2.12.09

Luzes, luzes, luzes!



O caminho que conduz ao Reino de Deus não passa por estrada com pedágio. Esse caminho é todo liberado; é ladrilhado com o piso da graça não merecida presenteada por Deus em Jesus Cristo. Pois creio que tu eu possamos andar sobre este caminho. Ouçam o que Paulo nos escreve em Filipenses 1.3-11...

3. Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, 4. fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, 5. Pela vossa cooperação no Evangelho, desde o primeiro dia até agora. 6. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. 7. Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo. 8. Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus. 9. E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, 10. para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, 11. cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus. 

Os apóstolos, os profetas e os membros mais comuns da Comunidade de Filipos (pessoas como nós) carregavam um segredo em suas vidas: suas existências estavam marcadas por certo “brilho”. Paulo está atrás das grades, algemado, guardado pela Guarda Pretoriana (Espécie de BOPE dos dias de hoje) e rodeado de inimigos numa cela romana. De lá ele consegue observar a luz, a vida acontecendo em Filipos e isto, de dentro da masmorra; em meio à escuridão; experimentando a proximidade eminente da morte. É deste lugar que ele consegue escrever estas palavras tão boas para a Comunidade.

Paulo agradece pelo engajamento comunitário diário dos filipenses que, dia após dia, se alicerçam no Evangelho. A Boa Nova que ele mesmo “plantou” na cabeça de algumas mulheres que oravam à beira de um rio vingou, criou raízes, ou seja: o sonho de Deus de reconquistar o mundo perdido se concretizava naquela Comunidade. Ditadores arrasam os países inimigos com suas botas, com suas armas e com seus soldados porque não têm amor pelo chão que conquistam. Da terra conquistada eles só querem sugar as riquezas. Foi isso, continua sendo isso, que o Inimigo Maior de Deus faz aqui neste mundo que, podem crer, “ainda é de Deus”. Paulo se alegra com os pequenos “sinais de vida” que acontecem na Comunidade Filipense e isso, em meio aos “sinais de morte” que a mesma experimenta.

São estes fatos que possibilitam a comunhão com aquela gente, sempre a partir do Espírito Santo. Sim, Paulo via aquele povo com os olhos de Jesus. Vai daí que a sua visão não estancava naquilo que se apresentava como pecaminoso; naquilo que se mostrava como obscurecido. Deus tinha vindo em Jesus Cristo ao mundo exatamente para aquele tipo de pessoas e elas estavam aproveitando aquele “presente da graça.” O conceito que vamos formar das pessoas que estão à nossa volta sempre dependerá do nosso ponto de vista: Se nos olharmos nos olhos e nos entendermos como pessoas presenteadas com um tesouro de valor incalculável e isso, sem merecimento algum, precisaremos nos abraçar imediatamente – não nos resta alternativa. O nosso abraço vai demonstrar que estamos encharcados de esperança porque seremos sabedores de que Deus iniciou “uma boa obra em nós” e que Ele, com certeza, a levará a cabo.

Vai vir o dia, “o dia de Jesus Cristo”. Nesta data que está por vir tudo se completará diante dos nossos olhos; todas as nossas perguntas a respeito da vida eterna, do perdão dos nossos pecados, da nossa ressurreição, tudo vai ter respostas. Por enquanto a humanidade ainda se encontra sob uma “névoa de dúvidas.” Esta névoa continua agindo sobre as pessoas no sentido de encobrir o amor de Deus que insiste em raiar sobre elas. Ela, a tal “névoa”, também obscurece toda e qualquer réstia de esperança na qual um indivíduo possa se segurar e ele, em conseqüência disso, vai pensando que a vida se resume mesmo num “andar no escuro”. O começo da virada deste “jogo” já começou. Paulo pregou o Evangelho e os filipenses reagiram ao mesmo e isto já é motivo para o Paulo festejar, soltar foguetes...

Às vezes me paro a pensar: como é pequena a nossa confiança em Deus, mesmo já tendo experimentado da “doçura” do Evangelho; como é tênue a nossa esperança na Sua cura; como grassa tristeza e desencanto no nosso meio, a ponto de, muitas vezes, pensarmos que estamos no “fundo do poço”. Gente! Somos filhas e filhos de Deus que nunca nos abandonará; somos parte da Sua família. Apossemo-nos dessa informação de uma vez por todas?

Jesus vive. Nós vivemos porque Deus estendeu a Sua mão sobre nós. Não podemos largar Sua mão de jeito nenhum. Na família de Deus todos vêm de baixo, todos são diferentes e todos só fazem parte do Rebanho de Deus, única e exclusivamente, por causa do sangue de Jesus. Quando Paulo escreve que sua “testemunha é Deus da saudade que tem de todos os filipenses” ele está querendo dizer que seu coração está aquecido para com eles daquele calor do amor que Deus plantou dentro dele mesmo. Se eu sei que somos irmãs e irmãos em Cristo, eu sentirei saudades, ansiarei estar junto, lutarei pela experimentação da comunhão... Que Deus nos abençoe... Amém!

Oração: Senhor, há muitas luzes que brilham ao redor de mim neste tempo de Advento. Elas fortalecem minha saudade de Ti que vens iluminar minha vida. Os muitos bons desejos que me são presenteados neste tempo de Advento reforçam em mim o desejo de uma boa relação com meus semelhantes neste mundo. Tu Senhor és a Luz que não se apaga. Tu nos presenteias Comunidade e paz duradouras. Eu anseio chegar mais perto de Ti. Vem ao meu encontro... Pai Nosso que estás no céu...