16.6.12

DISCIPULADO

Estamos em tempos de crise. Aqui e ali ouve-se de “grandes novidades” e lá se vão as pessoas desavisadas “beber água” de “potes estranhos”. 

Igreja que é Igreja de Jesus Cristo sempre encara o “discipulado” como preocupação primordial. Esta posição já se encontra grifada no Evangelho de Mateus (Mt 28.18-20). O fato é que não podemos nos satisfazer apenas com o “envio dos doze” ou com o envio ao mundo de algumas mulheres e homens excepsionais do tempo em que vivemos.

A proposta do discipulado é maior, uma vez que abrange toda a cristandade. Discipulado nada mais é do que a re-orientação da vida, a partir da obediência que “deságua” na sincera tentativa da busca de se ser como Jesus Cristo foi. E, fazer discípulos nada mais é do que oportunizar, fomentar às pessoas cristãs uma relação pessoal com o Senhor Jesus; é guiar estas pessoas para debaixo das “asas de Deus”; para debaixo da autoridade de Deus onde, com certeza, elas experimentarão grande transformação em suas vidas. 

Porque isto é a mais pura verdade, não hesito em dizer: - a Missão da Igreja fica incompleta se só acentuamos a conversão.

Ouvi e continuo a ouvir palestrantes que só conseguem conceber o discipulado como o ato “de seguir alguém de perto”. Aliás, este já era o conceito dos velhos Mestres da Lei dos tempos de Jesus. Penso que discipulado é mais do que isso. Quem lê Marcos 3.14 percebe que Jesus elegeu doze homens para “estarem com Ele”. Ali não está escrito que durante os três anos de discipulado, os escolhidos seriam informados com conteúdos acadêmicos. Nada disso! Está dito que viveriam em comunhão; que viveriam uma vida compartilhada.

Nas Cartas que se seguem aos Evangelhos fica claramente implícito que os neo-convertidos se relacionavam com as pessoas cristãs e que, deste relacionamnto, sempre resultava vida mais madura em Cristo. Eis aí o conceito do discipulado no Novo Testamento. Gente, nós precisamos ocupar nosso tempo refletindo sobre isso. 

Responder ao Chamado

Nos últimos anos, tenho circulado entre grupos cristãos e, no meu andar, me deparado com compreensões errôneas daquilo que o discipulado significa. Há irmãs e irmãos cheio de boas inteções que confundem o discipulado com o acúmulo de conhecimentos; com o acúmulo de aperfeiçoamentos; com o acúmulo de habilidades para o desempenho de certos “papéis” ligados à organização da Instituição, Igreja.

Entender o discipulado desta forma outra coisas não é do que tentar perpetuar o sistema eclesiástico com o auxílio de “adestrandos” (Pessoas que vão sendo preparadas para que se engajarem nos vários departamentos igrejeiros). Discipulado nao é isso. Discipulado é a formação da Pessoa à imagem de Jesus Cristo; é a priorização da pessoa e nunca àquilo que ela, porventura, um dia, venha a “produzir” dentro da estrutura onde vive.

Para que uma tal idéia seja levada a cabo, há que se apresentar às pessoas o Evangelho de forma compreensível e contextualizada. Melhor: há que sempre se levar em conta a época e o lugar onde se evangeliza. Jesus sabia qual era o pensamento vigente da sua época. Ele sabia quem eram os donos do poder do seu tempo. Ele tinha conhecimento da filosofia, do modo de pensar dos seus conterrâneos. Ele sabia com quem estava estava tratando. Conhecia seus costumes e tinha informações sobre seus interesses privados.

Resumindo, Ele conhecia as pessoas que queria evangelizar, depois edificar e, por fim, discipular.Discipulado não é a reproduzir modelos exatos daquilo que outras cristãs e ou cristãos foram no passado. Não! Discipulado é a resposta ao chamado de Jesus. Todas as pessoas que reagem ao chamado de Cristo amadurecem livremente, naquele tempo certíssimo que o Espírito Santo vai promovendo. Sejamos flexíveis para as mudanças necessárias e as vezes até dolorosas que já nos estão pensadas pelo Pai.

