5.8.07

Viagem à Rússia IV - 17/07/02 (quarta-feira)


Logo às 08h da manhã, fomos acordados pelos sons do pistão do colega Brookmann. Levantamos da cama, vestimo-nos e, ao saírmos do quarto, percebemos que o casal de americanos eram nossos vizinhos no aposento de madeira. Todos se encontraram à margem do lago para a já referida higiene. Às 08h e 30min, todos os participantes voltaram à margem da lagoa. Lá havia um altar com paramentos e uma cruz, duas velas e a Bíblia. Foi ali que, de pé, celebramos nosso primeiro Culto ao ar livre. Formávamos um círculo em volta do altar munidos de folhas de canto. Pastor Brookmann animava-se com a atmosfera que se criava. Às 09h dirigimo-nos ao refeitório com o objetivo de saborearmos o café da manhã. Antes de darmos início ao desjejum, novamente em pé, cantamos um hino de gratidão a Deus pelo alimento que estava sobre a mesa.

Às 09h e 45min foi iniciado o Programa Oficial do Seminário. O P. Brookmann e a Coordenadora Irina fizeram a saudação inicial. Logo depois, dirigiram-nos para dentro de uma Dinâmica de Grupo que nos facilitava o conhecimento mútuo. Feito isso, experimentamos uma pausa de 10min.

Já às 10h e 45min, entraram em ação o casal Alan x Kathie. Deram início ao seu tema intitulado “See through the Scriptures”. Comunicavam-se em Inglês e a Irina, na mesma hora, traduzia ao Russo. Como recurso pedagógico, usaram imagens copiadas sobre lâminas ilustrativas e coloridas que, a partir de um retroprojetor, lançavam sobre a tela. O casal se alternava na apresentação do tema “Um passeio pela Bíblia”. E quando foi 12h e 30min., encerraram o seu momento matutino.

Às 13h foi servido o nosso primeiro almoço. De entrada, tomamos sopa. Depois, veio arroz com fígado de gado e saladas. Um prato um tanto estranho para nós e, por isso, comemos pouco. Após o almoço tivemos uma pausa de praticamente três horas. Das 16h até as 17h e 45min damos início ao nosso tema “Crendices – O que é Isso?”. Às 18h o P. Brookmann também iniciou o seu tema que versava sobre o Antigo Testamento. Trabalhou sobre o mesmo aé as 18h e 45min quando, em seguida, fomos jantar. Às 19h e 45 min., o pastor voltou a carga com mais conteúdo. Agora, o mesmo versou sobre a História da Igreja Luterana Russa. Este momento estendeu-se até às 20h e 45min quando, cansados, ainda participamos de mais um Culto, às margens do Lago. Com esta Celebração encerramos os trabalhos do Primeiro Dia.


Era o dias das mulheres usarem as dependências pensadas para uma boa sauna. Na Rússia praticamente toda casa tem sua arquitetura voltada para possibilitar essa experiência. Trata-se de uma tradição, tal como o chimarrão no Rio Grande do Sul, eu diria. Todos massageiam-se batendo com ervas no corpo para brirem os poros. Interessantíssimo. A Valmi ficou felicíssima pois, finalmente, experimentaria um banho quente. Enquanto ela curtia o momento eu fiquei no quarto, me preparando para desenvolver o tema no dia seguinte. Foi excelente. O testemunho da Valmi foi de encher os olhos. Ela disse que as mulheres aproveitaram para lavar o cabelo e tomar um banho gostoso. Que lá havia água quentinha em profusão e que o compartimento possuia várias bacias e duas grandes torneiras das quais jorrava a tal da água. Uma delas continha água quentíssima. Já a outra, geladíssima. Com a mistura das duas, criava-se as boas possibilidades para o grupo.

Pois é!


Era uma vez um homem que comprou um lindo terreno num bonito bairro da sua cidade. Nele havia três lindas árvores nativas que davam boa sombra. O arquiteto e o engenheiro levaram em conta a obra da natureza, enquanto trabalharam a planta da sua tão sonhada residência. Precisou aterrar os fundos dos ditos 1.500m² com onze caçambadas de boa terra. Ele mesmo contruiu o muro em volta do lote, todo com tijolos à vista. Também caprichou nos dois portões, um para o carro e o outro para a família. Seus filhos o ajudaram a cavar valetões que preencheu com pedra britada para secar a umidade. Ele fez mutíssimas coisas mais.
Poupou dinheiros e, depois de alguns bons nove meses, plantou o fundamento da tão sonhada casa, tudo com cimento e ferro de primeiríssima qualidade. Dava gosto de ver a construção crescendo a partir das suas mãos e das dos seus queridos. Ninguém poupava as suas forças na obra. Ele simplesmente cuidou de todos os detalhes. Escolheu os azulejos, o tipo de telhas, o piso, o encanamento, a instalação elétrica, o madeiramento e tantas coisinhas mais que uma obra deste vulto requer. Também plantou um lindo gramado em roda de casa e não poupou dinheiros quando o assunto tinha a ver com estética. Enfim, colocou a sua vida na construção.
Passaram-se dezessete meses e a casa da sua aposentadoria ficou pronta. Agora era tempo de mudar, invadir seus aposentos com os móveis, com as suas coisas que foi adquirindo durante a vida. Ele ainda dispunha de um pouquinho de dinheiro e foi então que lhe brotou uma “brilhantíssima” idéia: terceirizar a ornamentação interna e externa do seu lar.
Pois gastou o resto das suas economias com as horas trabalhadas de um sujeito que surgiu do nada, assim de repente. Sem refletir no que estava fazendo, conferiu-lhe poder para encher seu novo “ninho” com cortinas, tapetes e quadros que não combinavam absolutamente nada com seu apurado gosto. Também permitiu que o tal indivíduo escolhesse as cores com as quais pintou seu patrimônio, externa e internamente. Agindo assim, oportunizou que a dita cuja pessoa saboreasse a “sobremesa” que era só sua. Agora, ele precisava conviver com toda aquela gama de detalhes que via e revia todos os dias, mesmo sem deles gostar. Pode uma coisa dessas? Pois é!...