17.2.12

QUASE COMO UM IPÊ!


Feliz aquele que confia em Deus, o SENHOR, que não vai atrás dos ídolos, nem se junta com os que adoram falsos deuses!” (Salmo 40.4)

As pessoas se parecem com o ipê! Por quê? Ora, ambos se desenvolvem alicerçados na esperança. Num dado momento do ano nos satisfaz olhar a “boniteza” de um ipê. Suas folhas são miúdas, mas em contrapartida as suas flores cobrem toda a árvore como se fosse um lindo vestido. O ipê tem seus dias bons, mas também precisa suportar muitas tempestades. É assim que depois dos ventos ele permanece cada vez mais firme.

Aí vem o outono e do ipê só se vê o tronco e os galhos finos. Cada indivíduo percebe que nesta época a beleza se afasta da árvore em questão. É que neste período a beleza das suas cores “tira um tempo” para descansar e, assim, esperar até que o novo “suco da vida” lhe promova mais bons momentos. O nosso Criador foi muito sábio quando ordenou a Criação. Alegremo-nos e agradeçamos por causa disso. Tal como o ipê acontece e “desacontece” á nossa volta, assim também as pessoas. Elas são jovens, bonitas, cheias de vigor e entusiasmadas para a ação. Elas, desse modo, vão cruzando os estágios que lhes são propostos, entremio às primaveras; os verões; os outonos e os invernos. Sim, elas sofrem muito, tanto na alegria como na tristeza e, no “final das contas”, delas apenas permanece um conjunto de restos. E então?

Há esperança. O Filho de Deus, Jesus Cristo, veio como uma criança até nós, seres humanos (Mateus 1.18-15). Foi através de sua morte na cruz, que Ele nos trouxe a salvação e, tal como Ele mesmo ressuscitou, também nos ressuscitará quando vier pela segunda vez como Rei e Senhor. O que podemos esperar depois disso?

Ouvi uma voz forte que vinha do trono, a qual disse: — Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles, e eles serão os povos Dele. O próprio Deus estará com eles e será o Deus deles. Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram. Aquele que estava sentado no trono disse: — Agora faço novas todas as coisas! E também me disse: — Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e merecem confiança.” (Apocalipse 21.3-5) Não haverá mais lágrimas, tristeza, dor, separação e morte. Isso não se trata de uma esperança maravilhosa?

Tenham fé e creiam na Palavra de Deus que brota da Bíblia. Nela há a possibilidade de se aprender muito. O nosso relacionamento com Deus nos converterá em pessoas esperançosas, gentes livres para viver a felicidade pensada por Deus.

Diaconia e Tainha frita na Chapa!



O sol estava quente. Saí debaixo do guarda-sol e fui sentar-me à sombra da árvore que, generosamente, estendia seus galhos sobre a areia da praia. O mundo é mesmo pequeno. Ali, bem próximo de mim, estava sentado o meu amigo Wolfgang.

- E aí Wolfgang?
- Oi Renato! Nossa, que alegria te reencontrar... A Valmi está contigo?

Sim, esse era o meu amigo diácono de tantas jornadas. Estava com a pele avermelhada. Fruto de descuido – pensei.

- Sim, está se despedindo da água do mar. Amanhã cedo vamos voltar pro batente na São Mateus.
- Que tal nos encontrarmos hoje à noite para matarmos a saudade?
- Muito bom! Às 20h no Arante?
- Combinado Renato!

Depois do banho, fomos ao encontro. O Wolfgang já estava sentado com aquele seu jeito “três por quatro” junto a uma das mesas do restaurante. Na sua frente uma Opa Bier geladinha e três copos. Folheamos o cardápio e pedimos tainha frita na chapa. Feito o pedido ao sorridente garçom, desfreamos o verbo...

- E aí Wolfgang? Sempre diaconando?
- Tal como a Valmi, sim!
- Vocês dois vivem a diaconia nos poros da pele. Eu gostaria de saber, de uma vez por todas, com palavras bem simples, o que é verdadeiramente a diaconia? Onde começa a diaconia? Onde termina a diaconia? Onde a diaconia acontece? O que faz a diaconia? O que diz a diaconia? Alguém de vocês pode me responder isso com palavra bem resumidas?

A Valmi e o Wolfgang se entreolharam para ver quem iria me responder. Pelo jeito a resposta à minha pergunta não carecia de nenhuma pesquisa.

- É Wolfgang! “Santa de casa” não faz milagre. Reponde tu pra esse meu marido...
- Simples Renato. A diaconia sempre tem a ver com o amor ao próximo e este, nunca deixa de ter a ventilação do Espírito Santo. É por isso que a diaconia se mostra em todas as frentes da Igreja. O que mais me impressiona é que a diaconia cumpre sua tarefa sem alarde e sempre com habilidade.

Ali, diante de mim, estavam dois diáconos profissionais. Dava de perceber que seu amor pela diaconia “vazava” no brilho dos seus olhos. Daí então ousei “mexer no vespeiro”...

- Diaconia – uma palavra apenas... O que ela significa? Qual é o seu sentido? Qual é o seu conteúdo? Qual é a sua diretriz? Ela tem um “fio vermelho”?

- Ora, ora Renato – emendou o Wolfgang – a diaconia, o amor ao próximo, se deixa “tingir” pela fé. A fé cristã é a plataforma a partir da qual a diaconia ajuda as pessoas. Quer dizer, a diaconia não pode existir por si só. O seu conteúdo são as pessoas “a cavalo” de sua fé. Você, Renato, sabe melhor do que ninguém que a diaconia pode se caracterizar como uma profissão. A Valmi é diácona ordenada pela IECLB. Já as pessoas que se doam em favor da diaconia, do serviço cristão, são chamadas de “voluntárias”.
- Entendi Wolfgang.
- Quero dizer mais uma coisa. As pessoas que diaconam com seriedade e compromisso reconheceram a diaconia por causa da sua fé.

A Valmi estava ouvinte como eu, mas nesse momento decidiu entrar na conversa...

- A diaconia precisa de pessoas que não façam muitas perguntas, mas de pessoas que fazem; de pessoas que colocam suas mãos na massa a fim de mudar a conjuntura; de pessoas comprometidas e, ao mesmo tempo, sensíveis; capazes de perceber onde é que o “sapato do outro aperta”.

Neste momento veio o nosso garçom com o prato desejado. Serviu-nos com maestria mesclada de simpatia. Ficamos em silêncio observando seu trabalho. O Wolfgang ainda precisava dizer alguma coisa. E claro, eu queria ouví-lo.

- A diaconia precisa de pessoas como nós; de pessoas cujos olhos reconhecem o sofrimento daquele que sofre; de pessoas cujas bocas estejam prontas a dar “nome aos bois”; de pessoas cujos ouvidos aprenderam a ouvir. Não ouvir somente aquilo que queiram ouvir, mas o que devem ouvir; de pessoas que percebem as necessidades dos outros, mesmo que estes anseios pareçam triviais; de pessoas cujas mãos ajudem os idosos, os doentes e as crianças; de pessoas que saibam usar boas palavras em momentos necessários; de pessoas que saibam ser a voz de quem não consegue mais emitir nenhum som; de pessoas que não falam por falar, mas que colocam todo o seu ser a serviço da boa mudança; de pessoas que não se pautem pelo dinheiro e pelas posses; de pessoas que tenham coragem de ajudar.

Segurei o garfo e a faca. A Valmi e o Wolfgang fizeram o mesmo. Bebericamos em silêncio. Silêncio que o Wolfgang se encarregou de quebrar...

- E o teu pastorado em Joinville? Como vai?...