10.5.10

O Dízimo!


Oi Pessoal! Amanhã vou trabalhar com confirmandas e confirmandos aqui na nossa Paróquia. Pois criei uma peça de teatro em cima de uma das minhas prédicas de 2008. Se quiserem ler, usar, meditar... Fiquem a vontade. Abraços!

Cenário: Uma parada de ônibus e um banco. Algumas pessoas esperam o ônibus. Estão quietas à espera do ônibus que não vem. Seus olhares se perdem no horizonte do João Colin. Juju e Toti acabaram de sair do encontro do Ensino Confirmatório. Estão chupando um picolé e, ao mesmo tempo, dialogando sobre o que viram e ouviram...

Juju: Nosso pastor estava animado. Achei “um barato” aquela conversa de que a “oferta que doamos durante os cultos têm a ver com nossa espiritualidade”...

Toti: É!... Anotei aquela informação que “toda e qualquer oferta sempre é o resultado da nossa vida de fé, nunca o resultado de uma conta bancária”. Vou mostrar pro meu pai.

Juju: Também achei interessante. Nosso pastor não fala muito em dinheiro nos Cultos.

Toti: Mas claro que fala. Outro domingo o ouvi pregando sobre Jacó, aquele homem que prometeu dar o 10% de tudo pra Deus. Lembra? Aquele sujeito que enganou seu irmão dando um prato de lentilhas em troca do direito de ser o filho mais velho. Esaú. Isso mesmo... Esse era o nome do enganado.

Juju: Minha avó me disse que a mãe do Jacó também o ajudou a enganar o seu pai, velho e doente, para roubar dele a bênção que por direito pertencia a Esaú.

Toti: Que loucura! Esse tal de Esaú ficou tão brabo que fez de tudo para acabar com a vida do tal do Jacó que precisou dar no pé: Pernas pra que te quero!

Juju: Sua mãe o enviou à casa de parentes pra se esconder. Eu ainda lembro do texto onde a prédica do nosso pastor se alicerçava. Fiz uma anotação aqui ó... Abrindo a Bíblia em Gênesis 28.22b e lendo: “de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo...

Um senhor: (Usando chapéu... Com um cachimbo na boca... Que até então prestava atenção na conversa, entra no debate...) Interessante o assunto de vocês. Sou do Presbitério da Paróquia São Mateus. Também assisti ao Culto do qual vocês dois fazem comentários...

Uma senhora: (Muito simpática... Aproxima-se do homem e engancha-se no seu braço...) Meu marido e eu achamos aquela prédica excelente. E esse ônibus que não chega? Vamos sentar ali na sorveteria. O picolé de vocês já acabou. Está quente! Nós pagamos um refrigerante... Aceitam nosso convite? Adoraria continuar conversando sobre este tema com vocês...

Toti: Tô dentro!

Juju: Sei não! Vou me atrasar... Acho que minha mãe não vai gostar. Mas vamos lá. Fico só uns 15 minutos.

Um Senhor: Continuando a história do Jacó... Ele precisou fugir do irmão. Cansado da fuga, dormiu e sonhou que havia uma escada que ligava a terra ao céu. Que os anjos desciam e subiam por ela.

Uma senhora: Antigamente era assim que as pessoas entendiam a ligação entre o céu e a terra, entre Deus e as pessoas. Os anjos que desciam vinham com funções para realizar aqui na terra. Já os anjos que subiam levavam os relatórios de tudo o que acontecera aqui no chão a Deus.

Um Senhor: Na verdade o Jacó se sentiu profundamente tocado com visão. Ele tinha “culpa em cartório”; tinha feito muitas coisas erradas na vida. Penso que, durante a sua fuga, ele teve muito tempo para refletir sobre os seus erros. Agora precisa enfrentar as consequências das suas faltas.

Juju: Minha avó leu na Bíblia que ele perdeu sua família e não pode mais voltar para a sua terra natal. Que na casa do seu tio Labão ele experimentou as mesmas mentiras e trapaças que antes aprontava antes de fugir.

Toti: Uma coisa que guardei bem da prédica foi que Jacó fez de tudo para poder casar com Raquel, mas teve que se contentar em casar com Lia.

Uma senhora: Assim são as coisas... A promessa que Deus fez a Jacó perpassa a Bíblia de ponta a ponta. Como Deus no Antigo Testamento, no Novo Testamento Jesus encontra as pessoas. Ele conhece o que vai na alma de cada indivíduo. Para fazer acontecer o Seu reino Ele não busca as pessoas “certinhas”. Aliás, Ele nem as encontra. Para levar a cabo as Suas propostas de paz, amor e perdão Ele precisa de gente como nós, aqui nesta sorveteria. Ele conta com pessoas “toscas”; pessoas que têm falhas e manchas na vida. É interessante que a Bíblia nunca maquia a história dos grandes pais da fé, sejam eles Abraão, Moisés, Pedro ou Jacó...

O dono da sorveteria: (Surge com avental e sorriso no rosto...) Vou ser sincero co vocês! Nunca ouvi uma conversa destas aqui no meu estabelecimento. Posso participar?

Juju: Fique a vontade. Sente nesta cadeira... Seja bem vindo na nossa roda de conversa.

