10.6.11

Eu produzo - Tu produzes!


O patrão não deixou por menos: - Neco! Depois de limpar o chão tu pegas toda aquela sacaria suja e leva pro tanque. Se sobrar um tempinho, antes da largada, dá mais uma demão de tinta ali naquele pára-lama... No final de tudo apaga as luzes e pode ir pra casa.

O Neco correu. Precisava pegar os livros e rumar pro colégio. Já passava da hora. Sentou-se no canto da sala. O professor ensinava que “o mundo se movia pela produção...” Neco anotava aquele assunto de Sociologia e, junto, pensava no pai inválido; naquele homem sem importância. Trabalhar, trabalhar... Sim, esse critério de que se precisa trabalhar sem parar para se valer alguma coisa era assassino. Que coisa! Ele mesmo já caminhava pelos mesmos caminhos do pai; do avô...

- “Mas observem” – disse o professor – “a vida de uma pessoa sempre tem valor inestimável porque ela, a pessoa, é a imagem de Deus; porque ela, a pessoa, é criada por Deus; porque ela, a pessoa, é única e não porque é produtiva e porque consegue fazer isso ou aquilo com habilidade. A pessoa tem a vida porque Deus lhe dá e porque Deus espera que ela desfrute o fato de ser Sua imagem”.

Aquelas palavras mexeram com o Neco. Deus quer a vida. Deus protege a vida, mesmo quando ela, na perspectiva da sociedade, não é mais produtiva e só traz gastos. Deus quer a vida e não importa o quão saudáveis ou o quão doentes estejamos. Ainda era tempo de rever conceitos...