Busque Saber

30.6.06

Em terras estranhas!


Como deve ser sabido de muitos, continuo trabalhando como Pastor de Estudantes na Pastoral Universitária de Munique (Evangelische Studentengemeinde ESG an der Ludwig Maximilians Universität - LMU). Tento investir todo meu tempo nos 13 mil estudantes estrangeiros, oriundos de países em desenvolvimento, que estudam aqui na capital da Baviera.

Ontem à noite minha esposa e eu visitamos duas moças iranianas. Elas moram num pequeno apartamento, afastado do centro da cidade. Uma delas estuda Direito e a outra Administração. Tomamos chá, jantamos e acabamos dialogando sobre os duros momentos que se vive, quando se é estrangeiro.

A Simin e a Sarah têm que estudar muito. Para se manterem, também precisam trabalhar demais. E os empregadores alemães, sabedores desta necessidade “estrangeira”, sugam o que podem da sua força juvenil. Simplesmente não é fácil sobreviver numa comunidade estranha, quando as feições do rosto deixam clara a procedência do indivíduo.

Enfim, acabamos chegando a conclusão de que este tempo de “deserto” acaba fazendo bem a quem nele sobrevive. Depois de passarmos por tantas necessidades e, no final das contas, sairmos vencedores, nos vêm uma força incrível para o enfrentamento dos problemas que iremos encontrar quando da nossa volta ao país de origem. Esta dura oportunidade nos permitiu, e continua permitindo, uma olhada para dentro de nós mesmos. Isso mesmo! Hoje vemos a vida com bem outros olhos e estamos mais prontos para bem viver.

Escreverei mais a respeito desse assunto...

29.6.06

A águia está madura



Neste momento o nosso filho Áqüila está nos visitando aqui em Munique. Mais cinco dias e retorna ao Brasil. Lá, dará início à sua caminhada para dentro da vida. Em março ele completou 26 anos. Neste dia, em homenagem, escrevi-lhe alguns versos:

Áqüila Davi
Foi assim que pensamos teu nome, ó Guri
Nascido em tempos de boas descobertas
Épocas duras que, também abertas,
Pariram um menino de Ti.

Áqüila Davi
São Leopoldo, Porto Alegre e Cianorte
Era o destino indicando bom norte
Leituras que, sempre certas,
Forjaram mente esperta.

Áqüila Davi
De Cruz Alta a Florianópolis – um pulo só –
Sinônimo do ferrão de culturas e crises
Mesmo assim, hora de fincar raízes,
Administrar na garganta o nó.

Áqüila Davi
A inspirar uns poucos meses do ar europeu
Por onde andas há muita festa, amizades
Tempos doados que geram saudades
Um jeito de ser que é só Teu.

Áqüila Davi
ESAG e UFSC – a Universidade e um Projeto
Hoje Administrador – amanhã Jornalista?
Bons textos e a História em revista
Um “Curriculum” Concreto.

Áqüila Davi
Vinte e seis anos – a Águia está Madura
O homem voará, enfrentará vida dura
A Companhia estará bem ao lado
E o tablado já está montado.

Vinte e Tantos


O Daniel completou seus 24 anos em fevereiro deste ano. Naquele dia escrevi-lhe estas poucas palavras rechedas com carinho e, ao mesmo tempo, carregadas com símbolos da sua história...

Daniel,
Lembras do “Cara de Papel”?
Com os “pés no chao” – e isso –
Desde menino
Que é – como se diz –
Quando se “torce o pepino”.

Daniel,
Lembras do “Bom Goleiro”?
Frio "debaixo dos paus” – e isso –
Desde adolescente
Que é – como se sabe –
Quando se olha “prá frente”.

Daniel,
Agora estás “Um Parceiro”!
Concentrado no “numerário” – e isso –
Desde uns meses
Que é – como seu ouve –
O “seguro” dos fregueses.

Daniel,
És o noivo dessa “Menina”!
Sob “Objetivos Concretos” – e isso –
Numa decisão da hora
Que é – como se espera –
O futuro “sem penhora”.

Daniel,
Outro “Filhote da Gente”
Em “Lembrança Diária” – e isso –
Há mais de vinte e tantos
Que é – como sabemos –
O começo dos “entretantos”.

28.6.06

Mas, até quando?


Acabei de chegar no meu gabinete de trabalho. Do apartamento onde moro até aqui na Evangelische Studenten Gemeinde (ESG) são, exatamente, 1.800 metros de caminhada. Eu, com sede, simplesmente abri a geladeira e me servi de um copo d’água fresca. Pasmem! A água aqui na Alemanha custa bem mais caro que a cerveja.

Leio em vários jornais que ainda viveremos a verdadeira “crise da água”. Esta crise tem vários rostos. Em alguns lugares do mundo há pessoas que morrem de sede. Noutros, abundam as enchentes. Imagino que 99% dos esgotos das nossas cidades despejam água contaminada nos rios. Aqui e ali se ouve falar dos desertos que começam a tomar conta de espaços antes verdes e floridos. Em várias partes do nosso planeta as colheitas estão ficando comprometidas.

