29.6.12

Te manda Abraão! (Gênesis 12.1-4)



Não carrego a mínima dúvida de que pessoas mais desavisadas compreendam esta história como uma simples sugestão para sair de casa; mudar de ares. Pode ser que neste texto sugerido alguém leia um convite para mudança à alguma praia ensolarada ou algum local aprazível na serra.  Todos temos a nossa pátria e, desde o nosso nascimento, um estreito relacionamento com o lugar onde estamos “fincados”. Algumas e alguns de nós não carregam estes vínculos natais, mas se acostumaram com o “espaço” onde vivem. Em resumo, estamos perfeitamente aclimatados, contextualizados na vizinhança, na cidade onde moramos, obde construímos nossa “casa”. Partir?... Assim?... Tão de repente?... Quem faria uma coisa dessas?... Por que isso?... Parece que a saída de Abraão da sua terra natal e da sua parentela se deveu a bons motivos. Deus o estava “pensando” como “pai de uma grande nação”. Foi a promessa de Deus que impulsionou Abraão a deixar para trás aquele chão; aquelas relações construídas com tanto carinho. Esse, definitivamente, não é nosso caso - certo?

Mesmo assim, carrego a convicção de que esta história tenha algo a nos dizer.  Deus está impondo uma a Abraão. Ora, a exigência de uma partida de casa; do trabalho; da vizinhança não é algo tão simples. Abandonar as bases; deixar os hábitos; mudar o jeito costumeiro de pensar... Hummm... Isso não é tão simples assim. Nossa estrutura física, emocional, espiritual e social dependem muito das tradições que fomos contruindo à nossa volta, daí que novos recomeços dentro de um “mundo estranho” não são nada fáceis.

Abraão deve ter pensado consigo mesmo: - Mas o que é que eu vou lucrar com essa mudança?... Não! Esta decisão também não lhe foi muito fácil de ser tomada. Claro que Abraão não precisava mudar de casa e de região com o objetivo de buscar novas perspectivas. Abraão era rico, tinha grandes rebanhos de ovelhas, uma família enorme e muitos bons relacionamentos.  Como se diz por aí, “estava com a vida ganha”. Então, qual foi o motivo que o fez “topar esta parada”?

Em primeiro lugar, porque foi Deus quem o chamou. Abraão ouviu a voz de Deus. Ele sabia que Deus pensava o melhor para ele. Por outro lado, ele também sabia que toda a sua vida; que todos os seus laços de amizade; que toda a sua casa e que todos os seus bens tinham sido presenteados por Deus. Essa certeza foi fator decisivo para encarar uma mudança. Se este Deus lhe ordenava deixar sua terra natal, então, ele, Abraão, não poderia esperar nada de ruim. Atrás de Sua proposta, Deus, certamente, tinha uma grande Idéia a ser implementada e ele, Abraão, estava sendo considerado peça importante neste “tabuleiro”. Claro que Deus iria protegê-lo e acompanhá-lo nesta empreitada. Então, “vamos que vamos e dê-lhe que te dê-lhe”.

Nós até podemos duvidar que, hoje, Deus ainda nos queira atrair para alguma tarefa grandiosa. Somos capazes de ouvir a Sua voz?... Onde é que Deus pode estar esperando novos recomeços de mim e de ti?... Quais seriam as promessas que Ele poderia nos alcançar, se nos decidíssemos por mudanças; por novos rumos; pelo abandono do que já é ultrapassado, mas que ainda insistimos em manter?...

Para sermos justos, temos de admitir que, neste momento, estamos muito satisfeitos com a nossa vida. Olhamos para trás e não temos muito do que nos queixar. Tal como Abraão, também temos uma família legal, bons amigos e até bens imóveis. Será que tudo isto não nos “encastela”, a ponto de nos colocarmos com “um pé atrás” diante da perspectiva de mudança?... Vamos “dar nomes para os bois”: - Será que vale mesmo a pena mudar?...

Penso que nós, sempre de novo, estejamos ouvindo o chamado de Deus para crescermos; amadurecermos; desenvolver-nos e nos deixarmos “moldar” por Ele.  Por exemplo, lembram do duplo Mandamento do Amor? (Mateus 22.34-46) Nele se lê que nos caber “amar ao próximo como a nós mesmos”.  Esta Palavra nos desafia a, sempre de novo, nos envolvermos com os outros; a nos colocarmos ao lado de novas pessoas; a servir-lhes de “escada” para que também possam experimentar as bênçãos que experimentamos. Não seria o amor a mudança em si?... Será que o amor não deve crescer, acompanhar os próximos no tempo deles e, junto, se renovar constantemente?...

Centremo-nos na história do “Filho Pródigo” (Lucas 15:11-32). Ele experimentou uma mudança gritante em sua vida. Observem que depois ter convivido, se alimentado da comida destinada aos porcos, ele viveu a experiência de ser um filho amado. Seu pai se mostrou muito feliz com esta mudança. Chegou a colocar um anel no seu dedo e mandou abater um bezerro cevado. Ato contínuo, celebrou a Festa do Reencontro com ele. Impressionante! O que será que esta história quer nos deixar claro? A resposta é simples: Arrepender-se é voltar para casa; é achar-se o caminho de volta, depois de se vagar perdido por aí; é afastar-se das posições fixas que fazem doer; é abdicar-se de estar no lugar onde não se cabe... 