Enquanto elas vão acontecendo de forma paulatina (Sim, porque Deus não tem pressa), cresçamos na sensibilidade que nos ajuda a captar os recados que Deus vai emitindo. Se Ele nos abrir portas, cruzemo-las, sempre com os ouvidos abertos para a “voz” da Escritura; para a “voz” das irmãs e dos irmãos da Paróquia; para a “voz” da História da Igreja e isso, sempre debaixo do senhorio de Jesus Cristo. Eis aí o “caminho das pedras” para o Reino de Deus.

Avaliando nossa Liderança

Gosto da Carta que Paulo escrita aos Filipenses. Folheando-a, deparei-me com esta boa palavra: “Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.” Vejam, na Igreja de Cristo somos todos discípulos uns dos outros; somos todos chamados a exercer o ministério do discipulado; somos todos desafiados a buscar relacionamentos horizontais e mútuos entre os semelhantes. Tenho para mim que posturas desse nível certamente desembocarão numa sempre maior aproximação do ato de se ser mais e mais “espelho de Jesus” aqui na terra.

Ser como Cristo foi é um sonho; é um processo que vai se dando em patamares inter-pessoais que, cedo ou tarde, poderão ser claramente percebidos onde houver o sincero compartilhar entre os crentes. Claro que há quem experimente fracassos, tentações e depressões enquanto tenta concretizar esse sonho. Essa é a hora de se animar; de se exortar; de se repreender; de se consolar e até de se realizar a edificação mútua, sempre a partir do diálogo em duas vias: ouvir e dizer, ouvir de novo e continuar dizendo.

Para que a idéia do discipulado seja implementada a contento, necessitamos de uma sincera avaliação da liderança que exercemos. A verdadeira liderança não se radica somente numa preparação acadêmica. Ela também não se faz sentir, a partir duma personalidade especial ou de alguém que execute ações exemplares. Não! A função da liderança é ficar atenta à evolção das pessoas que, numa caminhada conjunta, buscam o alvo que conduz ao discipulado.

Como articular isso? Ora, brindando orientação; fomentando a descoberta dos potenciais e, ao mesmo tempo, exercendo-os; sensibilizando a mente e o coração das pessoas para que se voltem às necessidades dos indivíduos próximos; promovendo confiança na delegação de responsabilidades e assim por diante.Nos grupos onde vi liderança cristã, sempre havia atmosfera afetiva. Era nessa “oficina” que se dava vazão e se repartia as vivências do dia a dia. Meu pono de vista é claro: a liderança oriúnda de Cristo só é exemplar quando se submete ao discipulado e, junto, reconhece a pessoa de Jesus como único modelo verdadeiro em quem se espelhar, se assemelhar.

Amadurecendo na Identidade Cristã

Toda vez que ouço pessoas se referindo à pessoa do discípulo, me pergunto: Será que o discipulado está sendo entendido como comprometimento no serviço do Reino? Jesus serviu e chamou os discípulos para servir. Enquanto Ele os servia, eles iam crescendo, aprendendo, se envolvendo, abrindo as vias para o descobrimento e o discernimento dos dons que o Criador já lhes presenteara para a sua felicidade integral. Sinceramente, não consigo imaginar serviço cristão sem um “caminhar engajado” no discipulado. E o que é discipulado senão um amadurecer constante na identidade cristã? Ora, este amadurecimento do qual falo agora precisa acontecer antes de qualquer ação que tenha há ver com serviço.Enquanto a maturidade cristã vai se desenvolvendo em nós é que vamos descobrindo e praticando os dons espirituais.

Uma vez inseridos inseridos na proposta de crescimento contínuo da fé, iremos perceber a melhor forma de canalizamos nossos dons a serviço dos outros. Jesus nos convida para andarmos com Ele. Se aceitarmos este convite, Ele nos sensibiliza para as necessidades das pessoas que esão próximas. Por isso, dirijamo-nos ao serviço, à cruz. Alguém está a fim?

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