14.5.12

ATUALIZAÇÃO TEOLÓGICA DE MINISTRAS E MINISTROS do SÍNODO NORTE CATARINENSE


Era terça-feira, dia 08 de maio de 2012. Foi de repente que muitos de nós, ministras e ministros do Sínodo Norte Catarinense, estávamos sentados em círculo, numa das salas do Lar Filadélfia, em São Bento do Sul (SC). A fala da nossa assessora curitibana, graduada em Administração e pós-graduada em Psicologia Organizacional, Sra. Gudrun Schmidt, soava firme e, ao mesmo tempo, amorosa. Sua expressão corporal nos comunicava excelente conteúdo enquanto suas palavras nos deliciavam. Sim, queríamos nos fortalecer; experimentar valorização; buscar saídas para nossos estresses; trabalhar espírito de grupo; fortalecer laços...

No semblante de todos se lia o desejo ardente de uma “recarga de baterias”. Tal desejo coletivo nos “catapultou” para dentro de uma interação impar. Se na Comunidade somos constantemente chamados a ajudar, ali, naquele lugar, poderíamos ser ajudados. Que sensação incrível aquela! Era hora de tentarmos andar devagar, sem pressa. Uns de nós refletíamos com o hemisfério cerebral direito. Já outros com o esquerdo. Aqueles eram os mais lógicos. Estes os mais criativos.  Por que não ousar ser proativo; objetivar a partir da importância; “negociar” sob a “batuta” do “ganha-ganha” e não do “perde-ganha”; buscar compreender para ser compreendido; fazer acontecer cooperação criativa; renovar pontos de vista? 

Vi “companheiras e companheiros de luta” dispostos a mudar. Nossa turma queria se servir daquela análise; tomar a direção mais eficaz. O compartilhamento dos problemas gerava um vulcão de possíveis soluções. Aqui e ali fluíam a originalidade e a flexibilidade. Não era sonho não! Estávamos navegando rumo a um novo horizonte. O cientista Albert Einstein monitorava o leme do nosso barco. Ouvi-o gritar: “Ninguém de vocês consegue resolver um problema com a mesma atitude de quem o criou!” Sim, éramos diferentes e precisávamos trocar nossos saberes.

Fazer lista de pendências; estabelecer prioridades; pensar prazer e alegria; não perder o foco; equilibrar-se entre a rapidez e a criatividade; imaginar a família, a saúde, a hora tranquila e, primordialmente, distinguir o que é importante do urgente na agenda. Era bom estarmos ali, unidos, em comunhão e amor. 

Se o conteúdo que transmitimos só promove menos de 10% de mudança e se a postura dos nossos corpos, mesclada com o tom da nossa voz, o fazem em torno de 80%, é claro, havia a necessidade de mudarmos de postura. Assim, confiar era preciso; dialogar era necessário e colocar-se na pele do outro era primordial. Estava na hora de buscarmos uma visão compartilhada para ser ministra; para ser ministro. E aí veio o almoço da quinta-feira, do dia 10...

DIACONIA É "AMT" IV


O papel da Igreja gira em torno da Diaconia. Quando Paulo se refere à “diaconia”, ele não tem em mente uma Secretaria, tal como a da Igreja Evangélica de Convfissão Luterana no Brasil - IECLB, na Rua Senhor dos Passos, 202, em Porto Alegre (RS). 

Agora, mesmo que o nosso estilo de vida e as nossas formas de organização não se assemelhem aos do primeiro século, a mensagem básica permanece sendo a mesma: O “amor vivido” é quem determina a “potência de radiação” de nossa Igreja. 

Sem missão a nossa “diaconia” é nada. Para se manter sob a proposta de Deus, a Igreja precisa da “diaconia” e a “diaconia” precisa da Igreja. Igreja sem “diaconia” é Igreja fria. “Diaconia” sem Igreja é algo vazio.

