25.4.12

QUE CORAGEM! Atos 4.5-12





Com que força e em nome de quem vocês curaram o paralítico?  Esta pergunta foi feita para o Pedro e para o João, mas ela parece ser feita a mim. O que significa esta pergunta para nós, hoje?

Pedro e João tinham curado um coxo. Esse homem era trazido regularmente, durante quarenta anos, à porta do templo. Era, com certeza, pessoa bem conhecida nas redondezas pelo fato de sempre estar implorando ajuda.

O que fez Pedro? Pedro lhe disse: “Ouro e prata não tenho, mas o que tenho, isso te dou: Em nome de Jesus Cristo, levanta e anda”. Daí então Pedro o tomou pela mão e o colocou em pé. Daquele momento em diante as pernas e as articulações musculares do coxo ficaram firmes e ele se levantou, correu e louvou a Deus.

Vocês conseguiriam fazer o que Pedro fez? Eu não, apesar de também crer na ressurreição de Jesus Cristo. Não! Eu não me sinto pronto para dizer semelhante palavra a uma pessoa com deficiência.

O fato é que Pedro teve coragem de fazê-lo. Sim, Pedro não se calou diante das autoridades eclesiásticas, quando lhes deixou claro que “Jesus Cristo, o Nazareno, Àquele a quem tinham cruscificado e a quem Deus ressuscitara dentre os mortos, era o verdadeiro Autor daquela cura”; quando lhes deu a entender que o poder que vem do alto tem capacidade de zerar a força da dor e da morte.

A ousadia de Pedro, ao apontar para Deus como o Mentor daquele milagre, fez com que os queixos daqueles estudiosos da Bíblia caissem. Eles não ficaram estupefatos por causa do testemunho dos dois apóstolos, mas pelo fato de que aqueles homens de origem tão simples, quase sem nenhuma formação teológica, soubessem falar com tanto destemor, a partir das Escrituras. 

Pessoas que experimentaram grande perigo; que foram confrontadas de perto com a morte e que, mesmo assim, permanecem firmes na fé, já nos serviram e continuam servindo de modelo. Aqui me lembro do nosso mártir evangélico que, mesmo torturado até a morte, resistiu às ameaças; à injustiça e, ao mesmo tempo, se submeteu, com coragem, à vontade de Deus, deixando sempre claras as suas idéias.  

A verdade é que nem todas as pessoas tem o perfil de dizer a que vieram, nem todos são heróis. Todos sabemos que Pedro não foi nenhum herói. Pedro se mostrou uma pessoa empreendedora. Ele devia ser um homem cheio de entusiasmo que andava na vanguarda dos acontecimentos. Agora, lembremo-nos que no pátio do sumo sacerdote, ele negou Jesus três vezes; que depois da morte de Jesus ele experimentou medo dos judeus e se escondeu atrás de portas pregadas.

Algo deve ter contribuido para Pedro se mostrar tão corajoso. Foi seu encontro com o Ressuscitado que lhe oportunizou a força do Espírito Santo. Gente querida, a vida do Jesus terreno e o túmulo vazio nunca levaram ninguém à fé. Foi a ressurreição de Jesus que fez com que o cristianismo surgisse. Mais do que isso, foi só depois do encontro pessoal que Jesus teve com seus discípulos que eles se tornaram apóstolos.

Foi a partir daquele encontro que o inacreditável se tornou crível; que o incompreensível se converteu em compreensível. O paralítico foi curado com a força; com o poder do Espírito Santo e Pedro e João foram simples canais dessa força. 

Pedro também responde à pergunta, em nome de quem todas estas coisas aconteceram. Ele disse que foi “Jesus Cristo de Nazaré, a quem eles mesmos tinham cruscificado e a quem Deus tinha ressuscitado dentre os mortos” que lhes tinha possibilitado aquele ato. Martin Luther diria: “Em nenhum outro há salvação, não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Sim, Jesus Cristo é Aquele através do qual podemos experimentar a salvação.

A declaração de Pedro é simples e clara, mas ao mesmo tempo capaz de gerar um estresse enorme! Eu experimento isso. O Evangelho me chama constantemente a verificar a minha fé e o meu relacionamento com Deus com perguntas pessoais do tipo: - É isso mesmo que está escrito? - Eu acredito nisso que está escrito? Essa fé descrita nos Evangelhos perpassa o meu ser, enquanto me digladio com minhas dúvidas? - Deixo-me assessorar pela fé enquanto busco as soluções para os meus problemas?  - A minha fé afeta as relações com os próximos? – A minha fé leva a dar passos que promovam a reconciliação? – A minha fé me leva a solidarizar-me com os pobres que tem fome de pão e de justiça? Resumindo todas as perguntas numa só: - A minha fé é viva?

Difícil de absorver um texto tão carregado de conteúdo, assim, de uma só vez. Eu sonho dar  testemunho com a coragem de Pedro; de João; de Dietrich. Eu tenho a intenção passar a “Boa Nova” de Deus adiante, mas aí me pergunto: Quem quererá ouví-la? Perguntas como essas me passam pela cabeça quando penso nas pessoas que não acreditam em Cristo; nas pessoas que se mostram inimigas da Igreja.

Penso que muitos de vocês experimentam o que experimento: O Evangelho nos promove má consciência, e então seguimos nos perguntando: - Eu tenho feito o suficiente? – Eu não estou sendo demasiadamente egoísta? - Onde é que eu gasto o meu tempo?

Toda santa inquietação é boa, mas será que é sobre esta base que nós queremos e podemos passar uma “Boa Notícia” da Salvação? Se nos movemos por aí com consciência culpada, será que podemos relacionar a mensagem redentora e libertadora de reconciliação do homem com Deus com o amor que é derramado em nossos corações; com a paz que está em Cristo? Penso que não. Agora, não somos nós que salvamos as pessoas, mas é Deus quem enviou Seu Filho que salva e resgata da morte para a vida (João 3.17).

Aqui reparto três idéias que podem nos ajudar na comunicação do Evangelho:

1 - Se não me alegro com a minha salvação, como é que eu posso compartilhar esta alegria adiante? Eu só posso apontar para a felicidade, para a gratidão a Deus que tanto fez e continua fazendo na minha vida, se minha fé estiver viva.  

2 - Tudo o que fazemos, sejam ações pequenas ou grandes, elas têm sua origem na ação orientada de Deus. Cedo ou tarde estas ações serão reconhecidas como boas contribuições ao ambiente em que vivemos. Lembrem-se que a nossa vida já é um testemunho, antes mesmo de abrirmos a nossa boca.

3 - A força que nos move provém do Espírito Santo, cujos sinais se mostram suaves e silenciosos. Vejamos o que os outros realmente necessitam. Pedro não curou o coxo da sua pobreza, mas das suas necessidades especiais.

Não desanimemos! Deixemo-nos encorajar por pessoas do perfil de Pedro; de João; de Dietrich Bonhoeffer. Eu fecho este texto lembrando de uma canção bem conhecida: “Alegrai-vos sempre no Senhor, Alegrai-vos no Senhor!...