Busque Saber

18.5.12

TISCHREDEN E A VISITA DA JAMILE



Olá Pessoal! Hoje eu celebrei meu quinquagésimo oitavo aniversário e me auto-presenteei com esta Peça de Teatro que escrevi para o bem da Diaconia na IECLB. Use-a no seu Grupo de Jovens; no seu Grupo de OASE. Abraços!

 

A Jamile participava do Grupo de Juventude Evangélica na sua cidade. Aos dezoito anos, ela fez vestibular e passou para Filosofia na Universidade. Sua família alegrou-se muito e presenteou-a com uma viagem para a Alemanha. Ela viajou contente por cidades como München, Heidelberg, Dresden, Frankfurt e Berlin. Mas ela queria mesmo era visitar Wittenberg, a cidade onde Lutero morou, trabalhou e constitui família ao lado de sua querida Katharina von Bora. 

 

Não se fez de rogada. Embarcou no trem em Berlim e, duas horas depois já estava em frente à casa de Lutero que, hoje, é um museu. Que casa enorme. Três andares, uma torre arredondada ao lado da porta de entrada em estilo gótico e, no telhado, quartos e chaminés. Comprou o ticket e entrou nos aposentos cheios de História...

 

Algo não estava certo. A luminosidade que até à sua entrada era intensa, começara a rarear. As paredes pintadas mudavam de cor, à medida que subia as escadarias. De repente, lá numa sala mais ao fundo, ouvia-se algazarra. Dirigiu-se para aquele espaço e viu o Reformador Martin Luther, sentado com crianças pulando no colo e brincando ao lado da sua esposa. Jamile parecia não acreditar no que via. Sentou-se numa daquelas cadeiras com guarda alta que estavam encostadas à parede e ficou vendo, ouvindo embasbacada tudo o que se passava na volta.

 

Melanchton, um dos grandes amigos de Lutero, estava de visita e também participava do “festerê” com as crianças. Não demorou muito todas as crianças se retiraram do recinto e se dirigiram ao pátio para brincar de “esconde-esconde”. Logo a casa se encheu de estudantes de Teologia. Sua esposa, Katharina, colocou uma toalha sobre a mesa. Mais tarde ela serviu cerveja aos visitantes. Todos se sentaram em torno da mesa para dialogar com seu professor. A maioria dos estudantes trazia material para apontamentos. É que, durante suas falas, o professor Martin Luther, sempre dizia verdadeiras “pérolas”, cheias de conteúdo, e os estudantes simplesmente amavam aqueles momentos... E começaram as “Tischreden” (os diálogos à mesa).

Hanz: Puxa Professor! O senhor já recebe estudantes aqui na sua casa desde 1531. Já faz 15 anos que o professor se dedica com carinho em prol dos estudantes desta Universidade. Adoramos estes momentos. O senhor sabia que esta é a hora em que nós conseguimos chegar mais próximos do senhor?

Luther: Sabe Hanz! Eu também gosto desses momentos. O fato é que me sinto bem na presença de vocês. Hoje vamos conversar sobre o tema “diaconia”. Digam-me uma coisa: - Como é que se repassa o amor que Deus nos presenteou aos outros? Melhor, como é que se leva o amor com o qual Jesus Cristo nos amou aos próximos?

Todos os estudantes permaneceram em silêncio, esperando que seu professor continuasse, e ele continuou...

Luther: A “diaconia”, o amor em ação, é o instrumento com o qual se pode compartilhar o amor “apreendido” com as pessoas que circulam à nossa volta.

Peter: O senhor está dizendo que a “diaconia” é uma espécie de “guarda-chuva” da “previdência cristã” professor?

Luther: Peter! Peter! Quem pratica a “diaconia” sabe que as pessoas querem ser amadas. Todo ser humano quer ser amado. Em Romanos 12.4-16, Paulo identifica o “ato de amar” como uma ação elementar e suficiente. Paulo define o “amor” como extremamente prático para a vida. Pessoas que se engajam na “proposta do amor”, logo se conectam com outras que, juntas, se articulam na Camunidade, com o objetivo de amar como Jesus amou. É assim que, em Comunidade, o nosso testemunho sempre é mais forte.  

A Jamile via e ouvia tudo, mas não era notada. Depois de se dar conta disso, ela tomou sua agenda de viagem na mão e também passou a fazer anotações...

Werner: O senhor quer dizer que na “diaconia” se aprende com o outro.

