6.7.06

Boa Certeza!


Os meses de junho e julho de 2006 estão mexendo com como todos nós, aqui na Alemanha. Quando escrevo “todos nós”, refiro-me ao povo, aos nativos e aos estrangeiros que vivem nestas terras do continente europeu. A euforia simplesmente tomou conta do país. Foi bonito ver o brilho de esperança nos olhos de cada pessoa. A alegria ainda é contagiante nas calçadas. Em conversa com pessoas mais avançadas em dias ouço que, depois da guerra, nunca mais tinham visto tantas bandeiras em vermelho, preto e dourado, tremulando em cada janela, na maioria dos automóveis. Perguntei-lhes que sentimento isto lhes evocava e foram sinceras: - Não é bom lembrar daqueles tempos de nacionalismo exagerado.

Interessante isso. Nos últimos 60 anos o povo alemão abdicou de expressar seu amor à patria, de carregar sua bandeira com orgulho. Lembro que na copa de 2002 isso era “tabu”. Nos últimos quatro anos tudo mudou. No momento em que o jogo entre a Alemanha e a Itália encerrou, a massa chorou. As lágrimas rolavam dos rostos dessa gente que, fora daqui, é considerada fria e sem sentimentos. Minha esposa e eu choramos juntos aquela derrota da semana que passou. A verdade é que esta experiência uniu mais as pessoas deste lugar. As vezes tenho a impressão de que momentos de dor conseguem unir mais do que instantes de alegria sem fronteiras.

Foi assim com o meu time do coração no ano de 2005. Estávamos na segunda divisao do futebol brasileiro. Jogávamos com equipes praticamente sem história. Mesmo assim, os torcedores estavam lá, sempre em maior número até, doando-se pela equipe. Quando em novembro de 2006 disputamos o jogo final no estádio dos Aflitos, em Recife, a união era a nossa marca. Agora estamos indo para os últimos jogos da Copa, aqui na Alemanha. A vida, devagarinho, vai retornando aos seus trilhos normais. Mas as relações pessoais, pelo menos aqui na Baviera, vão seguir rumos mais bem simpáticos a partir de agora. Ah disso eu carrego boa certeza.

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