17.2.12

Diaconia e Tainha frita na Chapa!



O sol estava quente. Saí debaixo do guarda-sol e fui sentar-me à sombra da árvore que, generosamente, estendia seus galhos sobre a areia da praia. O mundo é mesmo pequeno. Ali, bem próximo de mim, estava sentado o meu amigo Wolfgang.

- E aí Wolfgang?
- Oi Renato! Nossa, que alegria te reencontrar... A Valmi está contigo?

Sim, esse era o meu amigo diácono de tantas jornadas. Estava com a pele avermelhada. Fruto de descuido – pensei.

- Sim, está se despedindo da água do mar. Amanhã cedo vamos voltar pro batente na São Mateus.
- Que tal nos encontrarmos hoje à noite para matarmos a saudade?
- Muito bom! Às 20h no Arante?
- Combinado Renato!

Depois do banho, fomos ao encontro. O Wolfgang já estava sentado com aquele seu jeito “três por quatro” junto a uma das mesas do restaurante. Na sua frente uma Opa Bier geladinha e três copos. Folheamos o cardápio e pedimos tainha frita na chapa. Feito o pedido ao sorridente garçom, desfreamos o verbo...

- E aí Wolfgang? Sempre diaconando?
- Tal como a Valmi, sim!
- Vocês dois vivem a diaconia nos poros da pele. Eu gostaria de saber, de uma vez por todas, com palavras bem simples, o que é verdadeiramente a diaconia? Onde começa a diaconia? Onde termina a diaconia? Onde a diaconia acontece? O que faz a diaconia? O que diz a diaconia? Alguém de vocês pode me responder isso com palavra bem resumidas?

A Valmi e o Wolfgang se entreolharam para ver quem iria me responder. Pelo jeito a resposta à minha pergunta não carecia de nenhuma pesquisa.

- É Wolfgang! “Santa de casa” não faz milagre. Reponde tu pra esse meu marido...
- Simples Renato. A diaconia sempre tem a ver com o amor ao próximo e este, nunca deixa de ter a ventilação do Espírito Santo. É por isso que a diaconia se mostra em todas as frentes da Igreja. O que mais me impressiona é que a diaconia cumpre sua tarefa sem alarde e sempre com habilidade.

Ali, diante de mim, estavam dois diáconos profissionais. Dava de perceber que seu amor pela diaconia “vazava” no brilho dos seus olhos. Daí então ousei “mexer no vespeiro”...

- Diaconia – uma palavra apenas... O que ela significa? Qual é o seu sentido? Qual é o seu conteúdo? Qual é a sua diretriz? Ela tem um “fio vermelho”?

- Ora, ora Renato – emendou o Wolfgang – a diaconia, o amor ao próximo, se deixa “tingir” pela fé. A fé cristã é a plataforma a partir da qual a diaconia ajuda as pessoas. Quer dizer, a diaconia não pode existir por si só. O seu conteúdo são as pessoas “a cavalo” de sua fé. Você, Renato, sabe melhor do que ninguém que a diaconia pode se caracterizar como uma profissão. A Valmi é diácona ordenada pela IECLB. Já as pessoas que se doam em favor da diaconia, do serviço cristão, são chamadas de “voluntárias”.
- Entendi Wolfgang.
- Quero dizer mais uma coisa. As pessoas que diaconam com seriedade e compromisso reconheceram a diaconia por causa da sua fé.

A Valmi estava ouvinte como eu, mas nesse momento decidiu entrar na conversa...

- A diaconia precisa de pessoas que não façam muitas perguntas, mas de pessoas que fazem; de pessoas que colocam suas mãos na massa a fim de mudar a conjuntura; de pessoas comprometidas e, ao mesmo tempo, sensíveis; capazes de perceber onde é que o “sapato do outro aperta”.

Neste momento veio o nosso garçom com o prato desejado. Serviu-nos com maestria mesclada de simpatia. Ficamos em silêncio observando seu trabalho. O Wolfgang ainda precisava dizer alguma coisa. E claro, eu queria ouví-lo.

- A diaconia precisa de pessoas como nós; de pessoas cujos olhos reconhecem o sofrimento daquele que sofre; de pessoas cujas bocas estejam prontas a dar “nome aos bois”; de pessoas cujos ouvidos aprenderam a ouvir. Não ouvir somente aquilo que queiram ouvir, mas o que devem ouvir; de pessoas que percebem as necessidades dos outros, mesmo que estes anseios pareçam triviais; de pessoas cujas mãos ajudem os idosos, os doentes e as crianças; de pessoas que saibam usar boas palavras em momentos necessários; de pessoas que saibam ser a voz de quem não consegue mais emitir nenhum som; de pessoas que não falam por falar, mas que colocam todo o seu ser a serviço da boa mudança; de pessoas que não se pautem pelo dinheiro e pelas posses; de pessoas que tenham coragem de ajudar.

Segurei o garfo e a faca. A Valmi e o Wolfgang fizeram o mesmo. Bebericamos em silêncio. Silêncio que o Wolfgang se encarregou de quebrar...

- E o teu pastorado em Joinville? Como vai?...

3 comentários:

Rabiscos do Renato disse...

Muito bom ver que pastores e pastoras valorizam o ministério diaconal e eu diria catequético. O Daniel esteve a poucos dias na EST e lá ouviu de colegas que estão estudando para o pastorado perguntarem aos colegas que estudam para catequese e diaconia: porque vocês não fazem o ministério pastoral com ar de deboche... Cristina Henrich

Rabiscos do Renato disse...

É lamentavel até na EST eles fazerem ess e deboche, quando no meu ve r a DIACONIA é o ponto fundamental para um Pastor atingir o coração e a mente de seus fiéis, Abraços Luteranos desde Uruguaiana RS. Elemar Eugenio Weimer

Rabiscos do Renato disse...

Parabéns Renato... é muito bom ler seus " rabiscos". Cristina Bachtold Poli