17.8.07

Vida canoa!


Saído de Santa Cruz,
Acomodaram-me em Portela
E depois de sete verões,
em Ibirubá, bati canela.
Foi em sessenta e dois
Que revi minha Santa Cruz.
Tempo menino, adolescente,
Chão duro com réstia de luz.
Em Ivoti sentei num banco.
Vi cidades na grande Poa.
Decidi empedrar meus sonhos.
Sim – eu estava na proa.
Sapiranga e Vila Scharlau,
Lá ia eu - Bairro Primavera.
Ao homem os compromissos,
Já na capital - uma nova era.
Cianorte, Paranavaí e Gaúcha,
Saúde, tempo de correria.
Em Querência e Umuarama,
Vivi momentos de certa alegria.
A Cruz Alta me lançou abanos.
Dei de mim, tudo o que tinha.
Sonhava com mundo novo
E até pensava que vinha.
Quanta garra em Floripa.
Os mais belos anos ali vivi.
Tempos depois, tudo claro:
Como a vela me consumi.
Suspirando, fui ser Munique.
Gente crescida e aculturada
Que linguajava com o corpo:
Leider” – estás só na beirada.
Aqui me encontro – última reta?
Reaprendo a inspirar villa boa.
Quem sabe, no resto da história,
Eu reme adiante - vida canoa.