4.8.07

Viagem à Rússia III - 16/07/02 (terça-feira)


Quando eram 3h e 30min da madrugada, não conseguimos mais pregar os olhos. Era o fuso horário dentro do nosso corpo. Lá pelas 4h e 30min, levantei-me da cama, tomei outro banho e, novamente, tentei dormir. Ficamos assim, na cama, até às 07h e 30min da manhã. Às 08h fomos chamados pela D. Maria para tomarmos o nosso café. Já às 08h e 45min, dirigimo-nos ao templo luterano de onde sairia o ônibus que levaria os participantes do Seminário rumo a Smyka, uma localidade interiorana mais ao norte do país.

A saída do mesmo estava marcada para às 10h. Houve um grande atraso porque uma das participantes havia esquecido o seu passaporte em casa. Agora sim. Às 10h e 30min começamos a viajar para dentro dos 500 km que ficavam à nossa frente. Todos previam uma duração de 12h. Durante o trajeto, por duas vezes, estacionamos no pátio de pequenas Comunidades que ficavam no caminho e que eram atendidas pelo P. Manfred. Nelas sempre embarcavam novas pessoas. Na última, serviram-nos comida quente, suco, cuca e tudo o mais. O clima era de festa. Eram os novos participantes que vinham com sorriso estampado no rosto. Gente que iríamos conhecer bem de perto. Depois de uma hora, seguimos viagem.

De repente, parou o ônibus. O motorista avisou que um dos pneus traseiros havia furado e que precisava consertá-lo. O conserto demoraria em torno de uma hora. Todos e todas, com excessão de dois ou três passageiros que preferiram ficar dormindo, desceram para esticar as pernas. A viagem continuou marcada por pequenas e necessárias paradas. Finalmente, às 23h e 30min., chegamos ao nosso destino. O ônibus estacionou e, mais do que depressa, todos pegaram suas bagagens. Fomos em direção do salão de conferências para lá recebermos as chaves dos aposentos pré-estabelecidos.

A Valmi e eu fomos hospedados no quarto de uma casa com muitos vizinhos. O quarto era razoável mas não tinha banheiro e nem tampouco vaso sanitário. Não tinha nem sequer uma pia na casa inteira. Saí dali para perguntar a alguém onde ficava a “toilette”. A pessoa que encontrei foi muito gentil. Ela disse: - Vem cá. Mou te mostrar. Caminhamos mais ou menos uns 50 metros. Quando cheguei ao local, fiquei perplexo. Tratava-se de uma casinha tal como aquela que os antigos agricultores do interior do Brasil tinham no fundo de suas casas. Tudo desprovido de pia e também de chuveiro. Indaguei sobre a possibilidade de tomar banho, de escovar os meus dentes e de lavar as minhas mãos. A resposta foi rápida: - Naquela lagoa ali. Quase desmaiei de susto. A Casa de Retiros era simples demais ou melhor, sem nenhuma instalação sanitária. Esta constatação acabou nos deprimindo um pouco.

Imaginem! Depois de uma longa viagem, de 500 km compreendidos em 12h, você precisa assear-se. Foi horrível. Ainda mais para nós, brasileiros, que dão tudo por uma ducha diária. Não nos restou alternativa. Mergulhamos os pés nas águas geladas da lagoa e lá fizemos nossa higiene para, depois, ao natural, cairmos na cama. Uma delas era boa. A outra, péssima uma vez que o lastro de arames era velho e irregular. Valmi e eu acordamos que, nos revezaríamos na mesma. E assim fizemos.