrões deste mundo nos atraem de tal modo que podemos perder o verdadeiro senso de valores. Só após sete anos o homem percebeu que as moedinhas, os botões e os alfinetes não compensavam a atenção, o zelo e o trabalho que lhe custaram.

É triste, mas só na hora da morte que a grande maioria de nós descobrirá que as coisas pelas quais gastamos nossa vida, não têm o menor proveito. Colunas espirituais curvadas impossibilitam o elevar dos nossos olhos a Deus. Quanta gente com os olhos fixos no chão, porque não aprenderam a olhar para o alto. Talvez até estejam angustiados com a sua situação espiritual e reconheçam os seus pecados. Olham o mundo com realismo; vêem a transitoriedade das coisas, a aflição, a doença, a morte e o confronto iminente com a eternidade. Talvez até baixem a cabeça e, com o apóstolo Paulo, reconheçam-se “desventurados” para, logo depois, indagar: - “Quem me livrará do corpo desta morte”? (Romanos 7.24)

Alegria! Existe um gracioso convite para este momento que estamos vivendo: - “Erguei as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima”. (Lucas 21.28) Levante, pois, os seus olhos aos céus para não perder toda a alegria que a vinda de Cristo nos reserva. Neste momento, levantar os olhos ao céu significa ter Cristo como centro da vida; implica em investir na eternidade; é ter olhos para ver motivo para alegria, mesmo quando tudo é tristeza; diz respeito a ter certeza de vida, mesmo diante da realidade da morte.

Que tal pararmos de catar moedinhas, botões e alfinetes. É tempo de levantarmos os nossos olhos, de agarrarmos o tesouro incorruptível que o Pai Celestial nos alcança desde os céus!...

OLHA SÓ!

  A BAILARINA DE AUSCHWITZ Outro dia, após repartir algumas dificuldades com uma amiga, fui desafiado a ler o livro “A Bailarina de Auschwit...