Luther: Sim Werner! Pra se lidar com outras pessoas há que se ter sensibilidade e equilíbrio. A Carta aos Romanos nos indica o caminho que nos leva até o “dom de servir”. Ainda lembro como se fosse ontem... Eu me encontrava na torre do castelo e lá eu gastei um tempo enorme tentando entender o texto de Romanos 12.7. Traduzi a palavra “diaconia” do Grego para o Alemão como “Amt”. O Melanchton e eu discutimos muito sobre isso e concordamos que “diaconia” é “profissão”. Vocês tem a Bíblia mão. Alguém pode ler este versículo?

Otto: Eu leio professor: “Ist jemand Diakonie gegeben, so übe er Diakonie...”

Luther: É isso, se alguém tem o dom de “servir”, esse alguém deve executar o serviço de “servir”; fazer “diaconia”; fazer o bem para outra pessoa de forma “prática”; de forma serviçal.

Hanz: Entendi professor. Paulo sustenta que nem todas as pessoas têm o “dom” de “servir”. Para ele, o “ato de amar com a partir do serviço” tem a ver com a fé.

Luther: Hanz! Guarde isso: A vida cristã só é possível quando há a aceitação da diversidade no “Corpo de Cristo”. Tornamos-nos membros do “Corpo de Cristo”, através da fé e do Batismo. Deus nos dá “funções especiais” para exercermos o nosso “dom” no referido “organismo”. São as nossas experiências particulares de fé que libertam os “dons” em nós. São estes “dons” que, “habilitados” pela nossa fé, direcionam as nossas funções como “membros do Corpo de Cristo”.

Neste momento Melanchton tomou sua palavra com aquele ar intelectual...

Melanchton: A imagem da Igreja como “Corpo de Cristo” me fascina. Em um “corpo” não existe hierarquia. Não existem “membros” que sejam menos ou mais importantes. Quer dizer, o “corpo” vive da “função diferenciada” dos seus “membros” que atuam debaixo de uma ordem prescrita. É óbvio que um “corpo” não sobrevive apenas da ação do coração e ou de um pé, mas da ação igual de cada membro que dele faz parte. Todas as pessoas são necessárias em seu “lugar especial” e a atribuição deste lugar não tem nada a ver se o tal membro é mais valioso do que o outro; se o tal membro tem mais dinheiro do que o outro e ou se o tal membro é oriundo de uma família privilegiada. O lugar de “atuação do membro” depende, única e exclusivamente, do lugar que Deus lhe atribui, a partir do “dom” presenteado.

Otto: Que coisa maravilhosa. Então a “diaconia” não é nada mais do que serviço; obra realizada para todas as pessoas.

Luther: Isso Otto! Onde não há serviço, há roubo. Nunca coloquem seus dons no “mercado” com o objetivo de obter sucesso. Deus nos dá “dons” para que possamos fazer o bem ao nosso próximo. O “cerne da diaconia” é o amor e ponto final.

Werner: Então esse “amor diaconal” deve ser praticado sem “segundas intenções”.

Luther: Certo Werner! A luta em prol da busca pela “sinceridade do amor” é a idéia básica do Novo Testamento. Quem pratica a “diaconia” expressa a “essencia do amor” na “ação diaconal” e esse amor se molda no encontro com o outro, enquanto se “pratica o acolhimento”. Na “diaconia” ninguém se gaba dos trunfos que porventura venham a acontecer. Quem “serve” tem prazer em honrar as pessoas servidas. Quem “serve” dá testemunho de fé fervorosa. Sim, porque o “amor” nunca está sozinho, mas sempre se faz acompanhar da esperança, da paciência e da espiritualidade. 

A Jamile se mostrava atônita com o que ouvia. Ela não parava de anotar, enquanto a conversa continuava...

Peter: Então quem quiser praticar a “diaconia” lançará o seu foco nas necessidades das outras pessoas – certo?

Luther: Exato. A “diaconia” trabalha os problemas dos outros com base no diálogo com Deus. Assim, o sofrimento da irmandade que acontece no mundo importa para a “diaconia”. Se o “Corpo de Cristo” sofre em algum lugar do planeta, os “membros desse Corpo” padecem em qualquer lugar do globo terrestre. Importa se abrir “as portas do próprio lar aos estranhos”. A “hospitalidade” é uma forma de vida; é um sinal do interesse pelos outros. 

