21.5.11

Sepultar ou cremar os nossos queridos II


A cremação não é praticada no Antigo Testamento, mas também não é proibida. Na prática cremava-se o corpo de uma pessoa morta para se passar alguma mensagem como “erradicação de comportamentos errados” – por exemplo. Em Levítico 20.14 se lê que a cremação podia se dar por má conduta sexual. Exemplo: Se um homem tivesse contato sexual com mãe e filha. Tal comportamento podia ser castigado com a morte e com a queima do cadáver. Em Deuteronômio 12.31 está escrito que os israelitas não deveriam oferecer (queimar) suas filhas e seus filhos sobre os altares como se fossem ofertas aos deuses. Esta era a prática dos pagãos: As crianças eram mortas sobre o altar e logo depois oferecidas ao ídolo pagão Moloque (Levitico 18.21).

Em Deuteronômio 18.10 os israelitas são desafiados a não queimar (ofertar) suas crianças sobre os altares tal como os pagãos o faziam. Infelizmente isso era uma prática também entre o povo de Israel. Em 2 Crônicas 28.3 se lê que o rei Acã ofertou seus filhos sobre um altar queimando-os. Quando Acã se deu conta que tinha pecado; que tinha agido contra a vontade; contra as instruções dadas por Deus, ele teve que ser apedrejado e queimado. Vejamos o texto de Josué 7.24ss. Aqui a queima de um corpo morto significa um castigo mais profundo. Em 1 Reis 13.2 e 2 Reis 23.16 e 20 lemos sobre sacerdotes do rei Jeroboão que fizeram sacrifícios a outro deus. Isto não podia mais acontecer e Deus deu instruções para que fossem abatidos e queimados.

Em Amós 2.1 há o relato de que os moabitas queimaram os ossos do rei Edom. Porque eles fizeram isso? Ora, provavelmente eles queriam profanar o corpo de Edom e, ao mesmo tempo, ofender os edomitas. A partir daí a cremação foi considerada um crime em Israel. Detalhe: A prática da cremação se apóia em três aspectos: a) A cremação deve atestar que Deus não tolera o mau comportamento. b) O objetivo da cremação é acabar de uma vez por todas com a obediência a ídolos. c) Em Amós fica evidente que um corpo foi queimado com o objetivo de se zombar; de se humilhar pessoas.

Deve ficar claro que os motivos para a queima de cadáveres são muito fortes: Em que circunstâncias os cadáveres foram cremados? Ora, para que algum recado ficasse bem claro à população. Isso quer dizer que estes motivos bíblicos não podem ser base para refutarmos a cremação nos dias de hoje. A partir da leitura de Amós daria para se dizer que Deus tem certa preferência pelo sepultamento em uma tumba. Com o sepultamento em tumbas, os israelitas se diferenciavam dos pagãos; da prática pagã que oferecia sacrifícios humanos sobre os altares a partir do fogo.

Quando refletimos sobre o ato de sepultarmos alguém, precisamos nos fazer a pergunta sobre o que acontece com uma pessoa que falece. Jesus afirma que, num certo dia, a Sua voz se fará ouvir e todos os mortos ressurgirão de seus túmulos para a ressurreição e ou para o juízo (João 5.28-29). Este texto só fala de ressurreição. O levantar-se de dentro da tumba é algo irracional; é um jeito poético de se falar do juízo ou da nova vida que vem.

Mais adiante Jesus vai deixar claro que o cristão viverá, mesmo experimentando a morte (João 11.25). Isso significa que o cristão morrerá; que o corpo voltará à terra, mas que o espírito permanecerá com Cristo na eternidade. Em 1 Coríntios 15.35-49 Paulo deixa claro que na ressurreição nós vamos ganhar um corpo novo de presente. Este não será parecido com o corpo que carregamos aqui na terra. Esse referido corpo que ostentamos aqui no chão não será renovado. Trata-se de um corpo novo; um corpo “deificado”. Essa perspectiva da ressurreição me leva a crer que tanto faz como o nosso corpo se degradará (se na terra ou no fogo).

Todos os cristãos precisam ter clareza que não vão invadir a eternidade com estes corpos que carregam e que, por natureza, são marcados por defeitos (Filipenses 1.21-24; Lucas 23.39-43). Notem que no Novo Céu e na Nova Terra não vão existir as substâncias carne, sangue, terra e cinza (1 Coríntios 15.50-55).

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