É por isso que precisamos do “amor ação”; de um estilo de vida marcado pela fé e por uma  forma mais eficiente de organização para ajudar pessoas. É desse jeito que vamos conhecer o “amor” com o qual Jesus Cristo nos amou para, então, repassá-lo adiante. Creio que estejamos dando passos nesta direção. Graças a Deus!

DIACONIA É "AMT" III


O cerne da diaconia tem a ver com o amor. O apóstolo Paulo ressalta que esse “amor diaconal” deve ser praticado “sem segundas intenções”. A luta em prol da busca pela “sinceridade do amor” é a idéia básica do Novo Testamento. 

Hoje também importa a autenticidade deste “amor ação”. Quem pratica a “diaconia” expressa a “essencia do amor” a partir da “ação diaconal”. Paulo nos promove o aprendizado do que é o “amor autêntico”. Este amor se molda no encontro com o outro, enquanto se “pratica o acolhimento”. 

Na “diaconia” ninguém se gaba dos trunfos. Nelas as pessoas tem prazer em honrar umas às outras (10b). O “amor” exclui a inércia. Quem ama se mostra animado e serve de forma “fervorosa” ao Senhor (v. 11b). O “amor” nunca está sozinho, mas sempre se faz acompanhar da esperança, da paciência e da espiritualidade. 

O apóstolo nos desafia a alegrarmo-nos na esperança, a sermos pacientes na tribulação e perseverantes na oração (v. 12). É desta forma que ele nos orienta a lançarmos o nosso foco nas necessidades dos outros cristãos. A “forma especial” de se viver o “amor cristão” sempre se dá num clima positivo porque este “amor” sempre se faz acompanhar da alegria, da confiança e da perseverança. A “diaconia” trabalha os problemas a partir do diálogo com Deus. 

O sofrimento da irmandade no mundo importa para a “diaconia”. Isto é assim porque os olhos da “diaconia” sempre são globais. Quando o “Corpo de Cristo” está sofrendo em algum lugar do planeta, os membros desse “Corpo” padecem em qualquer lugar do globo terrestre. Assim, o destino dos coptas no Egito; dos cristãos orientais no Iraque e a divisão do “Corpo de Cristo” na África do Sul devem nos preocupar também. 

Na vida pessoal isso implica em se praticar a bondade; se praticar “diaconia” abrindo as portas do próprio lar. O apóstolo Paulo resume isto com a expresão “hospitalidade aos estranhos”(v. 13b). A abertura para outras pessoas se reflete na abertura de sua própria casa para os visitantes. A “hospitalidade” é uma forma de vida e a disposição de se hospedar visitantes e pessoas carentes é indicadora se a pessoa que atua é auto-suficiente e e ou se ainda é dependente. A prática da hospedagem sempre é um sinal do interesse pelos outros. 

Li de um dos grandes líderes da Igreja que “se alguém quer proclamar o Evangelho, esse alguém precisa amar às pessoas a quem visa entregar a Boa Nova”. A pessoa que queremos ajudar não pode ser entendida como um “objeto da nossa propriedade”, mas deve ser amada com liberdade. O apóstolo nos recorda a atitude tomada por Jesus que sempre ia ao encontro das pessoas motivado pelo “amor”. Jesus até se mostrava amoroso na relação com seus inimigos. Ele sempre deixava esta postura clara aos seus discípulos quando lhes dizia: “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (v. 14).  

Esse jeito de se viver é marcado pela simpatia; pela “compaixão”. “Alegrar-se com aqueles que se alegram e chorar com os que choram” (v.15). A “diaconia” prospera com a vontade que se tem de “entrar na pele” de quem precisa de ajuda. As pessoas que praticam a “diaconia” precisam ter afinidade com as pessoas oprimidas e marginalizados da nossa sociedade. 

O apóstolo nos desafia a termos o mesmo sentimento uns para com os outros; a abrirmos mão do orgulho e a procurarmos a comunhão com as pessoas que se mostram inexpressivas e insignificantes (v. 16). Sim, a ação de diaconar é colocar-se ao lado das pessoas que procuram ajuda, a partir da fé e das articulações da Igreja.