Hanz: Professor, eu li que “se alguém quer proclamar o Evangelho, esse alguém precisa amar as pessoas a quem visa entregar a Boa Nova”. Isso bate com os conteúdos que o senhor está nos expondo...

Luther: Guardem isso! Quem quiser ajudar pessoas não poderá, sob hipótese alguma, entendê-las como “objetos da sua propriedade”, mas amá-las com liberdade. Jesus sempre ia ao encontro das pessoas, motivado pelo “amor”. Quem age assim torna-se “simpático”; mostra “compaixão”. “Alegrar-se com aqueles que se alegram e chorar com os que choram” tem a ver com “entrar na pele” de quem está sendo ajudado. Quem pratica a “diaconia” precisa gostar das pessoas.

Otto: Anotei aqui professor: Praticar a “diaconia” é abrir mão do orgulho; é procurar a comunhão com as pessoas que se mostram inexpressivas e insignificantes; é colocar-se ao lado das pessoas que procuram ajuda, a partir da fé e das articulações da Igreja.

Luther: “Na mosca” Otto. O papel da Igreja gira em torno da Diaconia. O “amor vivido” é quem determina a “potência de radiação” da Igreja. Sem missão a “diaconia” é nada. Para se manter sob a proposta de Deus, a Igreja precisa da “diaconia” e a “diaconia” precisa da Igreja. Igreja sem “diaconia” é Igreja fria. “Diaconia” sem Igreja é algo vazio e é justamente por isso que carecemos do “amor ação”; de um estilo de vida marcado pela fé e por uma  forma mais eficiente de organização para ajudarmos as pessoas. É desse jeito que vamos conhecer o “amor” com o qual Jesus Cristo nos amou para, então, repassá-lo adiante...

Neste momento clareou a luz. As paredes ostentaram novamente sua pintura moderna. E Jamile só viu a mesa; a mesa e as antigas cadeiras ali na sua frente. Ao seu lado turistas do Japão, dos EUA, da Nova Zelândia... Ela, atônita, olhou seu bloco de anotações e não viu nada escrito. Jamile sonhou acordada...

17.5.12

TITANIC x VIDA MINHA



Do texto do Evangelho de João 15.9-17, destaco o verso 13: - Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. 

Estamos em maio, em plenas celebrações da Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos. Para tal, me reporto ao mês de abril de 1912. Aquele mês ficou na História. Sabem por quê? É que, naqueles dias, afundou o grande navio de passageiros “Titanic”, que fazia sua viagem ianugural. Na época se dizia que aquele grande transatlântico era inafundável. O fato é que não foi sso que se viu, pois um “iceberg” fez um rasgo de vários metros no seu casco. Essa rasgadura permitiu a entrada de muita água nos porões da embarcação. Daí então, aquele peso desproporcional fez com o navio desaparecesse nas águas escuras e geladas do Atlântico Norte. Hoje sabe-se que o referido sinistro selou a morte de 1500 passageiros por afogamento.  

O filme “Titanic” nos conta a história desse desastre do ponto de vista de um jovem casal apaixonado. A Rosa, uma moça de 17 anos de idade, nos é apresentada como uma menina mimada da “classe alta”. Ela estava viajando com o objetivo de se casar com um homem muito nobre e rico nos EUA. É que a família da Rosa tinha perdido todos os seus bens e seus pais esperavam que aquele casamento arranjado os reabilitasse financeiramente. A jovem Rosa viajava com medo do futuro que lhe esperava e, nas suas reflexões, ela não encontrava nenhuma saída para os seus desassossegos. Esse sentimento fez com que ela se encaminhasse à popa do navio com o intuito de jogar-se ao mar para morrer e, assim, fugir do problema. Neste momento Jaques, um jovem pintor, a impede, a partir de uma boa conversa sobre o sentido da vida, de praticar aquele ato. Como não podia deixar de ser, o casal se apaixonou.  

Quando o “Titanic” bateu no “iceberg” e o navio se encheu de água, Jaques se colocou ao lado da sua nova namorada. Saltou com ela para dentro da água. Ali, perto deles, no mar revolto, flutuava uma porta de madeira. Esta porta, no entanto, só suportava o peso de uma pessoa. Jaques colocou Rosa sobre a mesma e ficou com seu corpo imerso na água gelada. Rosa sobreviveu.

