2.11.06

Passamos pelo tempo!


Faz muito tempo que nos conhecemos. Ele ainda passa a impressão de representar a Verdade, aqui na terra. Suas palavras sempre ainda soam duras àqueles que não concordam com seus ensinamentos. Lembro que, dia após dia, mostrava-se um sujeito extremamente doce àqueles que o levavam em conta. Confesso que ouvi-o, durante anos, com todo carinho. Ele tinha vivido vida dura. Mesmo assim, debaixo de luta forte, cresceu e venceu em meio aos ventos de enormes crises. Ainda hoje é um sujeito carismático. Inúmeros continuam ouvindo-o, enquanto segue sua caminhada. Fiquei triste ao perceber que não consegue se dar conta de que a vida passa. De que não é o eixo da existência.

O tempo está parado. O sol está estacionado nalgum lugar do firmamento. A terra gira em torno dele e, dali, nos brinda com dias e noites. Dentro deste sistema estático, estamos dinâmicos, tu e eu. Somos capazes de viajar à Vladivostok, à Atenas, a Beirut e à Santa Cruz do Sul. Enquanto isso, nosso organismo vai incorporando sinais de desgaste. Alguns de nós não percebem e ou até não querem perceber estes tais. Teimamos em ir tocando a vida como sempre a tocamos. Fechamos os ouvidos para os nítidos recados que vem do Criador que, por amor, assim nos prepara para a entrega do bastão às gerações vindouras. Há que se ouvir também essa voz de Deus que soa através dos nossos órgãos.

Meu envelhecido amigo passa ao largo destes recados. Não quer se ocupar com esta questão. Continua querendo ser senhor maior, sempre a partir da hiper-atividade. Não consegue sentar. Quer continuar a lutar como lutava. A interfer nos assuntos como interferia. A dar a pauta como antigamente o fazia. Vi que seu olhar não brilha mais tanto como outrora brilhava. Percebi que seus dedos perderam a elasticidade. Mas também pude notar que ele insiste no seu propósito. Ouvi-o dizer que quer morrer em pé, fiel ao seu passado. Daí, não resisti e desafiei-o a encarnar outro ritmo. Ele fez que não ouviu.

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