29.9.06

Põe o feijão de molho!


Interessante os impulsos que vão sendo verdade dentro da cabeça da gente, quando se vive momentos de mudança, de despedida. Ontem, por exemplo, encontrei-me com um grupo de pessoas que se reúne, sistematicamente, para compartilhar temas do dia-a-dia. Fui de metrô até Trudering, um bairro de Munique e lá, na Comunidade da "Friedenskirche", encontrei-me com aquele povo querido.

No nosso círculo havia alegria, um vaso com girassóis, água e amendoins sobre a mesa. Uma das senhoras presentes era brasileira e ex-dancarina de "balet". A outra, com traços bem jovens, estava sentada numa cadeira de rodas, mas bem acarinhada pelo marido. Alguns dos senhores presentes trabalhavam em bancos. Dois deles eram engenheiros. Já suas companheiras eram versadas na área da música. Outras duas senhoras trabalhavam como leigas na Igreja e tinham formação diaconal. A mais idosa conhecia a Bíblia profundamente. Enfim, o clima de comunhão estava gostoso, enquanto íamos nos apresentando, ouvindo e contando nossas histórias.

Tudo na vida tem um preço. Para vir à Alemanha, precisei deixar família e muita gente querida no Brasil. Já a "brasileira" da nossa roda de conversa amava seu marido e, por isso, na época, precisou abdicar de sua carreira artística, já iniciada aos 5 anos de idade. A "cadeirante" do nosso círculo teceu comentários sobre a juventude, sobre a alegria e a liberdade de poder ir e vir, se locomover. O fato é que depois de muito tempo pude sentir de novo, o cheirinho de uma Comunidade. Eu, um dia, cansado, deitei-me na rede do norte e acabei descansando da luta forte. Mas agora estou de pé e, certamente, vou voltar em pé para, novamente, poder ir a pé! Por favor gurias e guris! Botem o feijão de molho que amanhã eu já estou voltando...

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