Anos mais tarde ela testemunhou que seu namorado tinha lhe salvado a vida. Que, para salvá-la, ele teria “plantado” nela a vontade de viver novamente; que ele lhe teria ensinado a optar pelo verdadeiro valor da vida, enquanto descartasse as propostas de superficialidade que a enredavam; que ele teria se importado com ela, apesar da sua morte ser iminente; que ele teria permanecido sempre corajoso ao seu lado, sempre animando-a a lutar pela sua vida, durante todas aquelas dramáticas horas, antes do afundamento; que ele a teria colocado sobre a porta flutuante para que ela pudesse se salvar; que ele, antes dele morrer, a teria desafiado a viver uma vida livre e feliz pois, caso contrário, aquele seu sacrifício estaria sendo em vão. 

Nesta história nós encontramos muitos paralelos com o que Jesus fez por nós, cristãs e cristãos do mundo todo. - Como é que vai o nosso “caso de amor” pessoal com Jesus Cristo? - Como foi que Ele nos salvou? - Ele também nos libertou de hábitos negativos? - O que mudou na nossa vida, desde o momento em que nos achegamos a Ele? - Já permitimos que o Senhor Jesus nos mostrasse o que realmente vale a pena nesta vida? - Estamos felizes e livres, enquanto atuamos alicerçados nas nossas Igrejas? Estamos aproveitando as oportunidades que Deus nos dá nas cidades em que moramos? - Cremos que Jesus está sempre ao nosso lado, embora raramente sintamos Sua presença? 

Sim, o sacrifício de Jesus Cristo também não deve ser em vão para nós, cristãs e cristãos!

14.5.12

ATUALIZAÇÃO TEOLÓGICA DE MINISTRAS E MINISTROS do SÍNODO NORTE CATARINENSE


Era terça-feira, dia 08 de maio de 2012. Foi de repente que muitos de nós, ministras e ministros do Sínodo Norte Catarinense, estávamos sentados em círculo, numa das salas do Lar Filadélfia, em São Bento do Sul (SC). A fala da nossa assessora curitibana, graduada em Administração e pós-graduada em Psicologia Organizacional, Sra. Gudrun Schmidt, soava firme e, ao mesmo tempo, amorosa. Sua expressão corporal nos comunicava excelente conteúdo enquanto suas palavras nos deliciavam. Sim, queríamos nos fortalecer; experimentar valorização; buscar saídas para nossos estresses; trabalhar espírito de grupo; fortalecer laços...

No semblante de todos se lia o desejo ardente de uma “recarga de baterias”. Tal desejo coletivo nos “catapultou” para dentro de uma interação impar. Se na Comunidade somos constantemente chamados a ajudar, ali, naquele lugar, poderíamos ser ajudados. Que sensação incrível aquela! Era hora de tentarmos andar devagar, sem pressa. Uns de nós refletíamos com o hemisfério cerebral direito. Já outros com o esquerdo. Aqueles eram os mais lógicos. Estes os mais criativos.  Por que não ousar ser proativo; objetivar a partir da importância; “negociar” sob a “batuta” do “ganha-ganha” e não do “perde-ganha”; buscar compreender para ser compreendido; fazer acontecer cooperação criativa; renovar pontos de vista? 

Vi “companheiras e companheiros de luta” dispostos a mudar. Nossa turma queria se servir daquela análise; tomar a direção mais eficaz. O compartilhamento dos problemas gerava um vulcão de possíveis soluções. Aqui e ali fluíam a originalidade e a flexibilidade. Não era sonho não! Estávamos navegando rumo a um novo horizonte. O cientista Albert Einstein monitorava o leme do nosso barco. Ouvi-o gritar: “Ninguém de vocês consegue resolver um problema com a mesma atitude de quem o criou!” Sim, éramos diferentes e precisávamos trocar nossos saberes.

Fazer lista de pendências; estabelecer prioridades; pensar prazer e alegria; não perder o foco; equilibrar-se entre a rapidez e a criatividade; imaginar a família, a saúde, a hora tranquila e, primordialmente, distinguir o que é importante do urgente na agenda. Era bom estarmos ali, unidos, em comunhão e amor. 

Se o conteúdo que transmitimos só promove menos de 10% de mudança e se a postura dos nossos corpos, mesclada com o tom da nossa voz, o fazem em torno de 80%, é claro, havia a necessidade de mudarmos de postura. Assim, confiar era preciso; dialogar era necessário e colocar-se na pele do outro era primordial. Estava na hora de buscarmos uma visão compartilhada para ser ministra; para ser ministro. E aí veio o almoço da quinta-feira, do dia 10...

