7.11.06

A pitangueira do meu pomar!



Hoje, lendo os jornais, assustei-me. Não há mais dúvida de que o mundo se move por ameaças. Como comportar-me no meio desse deserto? Foi por acaso que acabei lendo esta boa Palavra: - “Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste. Cheia está a terra das tuas riquezas” (Salmo 104.24). Interessante notar que o autor deste pequeno conjunto de idéias mostra-se maravilhado e, consequentemente, adorador de Deus. Ao perceber Sua sabedoria, não consegue calar. E é claro que, em vista disso, só consegue escrever poesia.

É de manhã. O silêncio chega a ser cortante. E eu, recolhido no gabinete, tento dialogar com Deus. Lá fora, sobre a grama verde, o pé de pitangas. Suas frutas vermelhas, prá lá de maduras, já colorem o chão. Nos galhos, sustentados por forquilhas, dançam, ao sabor do vento, sabor e beleza. O casal de pássaros trabalha a não mais poder. Voam e voltam com capim escolhido no bico. O ninho já trás as marcas do leiaute milenar, um dia aprendido do Criador. A felicidade? Ora, ela fica traduzida nos alegres pios e nos lépidos pulos que confundem minha visão, enquanto tento olhar por entre as folhas sombreadas.

Nunca vi passarinhos magros. Quando os percebi tristes e ensimesmados, estavam em gaiolas. Infelizmente, depois da Proposta Primeira de Deus, vieram os cercados. A depressão machuca muito mais do que só o coração. O mundo já teme a falta d´água. Leio que já há rios que não chegam ao mar e, assim, ouço a natureza a chorar. Ela tem saudade dos carinhosos dedos Daquele que a projetou. Ela geme, enquanto espera pela interferência dos que têm consciência.

Quanta algazarra, tudo é festa na pequena árvore. Êpa! O vento virou. O telefone tocou. Acordei-me. Tenho assuntos a resolver. Lá fora estão famílias a visitar. Será que ainda sobra tempo prá eu sonhar? Enquanto isso, flui a vida na pitangueira do meu pomar. (Texto escrito em Florianópolis - 1999)

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