17.8.11

A reflexão continua!


José, amigo desde os tempos de colégio, fez menção de embarcar no velho “golzinho rebaixado”. O problema é que seu colega não se mexia. Observou-o, parado, ali na beira do asfalto. Ele parecia estar olhando para dentro de um vazio. Estranhas todas aquelas palavras: medo; chão; bela cidade; felicidade completa; inícios míseros... Deixa pra lá. Aproximou-se do companheiro, agarrou-o pelo braço e, meio que sem jeito, empurrou-o para dentro do carro.

Viajaram longo tempo em silêncio. José, com o “rabo do olho”, monitorava o comportamento do seu “carona” durante a viagem. Seu corpo comunicava que alguma coisa muito importante estava tendo vazão dentro da cabeça do “Itália”, como o chamavam na faculdade.

Já era noitinha quando o carro ultrapassou o quebra-molas anunciador do perímetro urbano da sua cidade natal. Depois de algumas curvas para a direita e outras para a esquerda, estacionaram em frente à casa da Êlla. Sua mãe abriu a porta e convidou-os a entrar. Os dois jovens acomodaram-se no grande sofá. Seus pés se afogavam no tapete de lã de ovelha.

- A Ella já vem. Aceitam uma bebida?

José não se fez de rogado e, com um sorriso no rosto, disse que aceitavam. Não demorou muito veio a amiga, espalhando alegria com palavras e gestos carinhosos como sempre. Aquele comportamento era natural, nada teatralizado. Os moços gostavam daquela menina que logo foi colocando:

- Que bom que vocês vieram. Vamos sair?

José já esperava esse convite. Manteve-se quieto na esperança que seu amigo velho reagisse positivamente. Aquela guria que sempre esbanjava simpatia tinha tudo para ajudar seu amigo. E não deu outra. Não demorou nada e o Arthur já saiu da casca.

- Eu topo. Pra onde vamos?