DIACONIA É "AMT" IV


O papel da Igreja gira em torno da Diaconia. Quando Paulo se refere à “diaconia”, ele não tem em mente uma Secretaria, tal como a da Igreja Evangélica de Convfissão Luterana no Brasil - IECLB, na Rua Senhor dos Passos, 202, em Porto Alegre (RS). 

Agora, mesmo que o nosso estilo de vida e as nossas formas de organização não se assemelhem aos do primeiro século, a mensagem básica permanece sendo a mesma: O “amor vivido” é quem determina a “potência de radiação” de nossa Igreja. 

Sem missão a nossa “diaconia” é nada. Para se manter sob a proposta de Deus, a Igreja precisa da “diaconia” e a “diaconia” precisa da Igreja. Igreja sem “diaconia” é Igreja fria. “Diaconia” sem Igreja é algo vazio.

É por isso que precisamos do “amor ação”; de um estilo de vida marcado pela fé e por uma  forma mais eficiente de organização para ajudar pessoas. É desse jeito que vamos conhecer o “amor” com o qual Jesus Cristo nos amou para, então, repassá-lo adiante. Creio que estejamos dando passos nesta direção. Graças a Deus!

DIACONIA É "AMT" III


O cerne da diaconia tem a ver com o amor. O apóstolo Paulo ressalta que esse “amor diaconal” deve ser praticado “sem segundas intenções”. A luta em prol da busca pela “sinceridade do amor” é a idéia básica do Novo Testamento. 

Hoje também importa a autenticidade deste “amor ação”. Quem pratica a “diaconia” expressa a “essencia do amor” a partir da “ação diaconal”. Paulo nos promove o aprendizado do que é o “amor autêntico”. Este amor se molda no encontro com o outro, enquanto se “pratica o acolhimento”. 

Na “diaconia” ninguém se gaba dos trunfos. Nelas as pessoas tem prazer em honrar umas às outras (10b). O “amor” exclui a inércia. Quem ama se mostra animado e serve de forma “fervorosa” ao Senhor (v. 11b). O “amor” nunca está sozinho, mas sempre se faz acompanhar da esperança, da paciência e da espiritualidade. 

O apóstolo nos desafia a alegrarmo-nos na esperança, a sermos pacientes na tribulação e perseverantes na oração (v. 12). É desta forma que ele nos orienta a lançarmos o nosso foco nas necessidades dos outros cristãos. A “forma especial” de se viver o “amor cristão” sempre se dá num clima positivo porque este “amor” sempre se faz acompanhar da alegria, da confiança e da perseverança. A “diaconia” trabalha os problemas a partir do diálogo com Deus. 

O sofrimento da irmandade no mundo importa para a “diaconia”. Isto é assim porque os olhos da “diaconia” sempre são globais. Quando o “Corpo de Cristo” está sofrendo em algum lugar do planeta, os membros desse “Corpo” padecem em qualquer lugar do globo terrestre. Assim, o destino dos coptas no Egito; dos cristãos orientais no Iraque e a divisão do “Corpo de Cristo” na África do Sul devem nos preocupar também. 

Na vida pessoal isso implica em se praticar a bondade; se praticar “diaconia” abrindo as portas do próprio lar. O apóstolo Paulo resume isto com a expresão “hospitalidade aos estranhos”(v. 13b). A abertura para outras pessoas se reflete na abertura de sua própria casa para os visitantes. A “hospitalidade” é uma forma de vida e a disposição de se hospedar visitantes e pessoas carentes é indicadora se a pessoa que atua é auto-suficiente e e ou se ainda é dependente. A prática da hospedagem sempre é um sinal do interesse pelos outros. 

Li de um dos grandes líderes da Igreja que “se alguém quer proclamar o Evangelho, esse alguém precisa amar às pessoas a quem visa entregar a Boa Nova”. A pessoa que queremos ajudar não pode ser entendida como um “objeto da nossa propriedade”, mas deve ser amada com liberdade. O apóstolo nos recorda a atitude tomada por Jesus que sempre ia ao encontro das pessoas motivado pelo “amor”. Jesus até se mostrava amoroso na relação com seus inimigos. Ele sempre deixava esta postura clara aos seus discípulos quando lhes dizia: “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (v. 14).  

Esse jeito de se viver é marcado pela simpatia; pela “compaixão”. “Alegrar-se com aqueles que se alegram e chorar com os que choram” (v.15). A “diaconia” prospera com a vontade que se tem de “entrar na pele” de quem precisa de ajuda. As pessoas que praticam a “diaconia” precisam ter afinidade com as pessoas oprimidas e marginalizados da nossa sociedade. 

