13.5.12

DIACONIA É "AMT" II

A vida cristã só é possível quando há a aceitação da diversidade no Corpo de Cristo. Paulo não abre mão da compreensão que nos tornamos membros do Corpo de Cristo, através da fé e do Batismo. Assim, inseridos neste “Corpo” e, ainda, conforme a medida da nossa fé, Deus nos dá “funções especiais” para exercermos no referido “organismo”. O grau da nossa crença não tem nada a ver com “acreditar mais ou menos” e sim, com a forma concreta de como exercitamos a nossa fé e de como nos tornamos a pessoa que somos. São as nossas experiências particulares de fé que acabam libertando certos “dons” em nós. Os nossos “dons” e as nossas “habilidades” acabam direcionando as nossas funções como “membros do Corpo de Cristo”.

A imagem da Igreja como “Corpo de Cristo” me fascina desde a minha juventude. Em um “corpo” não existe hierarquia. Não existem membros que sejam menos ou mais importantes. Nesse sentido não há “membros superiores ou inferiores”. Quer dizer, o “corpo” vive da função diferenciada dos seus “membros” que atuam debaixo de uma ordem prescrita. É óbvio que um “corpo” não sobrevive apenas da ação do coração e ou de um pé, mas da ação igual de cada membro que dele faz parte. Todo mundo é necessário em seu “lugar especial”. E a atribuição deste lugar não tem nada a ver se o tal membro é mais valioso do que o outro; se o tal membro tem mais dinheiro do que o outro e ou se o tal membro é oriundo de uma família privilegiada. O lugar de atuação do membro depende, exclusivamente, do lugar que Deus lhe atribui, a partir do “dom” presenteado.

Outro dia encontrei um velho amigo santacruzense. Ele compartilhou que, desde criança, também pensava em seguir a carreira eclesiástica como eu. Que sua mãe tinha adorado a idéia, mas que ele, felizmente, não tinha seguido aquele caminho. Que se tivesse perseguido a dita profissão, hoje, certamente, seria o mais infeliz de todos os homens. Curioso, perguntei-lhe pela sua profissão. Sua resposta veio marcada por brilho nos olhos: “Sou um industriário. Hoje não me passa pela cabeça estar atendendo pessoas numa Paróquia, esperando a aposentadoria aos 65 anos. Eu adoro o meu escritório onde me assento todos os dias sobre a cadeira giratória.” 

Meu amigo continuou sua fala: “Muitos se acham “grande coisa”, quando são chamados de diretores dentro de uma indústria. Mas o que é um diretor? Uma firma precisa de diretor tanto quanto de funcionários. Eu sempre igualei a importância do funcionário comigo. Quando se coordena uma indústria como se fosse um organismo onde cada qual se sente importante no seu lugar de atuação, há grandes perspectivas desta empresa se manter “saudável” por longos e longos anos.

Essa palavra comparilhada pelo meu amigo industriário tem a ver com a ética no trabalho e está de pleno acordo com aquilo que Paulo sugere para a Igreja, quando se reporta à “diaconia”. A “diaconia” acontece no espaço que se compreende entre a Igreja e algumas Empresas Comerciais gerenciadas por pessoas cristãs. Ela, no entanto, só poderá manifestar esse seu “perfil especial”, se os seus sujeitos a entenderem como “simples serviço”.

Sim, “diaconia” não é nada mais do que serviço; obra realizada para todas as pessoas. “Onde não há serviço, há roubo” – disse Martin Luther. Quer dizer, nós não dispomos dos nossos dons para nos darmos bem; para obtermos sucesso. Deus nos dá dons para que possamos fazer o bem ao nosso próximo e ponto final.

É claro que o serviço da Comunidade Cristã não acontece somente dentro da Instituição Igreja. A “obra diaconal individual” ou o “engajamento diaconal comunitário” também são reais nas nossas Igrejas. Seja qual for a forma de se “diaconar”, essa forma tem apenas um “cerne”; o “amor”.





Um comentário:

Roberto Schulz disse...

Valeu...