O dono da sorveteria: Eu já experimentei isso! Deus nos encontra lá onde nós estamos. Ele nos alcança a Sua mão e diz: “Eu te puxo para fora do lodo de onde, sozinho, não consegues sair.”

Um Senhor: E mesmo assim, muitas vezes, tal como Jacó, nós só permitimos que Deus se aproxime quando estamos no fim das nossas forças; quando não sabemos mais como ir adiante; quando a nossa vida se converteu num monte de cacos.

O dono da sorveteria: A verdade é que não precisamos esperar que, de repente, tenhamos a visão de uma escada que liga o céu à terra. Essa ligação já foi colocada por Jesus Cristo. Todos, sem exceção, temos acesso a ela. Se porventura viermos a viver momentos difíceis, acheguemo-nos a Jesus e peçamos: Senhor vem ao meu encontro. Levanta-me do chão. Dá-me novo ânimo, novas perspectivas para viver. Perdoa a minha culpa e me acompanha pelos teus caminhos. Podem crer! Jesus ouvirá esse pedido.

Uma senhora: Eu estou convicta que a promessa de Deus para Jacó se equivale à promessa de Jesus Cristo para nós: Quando nos encontramos longe de onde gostaríamos de estar; longe de parentes; longe de amigos queridos; longe de experimentarmos sucesso nas coisas que fazemos, Ele vem nos encontrar.

O dono da sorveteria: O encontro de Jacó com Deus em sonho foi algo grandioso. Deus lhe fez uma promessa e ele, Jacó, também reagiu com outra promessa: Aprendi este texto de Gênesis 28.19-22 de cor no meu tempo de Ensino Confirmatório. Jacó fez um voto: “Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus; e a pedra que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo.” (Gênesis 28.19-22)

Toti: (Procurando anotações no caderno do Ensino Confirmatório que tirou da mochila...) Da prédica eu anotei as três promessas de Jacó Deus: Primeira: Ele assume um relacionamento com Deus. Segunda: Ele construirá um templo naquele lugar onde dormiu e sonhou. Terceira: Ele dará o dízimo a Deus. Para mim essa terceira promessa é a mais pessoal. Nas duas primeiras ele falou de Deus na 3ª pessoa. Já na última, sua fala acontece na 1ª pessoa: Tá aqui ó: “...certamente eu te darei o dízimo.”

O dono da sorveteria: Puxa menino! Você é esperto. Gostaria que meu neto fosse parecido com você...

Juju: Prestei muita atenção nas palavras do nosso pastor. Lembro de ele ter dito que o Jacó guardou este momento do encontro com Deus no coração. Como é fácil a gente se esquecer de momentos marcantes e intensos; esquecer dos ensinamentos que eles nos proporcionaram.

Uma senhora: Você está certa! O encontro que Jacó teve com Deus direcionou toda sua vida. Agora, no futuro que começa, ele quer viver com Deus; ele quer reencontrá-lo sempre de novo na Casa que vai erigir. Tudo o que é dele ele não vai mais considerar como propriedade única e exclusiva, mas como dádiva de Deus. E isso ficará evidente quando ele ofertar 10% de tudo ao Senhor.

Um senhor: Deus sempre dá forças para que confiemos Nele; para que testemunhemos Dele a partir da nossa gratidão e da nossa fé.

O dono da sorveteria: Sinceramente eu desejo que todos façam a experiência de encontrar suas “escadas”, esses “degraus” que ligam a terra ao céu. Há situações que acontecem na nossa vida, quando sentimos que Deus está perto de nós, tanto em momentos tranquilos, como em intranquilos. Mas Deus prometeu que, por causa do amor de Jesus Cristo, estará próximo de nós e que nos ajudará em cada momento. Que essa segurança possa se espelhar na nossa vida.

Uma senhora: O senhor tem toda razão! Mas nunca esqueçamos que essas promessas que fazemos em resposta às promessas de Deus não precisam dizer respeito apenas a dinheiro e bens adquiridos. De repente outras coisas também podem ficar claras: Podemos decidir mudar o nosso jeito de administrar o tempo; o nosso comportamento em ralação a tantas coisas...

Toti: Eu vou crescer. Ainda sou bem jovem – eu sei. Vou dizer um “sim”, vou confirmar a minha fé no ano que vem. Mas desde já, nesta minha relação pessoal com Deus e com Jesus Cristo, vou “trabalhar” o tema “bens e dinheiro”.

O dono da sorveteria: Muito bom! Li outro dia que um teólogo cristão sempre dizia: “Dê o quanto podes, poupes o que for possível e dê o quanto puderes.” Essas decisões dependem da nossa relação pessoal com Deus.

Um senhor: Certo! O importante é saber que a oferta não significa que eu me “livro de uma quantia que é minha”. Ofertar é agradecer a Deus pelo fato de que Ele cuida de nós. Assim repartimos com os outros aquilo que Deus nos dá. É dessa forma que agradecemos.

Juju: Lá vem o ônibus pessoal! Tschau! Inté! Até mais ver! Se cuida! (Todos saem apressados de cena...)

Um comentário:

Walter disse...

Renato.

Desejamos a ti muita saúde , Alegria e Paz neste novo ano de Vida.

A temática do Dízimo está bem dentro das conversas do nosso novo presbitério. Conforme colocaste, o teu texto de teatro está aí para ser usado e adaptado, certo ?

Abração para a Valmi.
Walter e Cornélia.