O apóstolo nos desafia a termos o mesmo sentimento uns para com os outros; a abrirmos mão do orgulho e a procurarmos a comunhão com as pessoas que se mostram inexpressivas e insignificantes (v. 16). Sim, a ação de diaconar é colocar-se ao lado das pessoas que procuram ajuda, a partir da fé e das articulações da Igreja.

13.5.12

DIACONIA É "AMT" II

A vida cristã só é possível quando há a aceitação da diversidade no Corpo de Cristo. Paulo não abre mão da compreensão que nos tornamos membros do Corpo de Cristo, através da fé e do Batismo. Assim, inseridos neste “Corpo” e, ainda, conforme a medida da nossa fé, Deus nos dá “funções especiais” para exercermos no referido “organismo”. O grau da nossa crença não tem nada a ver com “acreditar mais ou menos” e sim, com a forma concreta de como exercitamos a nossa fé e de como nos tornamos a pessoa que somos. São as nossas experiências particulares de fé que acabam libertando certos “dons” em nós. Os nossos “dons” e as nossas “habilidades” acabam direcionando as nossas funções como “membros do Corpo de Cristo”.

A imagem da Igreja como “Corpo de Cristo” me fascina desde a minha juventude. Em um “corpo” não existe hierarquia. Não existem membros que sejam menos ou mais importantes. Nesse sentido não há “membros superiores ou inferiores”. Quer dizer, o “corpo” vive da função diferenciada dos seus “membros” que atuam debaixo de uma ordem prescrita. É óbvio que um “corpo” não sobrevive apenas da ação do coração e ou de um pé, mas da ação igual de cada membro que dele faz parte. Todo mundo é necessário em seu “lugar especial”. E a atribuição deste lugar não tem nada a ver se o tal membro é mais valioso do que o outro; se o tal membro tem mais dinheiro do que o outro e ou se o tal membro é oriundo de uma família privilegiada. O lugar de atuação do membro depende, exclusivamente, do lugar que Deus lhe atribui, a partir do “dom” presenteado.

Outro dia encontrei um velho amigo santacruzense. Ele compartilhou que, desde criança, também pensava em seguir a carreira eclesiástica como eu. Que sua mãe tinha adorado a idéia, mas que ele, felizmente, não tinha seguido aquele caminho. Que se tivesse perseguido a dita profissão, hoje, certamente, seria o mais infeliz de todos os homens. Curioso, perguntei-lhe pela sua profissão. Sua resposta veio marcada por brilho nos olhos: “Sou um industriário. Hoje não me passa pela cabeça estar atendendo pessoas numa Paróquia, esperando a aposentadoria aos 65 anos. Eu adoro o meu escritório onde me assento todos os dias sobre a cadeira giratória.” 

Meu amigo continuou sua fala: “Muitos se acham “grande coisa”, quando são chamados de diretores dentro de uma indústria. Mas o que é um diretor? Uma firma precisa de diretor tanto quanto de funcionários. Eu sempre igualei a importância do funcionário comigo. Quando se coordena uma indústria como se fosse um organismo onde cada qual se sente importante no seu lugar de atuação, há grandes perspectivas desta empresa se manter “saudável” por longos e longos anos.

Essa palavra comparilhada pelo meu amigo industriário tem a ver com a ética no trabalho e está de pleno acordo com aquilo que Paulo sugere para a Igreja, quando se reporta à “diaconia”. A “diaconia” acontece no espaço que se compreende entre a Igreja e algumas Empresas Comerciais gerenciadas por pessoas cristãs. Ela, no entanto, só poderá manifestar esse seu “perfil especial”, se os seus sujeitos a entenderem como “simples serviço”.

Sim, “diaconia” não é nada mais do que serviço; obra realizada para todas as pessoas. “Onde não há serviço, há roubo” – disse Martin Luther. Quer dizer, nós não dispomos dos nossos dons para nos darmos bem; para obtermos sucesso. Deus nos dá dons para que possamos fazer o bem ao nosso próximo e ponto final.

É claro que o serviço da Comunidade Cristã não acontece somente dentro da Instituição Igreja. A “obra diaconal individual” ou o “engajamento diaconal comunitário” também são reais nas nossas Igrejas. Seja qual for a forma de se “diaconar”, essa forma tem apenas um “cerne”; o “amor”.





OLHA SÓ!