Coisa de louco. Durante toda uma eternidade se disse que a água nunca iria faltar. Pois estávamos enganados. Vamos ter problemas e parece que a resolução dos mesmos só depende de tecnologia e dinheiro. A água, diferentemente do óleo combustível, não pode ser substituida por “algo” alternativo. Vamos ter que achar uma saída para esta enorme dificuldade que nos assola.

Enquanto essa proposta não fizer parte da nossa agenda, ainda continuarei saboreando minha aguinha fresca. Mas, até quando?

27.6.06

TRIBUTO AO MEU AVÔ


Faz uns cinco anos que meu avô morreu. Eu gostava muito dele. Lembro que fiquei sabendo, por telefone, que estava muito adoentado. Conversamos um pouco pelo telefone e, dias depois, ele se foi. Quando do seu enterro, escrevi uma poesia pro pastor ler, quando dos atos fúnebres. Aqui, reparto a mesma com vocês que me lêem: "Tributo ao meu AVÔ!

Traços duros com sulcos no rosto.
Conheci-o nos enduros.
Se morreu de desgosto? Talvez!
Tinha o coração quente,
Amanteigado,desinstalado,sempre disposto!

Vida dura com muitas crises.
Dialogamos na agrura.
Se tinha cicatrizes? Imagino que sim!
Sua mão era ativa,
Laboriosa,carinhosa,vi poucos deslizes!

Ouvia rádio e sabia de quase tudo.
Marqueteava do áudio.
Se era feliz? Penso que o era!
Girava os botões,
Corria estações,tudo emoções, um eterno aprendiz!

Plantou sementes e algumas vingaram.
Sonhou com contentes.
Se foi um frustrado? Não posso dizer!
Pagou para ver,
Bancou a parada,correu pela estrada,derramou-se no estrado!

Tudo acabou pois ele se foi.
A saudade o matou.
Se foi um saudoso? Claro que o foi!
Amava viver,
Com a mulher querida,companhia irrepetida,momento doloroso!



26.6.06

Tempestade!


Ontem, depois da magra vitória da Inglaterra sobre o Equador por 1 x 0, convidei meu filho mais velho, o Áquila, para sairmos e caminharmos pelos caminhos ladeados de carvalhos do "Englischen Garten", um parque com 365 hectares, bem no coração de Munique. As informações do rádio davam conta de que iria cair uma tempestade, naquele início de noite. Mesmo assim saímos a pé, debaixo de céu azul. Durante o trajeto, relembramos aspectos do passado de 26 anos que vivemos juntos desde seu nascimento, em São Leopoldo. De repente, o céu foi se vestindo de escuro. Não demorou nada e já os relâmpagos começaram a riscá-lo de fogo. Apressamos o passo, corremos e, mesmo assim, não conseguimos escapar de um banho de chuva como há muito, eu não havia experimentado.

Já refeitos da corrida, acomodamo-nos no sofá para assistirmos ao jogo Portugal contra Holanda. Nossa torcida era toda para o ex-técnico do Grêmio Futebol Portoalegrense, Sr. Luiz Felipe Scolari. Ai que saudades daquele time raçudo e campeão. Víamos nos jogadores da Holanda os mesmos rostos embasbacados que os jogadores do Sport Club Internacional ostentavam nos anos 90. Dava gosto de ver aquele projeto de jogo pré-definido no vestiário sendo posto em prática nas quatro linhas. Ai que saudades daqueles tempos gremistas quando a garra e a luta faziam parte do dia-a-dia do meu time.

Tempestade 2!


Para enfrentar as "tempestades" da vida há que se ter garra e ser de luta. de se pensar e repensar a história vivida. De sempre de novo se estar aberto para projetar os próximos passos. De nunca se omitir tempo para avaliar trajetos da vida vivida. Dependendo, se começar de novo, e de novo, e de novo... Eu estou fortemente convicto de que esta "receita" sempre foi, é e continua sendo excelente para cada pessoa. Claro que tem gente que se dá bem com esta "filosofia de vida". Outros tantos nao conseguem pô-la em prática. Sou grato a Deus pelas amigas e amigos que Ele foi colocando no meu caminho. Não teria chegado onde cheguei sem o seu auxílio, sem o seu carinho. Tenho certeza que, ladeado de gente querida, ainda conseguirei dar passos mais amplos dos que eu tenho dado.

Por isso, aqui no meu Blog, a medida em que os dias passam, quero ir homenageando amigas e amigos que marcaram minha vida nesta tragetória de 52 anos. A gente se fala...

25.6.06

Oi Pessoal!


Estou começando meu Blog. Hoje, em Munique, a temperatura está agradabilíssima. Daqui um pouco jogam Inglaterra e Equador. Os alemães estão muito esperançosos com sua seleção. Depois da guerra, a Alemanha nunca experimentou tanta alegria. Vivo aqui desde 2001 e confesso que nunca tinha visto o "amor à pátria" sendo expresso dessa maneira, aqui nestas terras. Coisa boa poder perceber pessoas deste país extravasando sua alegria. Nós brasileiros sabemos o que é isso. Depois do Brasil, torço para a seleção de Jurgen Klinsmann. Vamos ver no que vai dar....

OLHA SÓ!

  A BAILARINA DE AUSCHWITZ Outro dia, após repartir algumas dificuldades com uma amiga, fui desafiado a ler o livro “A Bailarina de Auschwit...