Um último exemplo nos vem das incontáveis palavras de Jesus: - “Venham a mim, todos vocês que estão o cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso...”(Mateus 11.28) - “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim...” (João 14.6) Ou, como está escrito em Lucas 14.25-33: - “Certa vez uma grande multidão estava acompanhando Jesus. Ele virou-se para eles e disse: Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor se não me amar mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. Não pode ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Se um de vocês quer construir uma torre, primeiro senta e calcula quanto vai custar, para ver se o dinheiro dá. Se não fizer isso, ele consegue colocar os alicerces, mas não pode terminar a construção. Aí todos os que virem o que aconteceu vão caçoar dele, dizendo: “Este homem começou a construir, mas não pôde terminar!” Se um rei que tem dez mil soldados vai partir para combater outro que vem contra ele com vinte mil, ele senta primeiro e vê se está bastante forte para enfrentar o outro. Se não fizer isso, acabará precisando mandar mensageiros ao outro rei, enquanto este ainda estiver longe, para combinar condições de paz. Jesus terminou, dizendo: Assim nenhum de vocês pode ser meu discípulo se não deixar tudo o que tem.”

Quer dizer, quem não renuncia a tudo o que tem e não segue a Jesus, não pode ser Seu discípulo. Essas Palavras acima são somente para serem lidas e ouvidas?... Elas não são todas Palavras que nos chamam, impulsionam, desafiam a nos colocar em movimento; em crescimento; em desenvolvimento e em mudança?... Quais as implicações que vem com o ouvir e o obedecer a Deus?...

Não, nós não podemos pensar de outra forma. Estas Palavras são um apelo de Jesus Cristo para nós. Ele diz: - Vão em frente, desenvolvam-se para romper com tudo o que é rígido e incrustado em vocês. Mas, o que é que anda rígido e incrustado em nós?... Sim, levem esta proposta de vida para dentro da sua segunda-feira. Aqui não vou me furtar de dar algumas sugestões:

Quantos são os nossos relacionamentos que já não correspondem mais àquilo que nós esprávamos que eles fossem?... A inimizade existe tanto entre vizinhos como entre parentes. Temos a tendência de viver de forma silenciosa e, quando, porventura, damos de cara com parceiros assim, até evitamos a travessia da rua. Penso que aqui eu não preciso descrever o que poderia ser uma mudança...

De repente nos encontramos presos aos hábitos e à tradição. Aí dizemos: - Eu sou assim! Eu ajo dessa forma desde o tempo em que eu me lembro por gente! Será que esta postura não irrita os outros?... Será que os nossos próximos não tem que fazer um grande exercício para nos “aguentar”?... Dá a impressão que a mudança de hábitos também tem alguma coisa a ver com a Proposta do Amor!

Provavelmente o pior de tudo seja os pensamentos do tipo: - Ah! Ela é assim mesmo!  - Ih! Ele não mudará nunca! - Antigamente ela disse isso... - Daquele ali não dá para se esperar nada! - Pode vir algo bom daquele sujeito?  Aí não sei mais o que dizer...

Quando rotulamos os outros, rotulamo-nos a nós mesmos. De repente já estejamos agindo assim a anos. Se não mudarmos de atitude, talvez continuemos neste processo até o fim dos nossos dias. O fato é que dá para se mudar?... Pelo menos deveria ser possível mudar alguma coisa! Nós ouvimos um chamado e sabemos Quem nos chama: É o bom Deus que nos presenteou com a vida e tudo o mais que contribui para o nosso bem. Será que Ele não será capaz de nos conduzir rumo a um bom futuro?...

Estamos na mesma do Abraão. Melhor, estamos em vantagem, pois sabemos como sua história com Deus terminou. No futuro de Abraão se vislumbrava a promessa e nós sabemos o que aconteceu: Ele permaneceu rico; reencontrou uma pátria; experimentou a alegria de relacionamentos bem sucedidos e a bênção de Deus. Quer dizer, Abraão ouviu e reagiu ao chamado de Deus; saiu da sua terra assim como o Senhor lhe tinha pedido. Também ouvimos um chamado semelhante?... Estamos a fim de segui-Lo?...  Que belo país; qual a boa história com Deus e com as pessoas que nos aguardam no futuro?... Quando é que começamos a mudança?...

Um comentário:

Anônimo disse...

E x t r a o r d i n á r i oooooooooo!
Tõ exatamente fixada,presa e tremendamente relutando para não deixar as raízes desgastadas, relacionamentos falidos e ainda há resiatências invencíveis querendo ficar onde não devo.Enfim, querido pastor Renato, o senhor é demais;amei seu jeito de se expressar o senhor é engraçado,jovial e ungido de Deus,Paz!
Débora.