25.5.11

Sepultar ou cremar nossos queridos IV


Em muitos textos bíblicos nos é explicitado que o homem tem sua origem na terra; no pó e que ele voltará para este estado: Salmo 90.10 (Vida breve); Salmo 104.29 (Sem a respiração presenteada por Deus (alma) nós nos convertemos em pó); Salmo 146.4, Eclesiastes 3.20, Eclesiastes 12.7, Jó 10.9 (A pessoa se converterá em pó, mas seu espírito retorna a Deus que o deu). Há mais textos bíblicos que poderiam ser citados sobre este tema. Quando se lê os mesmos se percebe que, sempre de novo, Deus presenteou a respiração (a alma) para as pessoas e é isso que faz delas um ser. Quando a respiração acaba, a pessoa é novamente terra; pó (elementos da qual ela, a pessoa, foi criada).

A partir dai começaram a acontecer várias formas de sepultamento. Os egípcios, os babilônicos, os assírios, e os israelitas tinham o costume de sepultar os seus mortos na terra. Abraão praticou o ato de sepultamento de sua esposa Sara numa sepultura comum para a época: O corpo da sua querida foi colocado numa caverna (Gênesis 23.9).

Os outros povos que vizinhavam com Israel tinham práticas semelhantes. Os egípcios, por exemplo, embalsamavam os seus mortos (pessoas ricas e importantes) em túmulos fabricados (pirâmides).

Não dá para se dizer que no Antigo Testamento uma pessoa era simplesmente enterrada na terra como se faz hoje em algumas das nossas cidades. Primeiro ela era embalsamada e depois colocada dentro de uma caverna. Vamos ler sobre o sepultamento de Saul e seus filhos: 1 Samuel 31.12-13... Esse jeito de se sepultar pessoas em cavernas se deu por séculos e séculos. Aqui, no caso, Saul e seus filhos estavam sepultados de dentro de um muro (Algo parecido com estes túmulos verticais que conhecemos no nosso cemitério municipal ali na Borba Gato). Levaram os corpos dali e os “queimaram”. Logo depois sepultaram os ossos restantes debaixo de algumas árvores e jejuaram durante uma semana.

Nós lemos nos Evangelhos que o corpo de Lázaro foi deitado numa caverna (João 11.17- 38). Como era costume, Jesus também foi sepultado nestes mesmos moldes, dentro de uma gruta; num túmulo aberto em rocha (Lucas 23.53). Naquela época se embalsamavam os corpos, ou seja, enrolava-se o corpo da pessoa falecida em panos para, mais tarde, ser depositada na caverna. Estas grutas eram mais ou menos assim: Uma abertura escavada na rocha. Do lado esquerdo e do lado direito havia uma espécie de banco de pedra sobre o qual se deitava o corpo da pessoa falecida (Lembram dos jazigos que se vê nos cemitérios?). No meio dos dois bancos havia um pequeno corredor. Com o passar do tempo sobravam os ossos da pessoa falecida que eram colocados em recipientes e colocados numa outra caverna e ou até enterrados noutro local. Já vimos isso no enterro de Saul e seus filhos.

Em Roma os sepultamentos das pessoas falecidas eram realizados em catacumbas. Dá para se dizer que as catacumbas eram uma espécie de “cemitérios subterrâneos” cavados na rocha. Romanos, judeus e cristãos sepultavam seus mortos nestes cemitérios debaixo da terra. Ali naquele lugar, em regra, as covas eram cobertas com uma grande pedra onde se escrevia o nome e a data do falecimento da pessoa falecida. Algumas dezenas de anos se passaram e então se passou a colocar ornamentos sobre os referidos “tampões” de pedra (Alguma familiaridade com os dias de hoje?). Alguns mártires da Igreja Primitiva chegaram a ser enterrados em catacumbas especiais. Nos anos 500 d.C esta prática foi abandonada, pois se passou a priorizar os cemitérios na superfície da terra. Percebam que esta prática já tem seus 1.500 anos.

O tempo escoou e as jovens Igrejas Missionárias Alemã; Celta e Eslava passaram a cremar os seus mortos. Alguns rejeitam este “costume estranho” de queimar cadáveres e classificam-no como pagão. Enfim, a cristandade se segura na velha Tradição da Igreja e opta por guardar seus mortos primeiramente em cavernas (naturais e ou construídas) para, mais tarde, sepultá-los em covas na terra.

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